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domingo, 31 de agosto de 2014

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ANTOLOGIA - LIMITES DO INFINITO - Submissões até 31 de Outubro



De forma a promover a ficção especulativa em Portugal na forma do conto em Língua Portuguesa, a Editorial Divergência em colaboração com o blogue FLAMES dão início ao concurso para a Antologia “Limites do Infinito”.

Regulamento

1. Apenas podem concorrer textos inéditos, em língua portuguesa, sem acordo ortográfico e submetidos pelos próprios autores. 

2. Podem concorrer autores residentes em Portugal Continental e Ilhas. 

3. Os textos submetidos tem um limite de 3000 palavras. 

4. Todos os textos devem pertencer ao género de ficção especulativa, que incluí fantasia, ficção cientifica e terror, assim como todos os sub-géneros. 

5. O prazo limite de entrega é 31 de Outubro de 2014. Os textos enviados após essa data não serão considerados para efeito do concurso. 

6. Cada autor poderá submeter até dois textos diferentes. 

7. Os textos devem ser enviado para ed.divergência@gmail.com com o assunto Antologia. Serão aceites textos em formato .doc ou .odt, contendo no cabeçalho o título, o nome do autor e o género. Todos os trabalhos receberão um e-mail da recepção do envio. 

8. Na primeira página de cada submissão deverá constar o título do texto, o nome do autor/pseudónimo, e-mail, uma curta sinopse (com o máximo de 100 palavras), contacto telefónico e morada. 

9. O resultado será tornado público até 30 de Novembro de 2014 através do blogue FLAMES e do blogue da editora. Os autores serão contactados previamente via e-email. 

10. O número de autores seleccionados será decidido pelo júri. 

11. Os critérios de selecção serão parametrizados em termos da envolvência da trama, credibilidade e coerência das personagens e mundos criados, originalidade e fluidez narrativa. Será valorizada a inclusão de elementos culturais tipicamente portugueses. 

12. Os textos vencedores serão publicados pela Editorial Divergência na Antologia “Limitse do Infinito”, que será lançada em formato papel e ebook. 

13. Os textos escolhidos serão revistos e editados antes da publicação. 

14. A editorial Divergência reserva-se na não atribuição do prémio por falta de qualidade dos textos. 

15. Os direitos de autor poderão ser pagos através da oferta de 2 exemplares por autor e através dos 10% de direito que os autores detém e que serão divididos em partes iguais por todos os escritores. A editora retém o direito de publicação dos textos por um prazo de dois anos a contar da data de publicação. 

16. Não haverá recurso à decisão do júri. 

17. Qualquer situação omissa ou dúvida de interpretação neste regulamento será decidida pela administração da Editorial Divergência.

18. Ao submeter o texto, o autor está confirmar que tem conhecimento e que aceita as regras deste concurso.
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79ª Entrevista do FLAMES: Octa Push - a propósito do Fusing 2014


Octa Push


Sim.. estava frio, mas conversar com eles foi tão bom, que nem o senti!
Vejam o que nos contaram os Octa Push no dia em  que actuaram no Fusing Culture Experience 2014!


Gostaria de vos agradecer por terem respondido antes à nossa entrevista.. hoje gostava de me centrar mais sobre a vossa participação aqui no Fusing...

Leo - Vai ser fixe... vamos ter montes de convidados, porque como é verão conseguimos trazê-los..

Quem é que vem?

Mushug - Vamos ter o Ary dos Blusted, ele toca baixo e costuma colaborar connosco regularmente. E depois, directamente de Londres, a Catarina Moreno, e o Alex Klimovitsky, que veio de Vayorken.

Que expectativas é que têm para hoje à noite? O que é que acham que o público estará à espera da vossa parte?

Mushug - Epá, às 2h da manhã, acho que eles estão à espera de música para dançar! Mas se calhar, vai haver ali um momento de 10 minutos em que vamos estragar um bocado a coisa.. vai ficar tudo um bocado mais calminho (Risos). Isto porque também trouxemos uma cover que vamos tocar. Não vai ser a primeira vez, já é a segunda vez. Já a tocámos há algum tempo atrás... Vamos tocar uma cover que é assim mais calminha.. Por isso vai ser para dançar mas também haverá assim alguns momentos mais calminhos...

Nos últimos anos tem havido uma maior abertura, pela maior parte dos festivais, para o vosso estilo de música. Sentem isso cá em Portugal?

Mushug - Sim, os festivais agora têm vindo a apostar mais na música electrónica e isso é bom, é positivo.

