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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

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Livro: Beatriz e Virgílio



Título Original: Beatrice and Virgil
Ano de Edição: 2010
Género: Drama
Autor: Yann Martel

* Por Mariana Oliveira *


O filme “A Vida de Pi” foi, há uns anos atrás, um verdadeiro sucesso mundial. Escusado será dizer que o livro que inspirou a história na altura vendeu que nem pãezinhos quentes. Mesmo nunca tendo lido essa obra, fiquei com o autor debaixo de olho, não tivesse ele vencido o Man Booker Prize em 2002, e mal tive a oportunidade de ler uma das suas criações não hesitei!


Sinopse:
“Henry, um escritor reconhecido mundialmente, decide escrever um livro meio ficção e meio ensaio como forma de abordar todos os aspectos de um mesmo tema – o Holocausto. Contudo, cedo é criticado pela sua editora e desiste do projecto, decidindo ir viver para outra cidade. Aí, continua a receber cartas dos seus fãs até que um dia recebe uma estranha correspondência de um taxidermista que lhe pede ajuda. É nesse momento que Henry percebe que estão ambos a tentar escrever sobre o mesmo tema. Um livro polémico e provocador que confirma o autor Yann Martel como um dos mais surpreendentes escritores canadianos da actualidade.”


Opinião:
Simplesmente fiquei desiludida com este livro e passo a explicar porquê.
Sempre que possível, gosto de iniciar a leitura de um novo livro sem saber nada sobre a sua história. Foi o que fiz com “Beatriz e Virgílio” mas rapidamente tive a necessidade de ler a sinopse porque lia página atrás de página e continuava a pensar “mas onde é que o autor quer chegar com esta linha de pensamento?”.
Para começar, Yann Martel consegue ser exaustivamente descritivo. Pega numa personagem e leva-a para uma loja de um taxidermista e começa uma longa descrição sobre todos os objectos presentes. O facto de fazer isto algumas vezes ao longo do livro tornou esta leitura algo extenuante.
Relativamente à história, achei o ritmo da trama demasiado arrastado. Henry e o taxidermista tinham uma dinâmica muito estranha entre si, muito culpa deste último que é das personagens mais estranhas que conheci nos últimos tempos.
O tema do Holocausto é abordado através de uma peça de teatro criada pelo taxidermista cujos protagonistas são a burra Beatriz e o macaco Virgílio. Os diálogos das personagens abordam de uma forma algo indirecta este dramático tema e foram a minha parte preferida desta leitura. Acabei por afeiçoar-me a estes dois amigos e gostei particularmente de algumas falas deles.
Contudo, quando já estava a habituar-me a esta história eis que termina de uma forma abrupta e, a meu ver, completamente descabida. Não sei qual foi a ideia do autor em escolher um final tão, perdoem-me a escolha de palavras, parvo. Foi nas últimas páginas que, para mim, o autor deu um tiro no próprio pé.


sábado, 9 de dezembro de 2017

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O teu FLAMES num ano


2016 foi um ano repleto de surpresas. Por ter sido um ano fora do comum, acreditamos que ainda vamos ouvir falar nele bastante em 2017. No FLAMES queremos fazer o mesmo. De um ano que tanta gente apelidou de um dos piores na história da humanidade, nós queremos retirar o que de melhor houve. Assim nasce a rubrica "O teu FLAMES num ano".


Patrícia Rodrigues
Tita

Filmes: Os Condenados de Shawshank / Animação: Divertida Mente
Livros: 
Não-Ficção: Se Isto é Uma Mulher de Sarah Helm / 
Não-Ficção (Biografia) Nacional: Doida Não e Não de Manuela Gonzaga / 
Romance Histórico: The Kitchen Boy de Robert Alexander / 
Ficção Nacional: A Célula Adormecida de Nuno Nepomuceno /
Fantasia: O Império Final de Brandon Sanderson
Animes: Não leio animes
Mangas: Não leio mangas
Eventos, espetáculos e/ou entretenimento: Para mim, o melhor evento anual é sempre a Feira do Livro de Lisboa (FLL) :) 
Séries: 22.11.63 (mini-série)