Leo - Tem um bocado a ver com o panorama internacional. Os festivais vão sempre apostar em algo que está a ter sucesso. Ou então apostam em bandas que não são ainda muito conhecidas, mas que se acredita que irão crescer. Mas maioritariamente eles têm de apostar em bandas que encham o recinto. Isso tem a ver um bocado com os últimos anos, e o crescimento que a música electrónica tem tido, não só a nível de Dj's

Mushug - E de música dance..

Leo - Sim, mas as próprias bandas já andam a apostar na electrónica. Tu já começas a ver, numa banda, alguns elementos electrónicos. Um teclista ou alguém com um sintetizador. Até já começas a ver muitos bateristas com caixas de ritmos. Faz parte, é normal, a tecnologia está a evoluir.. as coisas já não são como eram à 20 ou 30 anos atrás..

Vocês viram o cartaz, estão curiosos para ver alguém?

Mushug - Sim, estamos curiosos para ver Capitão Fausto, Salto, Cícero... Nice Weather for Ducks.. há bastantes bandas boas para se ver hoje, e no festival todo!

Então vão aproveitar...

Mushug - Sim, claro, mas primeiro vamos ter de ir buscar uma roupinha, um bom agasalho

(Risos)...

Mushug - Mas vamos andar por aí ver as cenas, ainda não tivemos tempo para ver a parte da culinária, e amanhã também ainda vamos passar por aí..

Como é que é trabalhar com um irmão? 

Leo - Às vezes é...

Mushug - Tem pontos positivos e negativos.. Temos um maior à vontade um com o outro, mas às vezes acabamos por transportar um bocado os conflitos de irmãos normais, que temos, para dentro do estúdio. E acaba por não dar muito bons resultados..

Leo - Mas mesmo assim acho que está melhor.. Houve uma altura em que se calhar discutíamos, tínhamos ideias, discutíamos, fazíamos birra a dizer que não gostávamos.. até podia ser uma ideia interessante que estivesse a surgir, mas fazíamos birra e por estarmos chateados um com o outro, acabávamos por não avançar com aquilo.. Depois outro dia qualquer lá se pegava de novo na ideia e íamos construir algo com ela.. às vezes tens esse lado.. somos família, e nem sempre temos a mesma vontade de estar juntos. Nesse sentido.. Mas também temos mais à vontade para dizer "Não gosto disto..." ou "Isso está uma merda..." Enquanto que se fosse com outra pessoa dizíamos "Ah pois, sim, está interessante, mas se calhar..." e estávamos ali ainda um dia ou mais a tentar dar a volta àquilo. Por isso tem esses dois lados, pode ser bom para sermos mais rápidos e não perdermos tempo com essas coisas, mas às vezes também podemos estar a deitar fora cenas fixes só porque estás a embirrar com ele. Fora isso, é normal, como fazer som com outra pessoa qualquer...

E assim, acabou o sofrimento deles com o frio.. 
Obrigada aos Octa Push! 
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78ª Entrevista - White Haus - Fusing Culture Experience 2014


White Haus

Tinhas dito que o teu último CD era mais para ser tocado em estúdio e não para ser reproduzido e tocado ao vivo. Depois, as coisas mudaram e acabaste por o trazê-lo cá para fora. Como tem sido o feedback e como é que acabaste por decidir em o transformar para algo ao vivo?

O disco foi feito todo por mim, e foi feito num estúdio. Agora, hoje em dia, é impossível não o lançares cá para fora. Hoje em dia, se editares um disco e não o tocares ao vivo...
O que aconteceu é que muita gente, quando ouviu o disco a primeira vez, achou que o deveria tocar ao vivo.
A questão é que isto era para ser uma coisa que eu ia fazer sozinho. No início pensei: vou fazer isto sozinho com as máquinas. Mas depois, comecei a meter instrumentos, como o baixo, comecei a meter várias vozes, várias coisas, e pensei: Ok, eu não vou conseguir fazer isto sozinho. E começou a ser este o meu dilema neste disco: Como é que eu vou fazer isto sozinho? Por isso, fui fazendo as músicas, e depois pensei que logo veria como é que isto iria funcionar ao vivo. Depois, uma editora inglesa ouviu, ficou interessada em editar (e acabou por editar), marcou uma entrevista comigo por skype e disse-me que tínha de fazer isto ao vivo porque ele achava que isto ia funcionar mesmo bem ao vivo. Perguntou-me se eu já tinha banda ou como é que estava a pensar levar isto ao vivo. Comecei então a pensar que tinha de arranjar uma banda para tocar comigo isto. Eu já tinha os X-Wife e não queria estar a fazer outra banda. Então pensei que tinha de arranjar músicos para tocar isto comigo, achei que tinha de arranjar um formato que funcionasse comigo. Foi assim que pensei em arranjar mais três músicos e recriar aquilo que está gravado. Mas não dá para tocar certinho aquilo que está lá no CD, isso era impossível. As coisas criadas em estúdio são muito difíceis de recriar porque isso implica muitos músicos a fazer coisas diferentes... A aposta aqui foi ter uma secção rítmica muito forte e depois uma parte electrónica que complemente isso. O que interessa é que depois soe tudo bem ao vivo, não é preciso ser tudo ali à letra. Tenho uma voz feminina também que ajuda muito. O disco só tem uma música com uma voz feminina, e ela canta em muitas músicas e há coisas em que eu deixo de cantar, coisas que não aparecem... Só que fomos ensaiando, tentando recriar, começando a tirar e a pôr coisas... começámos a pensar "isto é mais importante do que isto...", "isto pode desaparecer e passa a ser mais importante fazer aquilo", e foi assim...

Durante muito tempo foste o DjKitten e fizeste parte dos X-Wife... achas que as pessoas ainda te associam a estes dois projectos musicais, ou será que já te conseguem associar a White Hauss?

Não, acho que ainda me associam. As novas gerações não, se calhar não sabem sequer, mas quem conhece os X-Wife também se calhar não conhece este projecto novo. Muitos fãs de X-Wife se calhar não conhecem sequer e não sabem que é a mesma pessoa que está a fazer as duas coisas mas, por exemplo, nas entrevistas, falam-me muito ainda nos X-Wife e no Dj Kitten, porque fazem parte do meu percurso musical. Os X-Wife foram uma banda que editaram 4 discos, e também faço de DJ há muitos anos, por isso é inevitável que as pessoas associem e falem. É um percurso que eu tenho e que me orgulho... Agora os miúdos de 18, 20 anos, não me devem conhecer como X-Wife e às tantas os fãs de X-Wife nem devem ter ideia do que é White Hauss.

E achas que a tua participação nestes projectos te influenciam enquanto White Hauss? 

Todo o meu gosto musical e aquilo que consumo enquanto músico e como DJ foram influenciando os projectos em que me envolvi. É inevitável... agora, claro que nos X- Wife eu já tinha uma linha clara daquilo que vamos fazer, aqui em White Hauss tenho uma liberdade muito maior para escolher o que quero fazer...
posso brincar com outros tipos de sonoridades ou mesmo fugir um bocado ao formato Pop da canção. Em White Hauss tenho menos o formato comercial da canção. Tenho essa percepção mas fui eu que quis fazer uma coisa diferente.

Que expectativas é que há para hoje?

Não sei... eu acho que este é um festival óptimo porque tem um cartaz muito forte e tem maioritariamente bandas portuguesas. Acho que as bandas foram muito bem escolhidas. É talvez o cartaz português em que há melhores bandas! Há coisas novas e frescas, há boas bandas, há coisas também mais experimentais, estou super satisfeito de estar aqui incluído. Eu não sei o que esperar, mas espero que à hora a que vamos tocar, ou seja, às 2h da manhã, que o público já esteja bastante animado e que gostem do concerto. Isto é um concerto para ser à noite sobretudo... este tipo de música com um conceito mais forte é para ser tocado maioritariamente à noite. Já em Paredes de Coura onde vamos tocar daqui a 8 dias, vamos tocar às 2h da manhã, e eu acho que é sempre uma boa maneira para acabar uma noite de festival. Vamos ver agora... agora cabe a vocês... (Risos), não sei como vai correr, é a primeira vez que venho, não sei o que esperar. Não sei como é que isto funciona... se tem muita gente se não tem. Mas acho que vai correr bem!

Há pouco estavas a falar no cartaz.. tens curiosidade em ver alguém? 

Tenho muita curiosidade. Hoje quero ver Capicua e Sensible Soccers... Tudo pessoal do norte. São meus amigos e estão a surgir agora, são coisas do momento, é interessar ver isto que está a acontecer agora... menos coisas saudosistas e mais do aqui e agora! É o caso destes dois.. mas também quero descobrir outras coisas que estão aí a acontecer. Às vezes descubro em festivais estas bandas ou então não ligo ao disco e depois descubro aqui porque ao vivo acaba por funcionar muito bem. Acho que é o caso de White Hauss ao vivo, não é que o disco passe despercebido, mas acho que ao vivo ganha outra forma..