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

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Manga: Genzo the Puppet Master




Título Original: Genzo Hitogata Kiwa
Ano de Lançamento: 1996
Nº Volumes: 5
Género: Aventura
Autor: Takada Yuuzou

* Por Mariana Oliveira *


Comecei a ler este manga completamente por acaso e apesar de não ter expectativas muito elevadas numa fase inicial, mesmo assim fiquei algo desiludida com esta leitura…


Sinopse:
“Na Idade Média, no Japão, Tsujimura Genzo é conhecido por criar marionetas em madeira tão perfeitas que se torna impossível distingui-las dos seres humanos. Contudo, Genzo leva uma vida extremamente infeliz desde que a sua amada esposa foi assassinada.
Ao longo das várias peripécias com que Genzo se cruza, acaba por recorrer à sua arte e criar marionetas que o ajudam a combater o mal e a desvendar todo o tipo de mistérios. Ao seu lado tem Kikuhime, uma irreverente princesa que nunca recusa uma bela batalha.”


Opinião:
Há mangas que surpreendem pela qualidade da sua arte mas, infelizmente, não posso dizer que este se insira nesse grupo. Os desenhos são demasiado simples e as cenas de batalha por vezes eram algo difíceis de acompanhar.

Relativamente à história, numa fase inicial fiquei bastante entusiasmada com o rumo que esta estava a levar: a perda da sua esposa tinha levado Genzo a ser uma pessoa taciturna e deprimida mas através da sua arte conseguiu dar a volta por cima e prosseguir com a sua vida resolvendo mistérios e ajudando quem mais precisava.

Contudo, a determinada altura a história começa a ser algo repetitiva, ou seja, a cada novo capítulo tínhamos mais uma nova aventura que, mesmo sendo todas diferentes, o desfecho acabava por não variar muito. Prefiro mangas com uma história única desenvolvida ao longo dos vários capítulos do que este género de pequenos episódios que em poucas páginas ficam resolvidos.

O meu volume preferido foi sem dúvida o terceiro pois tem como vilã uma portuguesa e serviu para termos uma pequena ideia da forma como os japoneses nos vêem, neste caso algo estereotipada (ex: não faltava o colar com a cruz no pescoço da dita vilã). Normalmente gosto de ver-nos sob o ponto de vista de outra cultura, neste caso uma cultura completamente diferente da nossa, pois ficamos sempre com uma pequena ideia daquilo que eles pensam de nós.

O final, a meu ver, deixou muito a desejar pois ficou em aberto. Não me entendam mal pois em algumas situações gosto de finais em aberto, contudo neste caso sinto que foi desnecessário. O autor andou durante 5 volumes a cozinhar um potencial romance entre a destemida princesa e o herói para no fim não nos dar uma conclusão satisfatória. Para quê um final tão em aberto se depois nunca mais continuou a história? Não sei se na altura a ideia do autor seria mais tarde continuar as aventuras de Genzo, mas a verdade é que ficar assim como ficou "nem foi carne nem foi peixe".
No geral, esta foi uma leitura bastante básica que esteve longe de me encher as medidas. 

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

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TAG - NÃO ME LEMBRO DO NOME LOL


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

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268º Passatempo do FLAMES (em parceria com a Marcador)




Ali aprendi a lavar a alma, ali aprendi a viver


SINOPSE

Um carro despenha-se numa falésia junto ao farol. A jovem que o vai a conduzir morre. Uma mulher, num lugar ali perto, acorda assustada e vai até ao alpendre da casa onde vive, junto ao mar. Terá sido apenas um sonho?
O mar parece estar de feição. Agarra na prancha, decidida a apanhar umas boas ondas. Cai e volta a cair enrolada numa onda gigante. Tenta arranjar forças para vir para cima. Entra numa luta titânica contra o mar, com as poucas forças que ainda tem, mas deixa de ver. Já não tem mais forças. De repente fica tudo às escuras. Foi nesse instante que sentiu uns braços à sua volta.

CRÍTICAS

«Há ilhas que vale a pena visitar. Esta é, sem dúvida, uma delas.»
Pedro Chagas Freitas

Para participar, preencham o questionário em baixo. Boa sorte!

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Livro: Menina boa, Menina má




Título Original: Good Me, Bad Me
Ano de Edição: 2017
Género: Thriller
Autora: Ali Land
Editora: Suma de Letras


* Por Mariana Oliveira *


Quem não gosta de um bom thriller de vez em quando? Então quando envolve uma adolescente filha de uma psicopata ainda melhor! Bastou-me ler a sinopse deste livro para perceber que tinha de lê-lo rapidamente pois algo me dizia que seria uma leitura de arrepiar… e não estava enganada!


Sinopse:
“Quando Annie, de 15 anos, entrega a sua mãe, uma assassina em série, à polícia espera um novo recomeço de vida – mas será que podemos realmente escapar ao nosso passado?
Com uma família de acolhimento e um novo nome – Milly – espera um novo começo. Mas com o julgamento da mãe à porta os segredos de Milly não vão deixá-la dormir…
Quando a tensão se torna insuportável Milly terá de decidir: será uma Menina Boa ou uma Menina Má? Porque a sua mãe é uma assassina em série, e ela é sangue do seu sangue.”


Opinião:
Terminei a leitura deste livro há poucas horas por isso ainda me encontro meia abalada com aquele final. Mas não nos precipitemos e comecemos pelo início.

Desde o primeiro capítulo uma coisa ficou assente: esta história encerra em si um enorme mistério e a forma intensa como a autora descreve aquilo que se passa serviu para aumentar a já por si crescente tensão. Capítulo atrás de capítulo vemo-nos cada vez mais embrenhados nesta trama que deixa à partida uma grande questão no ar: conseguirá Annie, a jovem adolescente, ser uma Menina Boa contrariando tudo aquilo que a sua cruel mãe lhe ensinou desde tenra idade?

A par desta questão, damos por nós igualmente curiosos por saber como será o julgamento da assassina, ou por outras palavras, como será o reencontro da jovem com a mãe que se encontra presa por causa da denúncia da própria filha? O medo e ansiedade crescentes da protagonista acabam por passar para nós, leitores, e dei comigo a desejar ardentemente chegar à parte do julgamento para que tudo fosse finalmente desvendado. E não demorei muito pois a forma inteligente como a autora escreveu os capítulos, curtos e objectivos, convidam-nos sempre a ler mais uma página daí que esta leitura tenha acabado por ser uma das mais rápidas que tive este ano.

Enquanto o julgamento não chega, vamos acompanhando a tentativa de Annie se adaptar à sua nova vida com uma nova identidade, Milly, e um passado menos sombrio fabricado. Contudo, o bullying de que é vítima desde cedo fazem prever dias difíceis para a adolescente que tenta resistir à sua vontade de castigar aqueles que a fazem sofrer. É precisamente nesta altura que começamos a ver a Menina Má a querer dar sinais de vida…

E é assim, neste periclitante equilíbrio que Milly tenta deixar para trás das costas as horríveis memórias que guarda da sua infância e primeiros anos de adolescência. No entanto, penso que para os leitores se torna óbvio de que tanta tensão acumulada terá de rebentar em algum momento e por isso mesmo foi com um misto de horror e incredulidade que devorei os últimos capítulos desta história que daria um excelente filme sem qualquer dúvida! O final é realmente incrível e deixa-nos com uma sensação de espanto que permanece connosco bem depois de fechado o livro.

Não podia terminar sem referir um detalhe que para algumas pessoas poderá passar despercebido mas que para mim me disse muito. Desde o início ao fim de vez em quando há uma referência à obra “O Deus das Moscas”, pois trata-se da peça de teatro que Milly e as colegas da escola irão representar. Adorei este detalhe, não fosse esse livro um dos meus preferidos de todos os tempos!


Recomendo esta leitura a quem não perde por nada um bom thriller. Acredito que estamos perante um exemplo ímpar dentro deste género literário!