Tens algum ritual antes de entrar em palco ou não?

Não.. dou um abraço aos músicos!
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77ª Entrevista do FLAMES - Sensible Soccers - no Fusing Culture Experience 2014


Sensible Soccers



Um dia, ao recordar esta entrevista, sei que irei sorrir, porque sorri durante todo o tempo que estes dois despenderam a falar comigo. 
Fiquei fã deles ao ouvi-los falar, fiquei fã deles ao vê-los ao vivo naquela mesma noite, fiquei ETERNAMENTE fã deles quando cheguei a casa e me meti a ouvir as suas músicas.. 
O que me ficou desta entrevista? Uma sensação de reconforto por ouvir a pronuncia do norte (tão bonita) e a sensação de que, mais uma vez, há artistas humildes com os quais gostaria de conversar durante horas e horas a fio...

Manuel - Epá, eu esgotei o meu discurso todo ali na entrevista anterior... (Risos

Mas isto é sempre tudo mais do mesmo :p 
Vocês já estiveram em outros projectos musicais antes de serem Sensible Soccers... Trouxeram algo desses projectos para o que são hoje?

Manuel - Eu acho que se traz sempre, sobretudo no nosso caso particular. Nós os dois... o Hugo por exemplo começou a fazer umas brincadeiras no computador que se transformaram em canções ou em projectos de canções. Começou de facto a tentar produzir música com um computador e com meia dúzia de coisas, que é uma coisa que não podia acontecer, por exemplo, nos anos 80 ou 90 onde tudo era muito menos democrático. Esta possibilidade que as pessoas e que tu tens hoje em dia de chegares a casa, instalar um software qualquer e começares tu a pegar numa melodia e a fazer uma música. Isso ajudou um pouco a galgar barreiras técnicas e a superar as coisas que antigamente não eram possíveis. Nesse sentido, nós trazemos sempre! Eu por exemplo já tinha tido outra banda, já tinha dado concertos, mas também foi uma coisa muito inicial porque eu comecei a fazer música muito tarde, já com 25 anos! Trazemos sempre qualquer coisa porque foi o nosso primeiro contacto com a música e é óbvio que depois as coisas se tornam mais familiares. 

Hugo - Claro, mas tu és influenciado tendo em conta aquilo que tu queres mas também aquilo que não queres! Há muita coisa que fizeste que depois queres eliminar e começar de novo. 

A imprensa tem tido alguma dificuldade em definir a vossa música. Como é que vocês se definem?

Hugo - Diversificado!

(Risos)

Hugo - É que eu acho que a imprensa tem tido dificuldade porque nós também temos. As nossas músicas passam por vários géneros musicais entre elas! Por exemplo no nosso disco 8 quase que se consegue agrupar as músicas 2 a 2 tendo em conta o estilo musical, porque têm géneros completamente diferentes. Aconteceu o mesmo nos nossos trabalhos anteriores ao disco 8. O nosso primeiro disco por exemplo era muito sujo, mas de 4 músicas, uma parecia Pop, a outra parecia Rock, uma mais ambiental... etc...
Portanto, acho que essa forma de abordar a música, ou seja, o facto de dar para meter umas para cada lado, torna difícil catalogar o que fazemos. Mas pronto, se calhar, resumindo, acaba por ser música Pop o que nós fazemos, simplesmente não o fazemos no formato mais convencional porque não usamos muito o verso e o refrão, ou a letra com rima, portanto, não é aquele formato convencional Pop que estamos habituados a ouvir radiofonicamente, mas em termos de melodias e harmonias acabamos por ser Pop

Manuel - Dentro de uma estética um bocadinho mais exploratória do que o que é costume, mas nada de novo, nada de novo que não se tivesse visto já 1000 vezes.

Hugo- Nada de muito inventivo..

Manuel - Isto vem dos nossos velhotes já...!

(Risos)

Vocês já actuaram em inúmeros festivais. É um evento que vocês apreciam particularmente?

Hugo - O quê, aqui o Fusing?

Não, refiro-me aos festivais em geral?

Manuel - Sim sim, é óbvio! É muito fixe tocar em festivais. Sabemos que iremos ter um público mais ou menos disponível para nos ouvir. Normalmente as condições em redor são fixes, são sempre sítios óptimos para se tocar. Não desfazendo de auditórios ou de tascos, cafés, bares mais pequenos, todos acabam por ter o seu encanto, independentemente do que são e da quantidade de pessoas que estão lá, acho que é sempre um concerto nosso em que vamos fazer o nosso papel e os outros que façam o deles...