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

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Livro: O Jogador (Fiódor Dostoievski)



Título: O jogador
Autor: Fiódor Dostoiévski
Título original: Igrok
Páginas: 215
Edição: Visão, Ler faz bem (Cardume Editores Lda)


Sinopse


O Jogador foi publicado em 1866, ano em que saiu também Crime e Castigo. Passado na Alemanha, num ambiente de casinos, Aleksei Ivánovitch destaca-se como figura principal - um jovem com um forte sentido crítico em relação ao mundo que o rodeia, mas carente de objectivos, que descobre em si a paixão compulsiva pelo jogo. Dostoiévski expõe as personagens nas suas motivações mais íntimas, com humor e ironia, criando uma obra simultaneamente viva e profunda, na melhor tradição dostoievskiana. O fascínio torturado dos jogadores adequa-se genialmente ao tratamento de temas caros ao autor, e ainda o descontrolo e o desespero, as paixões que raiam a loucura e a solidão sem perspectivas, além de uma análise social impiedosa, por vezes satírica. O Jogador, uma das obras mais lidas deste autor, tem muito da experiência do próprio Fiódor Dostoiévski, que também foi um jogador compulsivo durante vários anos.

Opinião
(Roberta Frontini)

Adoro autores russos. Não, não posso nem quero generalizar. Adoro Dostoievski. A sua escrita que nos torna dependentes da sua leitura, a sua simplicidade ao lado dos seus enredos intrincados, o seu humor aguçado e inteligente... Por isso mesmo, volta e meia, meto-me a ler algo dele. E sempre que termino penso: Porque é que perco tanto tempo a ler outros autores quando tenho aqui isto?

O jogador foi, talvez, dos melhores livros que já li na minha vida e mesmo assim acho que esta não é, nem de longe, uma das suas melhores obras. O sentido de humor usado fez-me rir à gargalhada. A caracterização das personagens está soberba... as descrições não estão exageradas mas são tão claras que nos permitem "entrar" naquela sociedade e num mundo tão diferente de forma fácil.  Nota-se um claro conhecimento, por parte do autor, das consequências do jogo patológico e das vivências do mesmo, que consegue empregnar nas suas personagens, enquanto, ao mesmo tempo, destaca a falta de objectivos, moral e a falta de valores da sociedade. 

Uma das coisas de que mais gostei, como disse em cima, foi da caracterização de algumas personagens e da evolução de outras. A personagem principal (que narra a história), por exemplo, para além da questão do jogo patológico apresenta, ainda, uma clara personalidade dependente que extravasa a questão do jogo em si. De facto várias vezes refere à sua amada que, se ela quiser, que ele se atira de um penhasco, se mata, faz o que ela quiser. Essa dependência e quase total anulação do que ele é para com a amada, mais do que uma prova de amor revela, um pouco, esta questão da dependência. A forma como, psicologicamente, o narrador nos vai descrevendo as probabilidades para determinado resultado é fascinante, e as crenças em torno delas são muito interessantes. Para os "jogadores" as leis da probabilidade têm regras que só eles conhecem e que, apesar de ineficazes, por vezes os fazem sentir invencíveis. 

A avó é outra das personagens que tem um destaque importante e uma evolução interessante. Para além de ser a personagem mais cómica e irónica, ela começa com uma grande preocupação para com as pessoas viciadas no jogo, mas depois ela própria entra no esquema e, através dela, compreendemos melhor todo o processo de adição. Porque o narrador já era dependente... a avó vai-se tornando, e ver essa evolução [regressão?] é fascinante. Aliás, em todo o livro isto é muito patente e facilmente se compreende que apenas alguém com um profundo conhecimento da dependência ao jogo (como o autor o foi) poderia escrever uma obra destas. 

Sim, Dostoievski foi um jogador. A vários níveis. A criação desta obra foi, ela mesma, uma aposta. O autor estava a escrever Crime e Castigo e, nos "entretantos", fez um pacto com o editor: até uma determinada data, se ele não entregasse um livro com X páginas o editor podia, durante 9 anos, publicar tudo o que ele escrevesse sem lhe pagar nada. Esta obra surge então desta urgência em terminar um prazo e foi escrita com a ajuda de uma dactilografa (para escrever mais rápido) que depois acabaria por se tornar sua mulher. 

Não é a obra prima do autor, mas é uma obra prima para mim. Isto porque, o que tendemos a fazer é comprar com outras obras. Se compararmos este livro com os seus outros livros, este de certo que não se destacará. Mas basta pararmos para o comparar com outras obras de outros autores para percebermos que estamos perante um livro absolutamente delicioso. 

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

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Livro: Tetralogia "A amiga genial"


 Tetralogia



Sinopse

"A Amiga Genial" é a história de um encontro entre duas crianças de um bairro popular nos arredores de Nápoles e da sua amizade adolescente. Elena conhece a sua amiga na primeira classe. Provêm ambas de famílias remediadas. O pai de Elena trabalha como porteiro na câmara municipal, o de Lila Cerullo é sapateiro. Lila é bravia, sagaz, corajosa nas palavras e nas acções. Tem resposta pronta para tudo e age com uma determinação que a pacata e estudiosa Elena inveja. Quando a desajeitada Lila se transforma numa adolescente que fascina os rapazes do bairro, Elena continua a procurar nela a sua inspiração. O percurso de ambas separa-se quando, ao contrário de Lila, Elena continua os estudos liceais e Lila tem de lutar por si e pela sua família no bairro onde vive. Mas a sua amizade prossegue. "A Amiga Genial" tem o andamento de uma grande narrativa popular, densa, veloz e desconcertante, ligeira e profunda, mostrando os conflitos familiares e amorosos numa sucessão de episódios que os leitores desejariam que nunca acabasse.


Sinopse


Este romance continua a história de Lila e Elena, tendo como pano de fundo a cidade de Nápoles e a Itália do século XX. Lila, filha de um sapateiro, escolhe o caminho de ascensão social no próprio bairro e, no final de A Amiga Genial, vemo-la casada com um comerciante. Elena, pelo contrário, dedica-se aos estudos. Ambas têm agora 17 anos e sentem-se num beco sem saída. Ao assumir o nome do marido, Lila tem a sensação de ter perdido a identidade. Elena, estudante modelo, descobre que não se sente bem nem no bairro nem fora dele. No início, vemos Elena a abrir um caderno de notas onde Lila fala sobre a vida com o seu marido e as complicadas relações com a Mafia e os grupos neofascistas, que invadem os bairros com as suas proclamações. Lila e Elena hesitam entre a tendência para a conformidade e a obstinação em tomar nas suas mãos o seu destino, numa relação conflitual, inseparável mistura de dependência e vontade de autoafirmação, em que o amor é um sentimento «molesto» que se alimenta do desequilíbrio até nos momentos mais felizes.







Sinopse


Elena e Lila, as duas amigas que os leitores já conhecem de A Amiga Genial e História do Novo Nome, tornaram-se mulheres. E isso aconteceu muito depressa.
Navegam agora ao ritmo agitado a que Elena Ferrante nos habituou, no mar alto dos anos 70, num cenário de esperança e incerteza, tensões e desafios até então impensáveis, unidas sempre com um vínculo fortíssimo, ambivalente, umas vezes subterrâneo, outras visível, com episódios violentos e reencontros que abrem perspetivas inesperadas.









Sinopse

Deixando o marido em Florença, Elena volta a Nápoles para viver com Nino Sarratore, esperando que este se separe da mulher. É agora uma escritora reconhecida e procura escapar ao ambiente conflituoso do bairro onde cresceu e a sua família continua a viver. Evita encontrar Lila. Mas as duas amigas de infância não conseguem manter-se distantes e acabam mesmo por engravidar ao mesmo tempo, o que lhes permite reencontrar, por algum tempo, a passada cumplicidade. 







Opinião 
(Roberta Frontini)
SEM Spoilers

Quando comecei a reparar que toda a gente à minha volta falava da tetralogia "A Amiga Genial", tive uma vontade louca em começar a ler. Mas também já me conheço e sabia que podia estar diante um daqueles casos em que toda a gente ama uma coisa e eu acabo por detestar. 