Hugo - Não sentimos que preferimos tocar em festivais em relação aos outros sítios, sentimos sim é que conseguimos chegar a mais pessoas...

Manuel - O que para nós é óptimo!

Mas será diferente uma pessoa ir a um concerto ver-vos ou encontrar-vos num festival? O que é que vocês costumam fazer de diferente?

Manuel - Talvez hajam algumas diferenças. Quando vamos a um teatro se calhar podemos explorar coisas diferentes, mesmo no alinhamento, às vezes tocamos coisas diferentes relativamente a um festival porque, tendo em conta a hora mais tardia a que tocamos num festival, pode haver músicas que deixem de fazer tanto sentido.

Hugo - O nosso espectáculo já está praticamente montado desde o lançamento do nosso disco, de concerto para concerto pode variar uma ou outra música.. toca-se esta, não se toca aquela, basicamente é isso! As alterações são mesmo mínimas e varia por estas razões: se formos tocar a um auditório provavelmente teremos de estender o alinhamento, se formos tocar às 3 da manhã, há músicas com momentos mais mortos que não fazem tanto sentido que toquemos.

Vocês vão aproveitar para ver alguma coisa do festival ou costumam centrar-se apenas no vosso espectáculo? 

Manuel - Vamos, mas ainda não vimos quase nada porque chegámos, fizemos o soundcheck, tínhamos dormido pouco, então fomos dormir para o hotel e estivemos um bocado na piscina, e agora andamos nas entrevistas... Ainda não vimos nada, mas o cartaz é mesmo rico, está cheio de boas bandas, a música é maioritariamente portuguesa, as bandas são nacionais, mas está um bom cartaz, muito apelativo e nós, claro, vamos ver. Até à hora do nosso concerto, sinceramente, não consigo estar muito concentrado a ver outras coisas, mas depois claro, vamos querer ver tudo.

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76ª Entrevista FLAMES: Salto - no FUSING Culture Experience 2014



Salto

Por vezes há coisas que acontecem e que se tornam perfeitos pretextos para conversas engraçadas... como o telemóvel decidir reiniciar sozinho. 
Naquele espaço entre o "liga-te telemóvel", expliquei aos Salto o porquê do nome do blogue FLAMES, o que deu uma animada conversa sobre Mangas e Animes entre mim e o Luís, tudo sob o olhar desconfiado do Tito!

Como é que vocês se conheceram e decidiram criar esta banda?

Luís - Eu e o Guilherme somos primos, muitas vezes em casa fazíamos música juntos, e foi isso. A certa altura começámos a fazer músicas e a cantar juntos. As pessoas ouviam, gostavam e a certa altura os Azeitonas convidaram-nos para abrir um concerto deles, e disseram-nos "Olhem, vocês podiam era ter um nome...." e pronto.. assim foi...

Pois, essa era a minha outra pergunta... porquê Salto?

Luís - Porquê Salto?  Nós quando escolhemos o nome tínhamos à volta de uns 17 anos.. e na altura estávamos meio baralhados. Nós andávamos à volta daqueles nomes todos quitados com letras e números, e com tiles e não sei mais o quê... A certa altura um amigo nosso disse: "Olhem e que tal uma coisa rápida e simples, em português, visto que vocês cantam em português.." Sim... porque nós até andávamos a pensar em nomes em inglês... uma cena mesmo estranha... Então ele sugeriu Salto, e nós pensámos, "Olha, óptimo... Salto é mesmo fácil de comunicar, fácil de escrever, fácil de decorar" e gostámos. Por acaso foi um amigo nosso que sugeriu. 

Vocês têm alguma situação caricata que já vos tenha acontecido?

Tito - Só se for aquela cena do Guilherme...

Luís - Houve uma que foi muito fixe.. estávamos em Peniche e o Guilherme, bom, nós estávamos a tocar e tal, estávamos no meio de um solo de guitarra, de repente deixo de ouvir a guitarra do Guilherme...olho para o lado e vejo o Guilherme a subir as colunas aquelas colunas ali altas (aponta para as colunas do palco). Bem, ele subiu "praí" uns 10 metros! E o Guilherme vê muito mal e estava sem óculos. Mas ele subiu tanto que nós o deixámos de ver em palco. Tu não o vias! Foi de rir! Depois claro, lá desceu.. os técnicos todos com as mãos na cabeça!