Apesar de tudo e assim que surgiu a oportunidade comecei a ler, e fiquei muito surpreendida. Rapidamente o primeiro livro se transformou num dos melhores livros que tinha lido na vida. Não posso dizer o mesmo dos últimos 2, mas os dois primeiros fizeram com que valesse a pena ler toda a tetralogia. 

Talvez o facto de eu me encontrar tão ligada a Itália me tenha feito adorar ainda mais todo o enredo. No entanto eu vivi lá numa altura bem diferente daquela relatada pela autora, e numa zona totalmente distinta. As vivências entre as pessoas de um bairro de Nápoles, a conjectura social e política que atravessa os anos e a vida destas personagens, tudo concorre para nos ambientar no sul de Itália dos anos 40/50/60...

Esta história versa sobre a amizade... não é apenas a amizade entre Lina e Lenú, mas sobre a amizade em geral. Mas não é apenas uma série sobre amizades. É sobre a vida, a vida de um bairro inteiro e de todas as personagens que se entrelaçam com Lina e Lenú. É uma daquelas séries onde ficamos a conhecer quase a vida inteira das personagens principais, onde conseguimos compreender o seu crescimento, as suas escolhas, e sofrer com elas. É daqueles livros que no final no deixa com o coração apertado de tristeza, porque nos vamos ter de despedir de personagens que considerávamos fazerem já parte da nossa vida. 

O que mais gosto nesta tetralogia é, de facto, o crescimento das personagens. Ver como é que as pessoas crescem, como amadurecem, como é que a vida as transforma e molda. E por falar em personagens, esta tetralogia tem imensas. Inicialmente pode parecer confuso, mas vale a pena insistir. Não se deixem intimidar pela folha inicial com o nome e explicação de todas as personagens. Não tenham medo. Arrisquem.  

Relativamente à escrita da autora é simples e crua, sem rodeios ou floreados. Elena Ferrante (pseudónimo da autora) vai directa aos assuntos com uma escrita que considero ser quase visceral. As caracterizações e descrições dos locais e das personagens fazem-se de forma tão real que por esse motivo se pensou que a autora as tivesse vivido na primeira pessoa. As personagens são incoerentes: como o são as pessoas reais. Ora pensam de uma forma, ora agem de outra. É nestes pormenores que reside o brilhantismo da narrativa. 


Uma das coisas de que mais gostei em todos os livros, foi o facto de, só mais ou menos no final, é que os títulos faziam todo o sentido. Adoro aquele momento em que estamos a ler e de repente nos ouvimos, interiormente, a gritar "Ahhhhhhh!". E esse momento de espanto, essa mescla de emoções, é extensível ao livro inteiro, e no final de cada um a vontade de continuar a ler é absurda e quase nos faz enlouquecer. 

Apesar de tudo o que disse até agora, acho que a certa altura os livros começam a ter um problema: o exagero. Nos últimos tempos posso afirmar que cheguei à conclusão que a realidade por vezes consegue mesmo ultrapassar a ficção. Há momentos na minha vida em que fico a pensar: isto parece mesmo um enredo de um livro qualquer. Há coisas que achamos que só acontecem nos filmes ou nos livros, ou que não acontecem de todo. Neste caso dei por mim muitas vezes, especialmente nos últimos 2 livros, com uma sensação contraditória. Por um lado pensava: ok, na vida real isto também acontece. Por outro dava por mim a revirar os olhos com alguns exageros. Gosto imenso quando, num livro, o autor traça um enredo que se vai entrelaçando e entre-cruzando ao longo da narrativa, mas neste caso penso que a autora acabou, por vezes, por roçar no exagero. As probabilidades de determinadas coisas acontecerem são poucas, e nesta série de 4 livros parece que tudo acontece, a um nível muito grande. 