Como é que ele se lembrou disso???

Luís - Não sei.. mas ele acabou por fazer o mesmo no Sudoeste o ano passado. 

Tito - E houve outra cena caricata.. numa altura em que fomos tocar a Borba que fica lá no meio do Alentejo, mesmo no interior... Entrámos numa aldeia onde não havia um supermercado, não havia NADA! Super vazio. Começámos a andar e começámos a ouvir Disclosure, e nós.. "Não... não pode!!!". Ainda pensámos "alguém tem o MP3 ligado??".. Não.. não era um MP3! Chegámos, e numa aldeia onde não havia um supermercado aberto, nada, nada, nada, estava a haver alta festa num café central que havia lá, e lá estavam os Disclosure...

Luís - A tocar grandes sons...!

Tito - Numa altura em que eles eram uma grande influência para nós!

Luís - E depois fomos falar com o DJ, e percebemos que ele ia muito ao Lux, e estava a viver em Lisboa, mas foi uma coisa engraçada, não estávamos à espera, aliás, até pensávamos, "Epá, mas nós vamos tocar para quem???".. Mas essa foi mesmo caricata.. nós ali no meio do nada e começámos a ouvir grande som. Pensámos "Mas o que é que está a acontecer?" Foi giro!

Isso prende-se com uma das minhas outras perguntas que é.. quais são, para além dos Disclosure, as vossas maiores influências?

Luís - As nossas influências são muitas...Nós agora, o que andamos a ouvir muito é... aliás, eu acho que a nossa maior influência de sempre é Dirty Projectors, desde sempre mesmo! The Roots também desde sempre... The Angelo também desde sempre...

Tito - Mas nunca há apenas uma influência, há várias coisas que nós gostamos... há vários estilos de música.

Até porque vocês são 4...

Luís - Exacto...

Tito - E depois acaba por ser isso, acaba por haver um misto muito grande... Uma música pode ter diversas influências, por isso nunca há só uma.. há sempre várias coisas. Nunca é muito focado, tentamos sempre nunca focar..

Normalmente quem é que faz as vossas músicas e as vossas letras?

Luís - Quem faz normalmente? No primeiro álbum fui eu e o Guilherme que fizemos todas. E a parte da canção costumamos ser nós a fazer, eu e o Guilherme... Ultimamente temos andado a trabalhar com uns amigos nossos que fazem umas letras muito fixes: O Lucas.. o Pedro Lucas! Ele ajuda-nos porque fazer as letras ainda é algo que nós achamos que temos de aprender a trabalhar. Mas basicamente somos nós, com todo o gosto e a alegria toda!

O que é que alguém que segue o vosso trabalho vai encontrar de diferente num festival ou num concerto vosso mais intimista?

Luís - Aqui tens uma coisa muito fixe que é o facto de o antes e o depois do concerto ser bastante preenchido. Enquanto que se fores dar um concerto num auditório, ou numa festa, um bar, algo assim mais específico... O antes e o depois do concerto é instantâneo.. tipo.. acabou! Acabou o concerto, acabou a actividade. Depois por vezes há um DJ e antes houve um jantar, mas num festival há todo um ambiente, e isso é muito mais fixe, estar inserido num ambiente. Há um contexto, há mais coisas a fazer, não há só um palco e acho que isso estimula mais o artista, acho eu!

Tito - Eu sinto-me mais estimulado também! Uma pessoa toca para o público. É sempre nós tocarmos entre nós, mas adoro o feedback do público. Isso acaba por ser uma afirmação daquilo que nós achamos que é fixe!

Luís - E tem outra coisa que é: se tu fazes um concerto num auditório só vão mesmo as pessoas que te querem ver, e num festival é diferente porque há sempre quem venha e diga "Ei, quem são estes tipos?".. isso é fixe!

Vocês têm algum ritual antes de entrar em palco? 

Luís - Sim, vamos todos a correr contra a bateria do Tito... (Risos), estou a brincar.. não não não! Não, mas por acaso nós até temos uma série de rituais!

Tito - Ya, é tipo, pré jogo de futebol!

Luís - Sim, fazemos aquele grito de epiranga, houve uma fase em que achámos que tínhamos de beber shots, mas depois começou a correr mal e eu ficava muito enjoado! Há sempre a tentativa de um ritual, mas ainda não há um definido.

Tito - Quer dizer, ultimamente o nosso ritual tem sido a nossa set list...