No título desta opinião digo que está sem spoilers, e assim a quero manter. Por isso não vou falar mais. Apenas acho que deviam dar uma oportunidade. Experimentem ler o primeiro. Sei que num mundo cheio de boas obras, decidir dar uma oportunidade a uma série de 4 livros não é fácil... mas mesmo que queiram ler o primeiro só, já valerá a pena. Mesmo que não continuem. A história não terá um final, mas será interessante na mesma. 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

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Livro: Salomé



Título Original: Salome
Ano de Edição: 2002
Género: Drama
Autor: Oscar Wilde


* Por Mariana Oliveira *


Li em 2013 uma colectânea de contos de Oscar Wilde que me arrebatou por completo. Refiro-me ao livro “Histórias à volta da mesa”. A partir daí, fiquei com vontade de voltar ao famoso autor, contudo só este ano é que a oportunidade se proporcionou, desta feita com um tipo de literatura que não costumo ler com muita frequência apesar de ser um género que me agrada muito: teatro.


Sinopse:
“Inspirado numa passagem bíblica, Oscar Wilde relata uma festa celebrada no palácio do tetrarca Herodes Antipas. É durante essa festa que Salomé se perde de amores por um profeta que era mantido preso por Herodes e partir daí fará tudo o que estiver ao seu alcance para tê-lo só para si.”


Opinião:
O primeiro aspecto que salta à vista no início desta leitura é o teor erótico do livro. Não me admira que tenha sido tão polémico na altura em que publicado, corria o ano de 1891. Não me refiro a acções eróticas por parte das personagens, falo antes daquilo que elas falam: Salomé é uma jovem impulsiva e sedutora que não desiste dos seus intentos com facilidade.
Todos os diálogos são dramatizados, sendo que a maioria das personagens leva as suas emoções ao extremo, sejam elas quais foram: paixão, desejo, medo, entre outras.
A tensão é evidente desde o início do livro e o leitor cedo percebe que algo de trágico mais cedo ou mais tarde irá acontecer. É precisamente essa a alavanca que nos impele para uma leitura rápida na ânsia de chegar ao desfecho desta história. 

Sendo baseado na história bíblica, não posso dizer que o final do livro me tenha surpreendido, mas não deixou de ser interessante ler esta história recontada por Oscar Wilde e dei por mim curiosa com o desfecho que o autor iria dar-lhe.

Contudo, em alguns momentos senti que os diálogos eram um pouco repetidos, como se as personagens estivessem a dizer o mesmo através de outras palavras. Claro que ver isto a ser interpretado num palco teria um impacto diferente e estas ideias supostamente repetidas iriam reforçar a intenção das personagens se bem representadas.

Compreendo que este não será um livro que agradará a todos os leitores visto o seu tema e o tom erótico que é evidente durante toda a leitura. No entanto, recomendo-o aos fãs do autor que queiram ficar a conhecer mais um trabalho de Oscar Wilde.   

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

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Livro: Uma Vida Alemã




Título Original: Ein Deutsches Leben
Ano de Edição: 2017
Género: Biográfico, Histórico
Autores: Brunhilde Pomsel e Thore D. Hansen
Editora: Objectiva


* Mariana Oliveira *




Há alguns anos tive a oportunidade de ler um livro que nos apresenta a perspectiva na primeira pessoa de alguém que seguiu de perto os passos de Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Essa obra, com o título “Até ao Fim”, apresentou-me um ponto de vista completamente diferente de um dos momentos mais sombrios da História recente do nosso planeta através das palavras de Traudl Junge, uma das últimas secretárias pessoais de Hitler.
A experiência foi de tal forma interessante que assim que tive a oportunidade de voltar a viajar até essa época através do relato fiel de um dos intervenientes que trabalhava para o governo alemão não hesitei!


Sinopse:
"Neste livro ficamos a conhecer o relato de Brunhilde Pomsel, antiga secretária de Joseph Goebbels – o homem responsável pelo Ministério da Propaganda de Adolf Hitler. Ao longo destas páginas acompanhamos a falta de interesse de Brunhilde face à ascensão dos nacional-socialistas e das suas próprias aspirações em tempos de decadência social e moral – de que o aparelho nazi foi o expoente máximo. Thore D. Hansen organiza e regista, neste excepcional documento, as memórias desta alemã traçando um impressionante paralelo entre aquela época e os dias de hoje. Assim, este livro constitui sem qualquer margem para dúvidas uma chamada de atenção para a geração actual.”