Luís - A nossa set list agora tem os nomes das músicas e a seguir um breve comentário ao que nós achamos que essa música tem. Por exemplo... Música X - O Tito nesta esquece-se de tocar bateria e começa a tocar bateria no i-phone.. pronto! Coisas deste género. É para ser diferente sempre!

Quem é que vocês vão querer ver aqui no Fusing?

Tito - Quero ver praticamente tudo!

Luís - Quero muito ver Octa Push! São muito fixes...

Tito - Sim sim sim!

Luís - Cícero.. Capitão Fausto! Gosto muito deles! Norton nunca vimos! Sabemos que fazem música muito alegre! Muito... a puxar para a frente, e nunca os vimos ao vivo! Este festival é muito fixe, porque praticamente só tem bandas portuguesas! Isso ainda cria melhor ambiente entre as bandas, o backstage vai ser montes de fixe!

Tito - E é de louvar haver um festival assim!

Muito obrigada rapazes! :) 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

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Livro: O Nadador


 
 
Título Original: Simmaren
Ano de Edição: 2014
Género: Thriller
Autor: Joakim Zander
Editora: Suma de Letras - Objectiva

 
Sempre soube que teria de começar a minha leitura de autores suecos por algum lado. Então, porque não com esta obra editada bem recentemente no nosso país?
 
 
Sinopse:
“Damasco. Uma noite quente no princípio dos anos 80. Um agente americano entrega a sua bebé a um destino incerto, uma traição que jamais se perdoará e que será o começo de uma fuga de si próprio. Até ao dia em que não pode continuar a esconder-se da verdade e se vê obrigado a tomar uma decisão crucial.
Trinta anos depois, Klara Walldéen, uma jovem sueca que trabalha no Parlamento Europeu, vê-se envolvida numa trama de espionagem internacional na qual está implicado Mahmoud Shammosh, o seu antigo amante e ex-membro das forças especiais do exército sueco.
Klara e Mahmoud transformam-se no alvo de uma caçada através da Europa, um mundo onde as fronteiras entre países são tão ténues como a linha que separa um aliado de um inimigo, a verdade da mentira, o passado do presente.”
 
As primeiras páginas deste livro deixaram-me de pé atrás. Por algum motivo, esta obra de estreia de Joakim Zander não estava a cativar-me e comecei a sentir-me impaciente. Contudo, mal imaginava eu que o autor estava simplesmente a dispor as peças no tabuleiro para, de seguida, me transportar para um excitante e inquietante jogo.
Feitas as primeiras descrições, apresentadas as personagens, o leitor mergulha numa história intensa, repleta de surpresas e absolutamente fascinante.
Ao longo do livro acompanhamos personagens fortes e distintas, que têm a particularidade de, de alguma forma, estarem relacionadas entre si. Assim, as suas várias histórias confluem numa só e formam um interessante emaranhado de perseguições, descobertas e situações de alta tensão.
Aquilo que mais me agradou em “O Nadador” é a capacidade do autor em apresentar um interessante thriller sem descurar a componente emocional das personagens, com principal destaque para aquela que dá o nome ao livro: um homem consciente dos demasiados erros que cometeu ao longo da sua vida e que espera, ao longo dos anos, poder emendar toda a sua existência. Como é que Joakim Zander conseguiu manter o ritmo imparável desta história cheia de acção e mesmo assim revelar ao leitor o mais recôndito da alma de um ser humano completamente amargurado? Se soubesse a resposta a esta pergunta não hesitaria em escrever eu mesma um livro na certeza de que se transformaria num grande sucesso.
A verdade é que este autor sueco revela uma incrível mestria na arte de contar uma grande história: sem medo de desagradar o leitor com reviravoltas inesperadas e chocantes, apresenta uma história desprovida dos habituais clichés deste género literário com personagens bem desenvolvidas e uma trama original cheia de intensidade de mãos dadas com uma forte componente emocional. Uma obra que aconselho vivamente!

terça-feira, 26 de agosto de 2014

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Canal FLAMES: Livros Opostos #1


Às vezes ao olhar para as nossas prateleiras vemos livros que estão em posições completamente opostas. Após devorarmos vídeos sobre essa temática, decidimos também nós fazer um vídeo com livros que estão em campos afastados numa mesma categoria. Confusos? Curiosos? Espreitem o vídeo e percebem do que estamos a falar!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

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Livro: H2O



Título: H2O
Editora: Alphabetum
Autoras: Elza Mesquita e Ana Pereira
Ilustrações: Elza Mesquita e Ana Pereira