Opinião:
Este livro despertou em mim alguns dos meus medos mais profundos. Enquanto a leitura de “Até ao Fim” se centrava fundamentalmente naquilo que aconteceu, “Uma Vida Alemã” faz um paralelo entre a década de 30 do anterior século e os dias de hoje. É assustadora a quantidade de semelhanças e não podemos ficar indiferentes à possibilidade de que algo semelhante àquilo que aconteceu na Segunda Guerra Mundial possa vir a acontecer na nossa geração ou nas gerações vindouras. Por vezes é muito fácil cairmos na tentação de achar que somos muito mais evoluídos e que nunca iríamos cometer tal erro mas se analisarmos os dias de Brunhilde Pomsel e os nossos dias vamos encontrar vários pontos em comum entre os jovens e adultos daquela época e nós próprios. Na última porção do livro Thore D. Hansen faz essa comparação e alerta-nos para que abramos os olhos e alteremos o rumo dos acontecimentos. Será que ainda vamos a tempo? É isso que o autor questiona e é precisamente isso que me assusta. Quero acreditar que sim e que o Ser Humano não voltará a repetir os mesmos erros.


Relativamente ao relato de Brunhilde propriamente dito, não consegui ter uma opinião consensual. Se por um lado gostei de ter ficado a saber mais sobre o famoso Ministério da Propaganda dos nazis, o seu propósito, a forma como funcionava e quem foram as principais figuras que estiveram na sua liderança, por outro lado não consegui sentir empatia com Brunhilde Pomsel.
Sei que é muito fácil criticarmos alguém quando estamos de fora e não fazemos a mínima ideia do que seria viver na pele tais acontecimentos, contudo a forma quase distante como ela falava dos factos surpreendeu-me. 


Desde o início percebemos que Brunhilde Pomsel era alguém bastante fútil nos seus anos de juventude, a própria faz questão de afirmá-lo várias vezes ao longo do livro, e tal fez com que procurasse um conforto financeiro e continuar com a sua vida o mais normalmente possível numa altura em que milhares de judeus eram levados para campos de concentração.
Sei que na altura a informação não chegava até às pessoas como chega hoje, mas ela trabalhou durante anos no Ministério da Propaganda e passaram pelas suas mãos documentos ultra secretos. Segundo a mesma, nunca leu nenhum deles, cumprindo simplesmente a sua função. Mas fez isto numa altura em que até conhecidos e amigos seus judeus tinham desaparecido?! A preocupação dela numa altura em que milhares de pessoas fugiam do país ou simplesmente eram levadas à força consistia em fazer convenientemente o seu trabalho e ganhar o seu salário ao fim do mês?!
Se isto não bastasse para me deixar estupefacta, a forma como Brunhilde muitos anos mais tarde, quando já era centenária, de certa forma “sacudiu a água do capote” como se não tivesse tido absolutamente nada a ver com o assunto deixou-me completamente, desculpem-me a expressão, aparvalhada. No caso de Traudl Junge, a mesma confessou que na altura não tinha noção da gravidade daquilo que estava a fazer mas tal não impediu que, anos mais tarde, quando ficou a par das atrocidades que tinham sido cometidas não sentisse uma terrível culpa. Afinal de contas, tinha contribuído, ainda que sem o saber na altura, para que um dos momentos mais negros da nossa História tivesse acontecido.
Confesso que fiquei sem perceber bem a atitude de Brunhilde Pomsel, não sei se será algum mecanismo de defesa a que a mesma recorreu para conseguir viver os seus 106 anos em relativa paz consigo mesma… talvez seja isso mesmo…


De qualquer forma, a oportunidade que esta obra nos dá para aprender ainda mais sobre essa terrível época e, acima de tudo, para evitar que algo de semelhante se venha a repetir torna-a numa leitura que recomendo a todos os leitores. Nunca é demais estarmos informados e evitar os erros do passado.
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