Como já devem ter reparado, por vezes gostamos de publicar a nossa opinião sobre livros infantis porque, na verdade, acreditamos na máxima que "de pequenino se torce o pepino". Ambas líamos imenso quando éramos pequenas, e acreditamos que essas leituras nos ajudaram a fomentar o gosto pelos livros que temos hoje.
Fiquei muito surpreendida quando recebi este livro em casa. É enorme e lindíssimo. As cores são muito vivas e existe muito cuidado e rigor na criação do mesmo. Foi dos livros que "fisicamente" mais me surpreendeu.
A história também é interessante e pretende, de certa forma, convidar as crianças a entender melhor o ciclo da água.
Fiquem aqui com a sinopse da obra, um excerto da mesma, e vejam ainda a ficha de apresentação do livro que vale a pena!


SINOPSE:
A expressão "Algures... no céu... bem longe da terra", com a qual se inicia este conto, transporta a criança desde o mundo terreno para um mundo imaginado, onde descobre discursos mágicos. As palavras e as imagens dão cor e vida a dois mundos antagónicos, mas que precisam um do outro para sobreviverem. Os meninos brancos que abandonam o seu mundo, aterrorizados por uma figura arrogante, antipática, gélida, grande e molhada, chegam à terra para dar vida, alegria e cor a outros seres. O percurso que realizam de cima para baixo e, depois, de baixo para cima, dá-nos a explicação metafórica sobre o ciclo da água. O leitor experimenta a sensação do final feliz e o suspense de um novo ciclo.

Excerto:
"Nebty passeava, passeava, passeava de um lado para o outro sem ver ninguém. A solidão enfureceu-o. Gritos raivosos e flamejantes ecoavam… A terra sentiu e viu luzes ardentes que iluminavam a noite. Nebty, figura cinzenta, arrogante, antipática, gélida, grande e molhada resolveu divertir-se ao faz de conta. Quando estava rodeado por todos os meninos brancos soltou um gigante e gélido sopro."

Vejam a ficha do livro: http://www.alphabetum.pt/pdf/2013040514230985.pdf

domingo, 24 de agosto de 2014

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75ª Entrevista do FLAMES: Trikk - No Fusing Culture Experience 2014


Trikk


Festivais como o Fusing têm destas coisas: fazem-nos descobrir verdadeiros génios em várias áreas, é o caso de Trikk, genial em música electrónica, para além de ser uma simpatia em pessoa. Fiquem com a entrevista que nos concedeu numa noite muito fria na Figueira da Foz... 

Em Portugal, finalmente, cada vez mais se começa a dar importância e algum espaço para a música electrónica. Tem havido uma mudança nesse sentido. Sentes isso?
Eu não vivo aqui, mas sempre que venho aqui tocar, sinto uma maior adesão pelo simples facto de, nos últimos dois anos, a música electrónica em todo o mundo tem vindo a crescer, mesmo de forma comercial. Começou a ser tocada nas rádios... É por isso que eu acho que agora as pessoas se interessam mais, e se calhar agora já não há nenhum festival onde falte um palco electrónico. Já há espaço para isso. Num festival que seja maioritariamente rock, ou que tenha bandas em geral, antigamente não havia sequer palcos electrónicos. Mas agora é obrigatório. Por isso eu acho mesmo que está a crescer em Portugal. 

Sentes essa mudança...
Sim, eu acho que sim.

Tiveste oportunidade de ver o cartaz e as bandas que vão actuar aqui? Tens curiosidade em ver alguma coisa?
Sim, vi.. Eu estive a ver um bocado do cartaz e achei bom o facto do cartaz ser maioritariamente português, quer seja na música electrónica ou nas bandas. Pelo que eu reparei, parece ser maioritariamente português com pequenas misturas de bandas internacionais. Mas claramente que no Fusing estão a dar destaque aos portugueses, no meio de bandas internacionais... o que é bom e nunca há! Acho que nunca há um destaque da música portuguesa quando há música internacional. Por isso, acho que aqui fazem um bom destaque ao que é português, e penso que há uma boa diversidade de bandas, para o público. 

Vais tentar ver alguma coisa do festival? 
Vou, sim.. quero ver Sensible Soccers, tenho seguido a música deles já há alguns anos, e sempre me interessei pelo trabalho deles, acho que é muito bom! Tem ali uma fusão com a electrónica e com  a banda ao mesmo tempo. Por isso é das bandas que eu vou querer ver hoje. 

Tens algum ritual antes de entrar em palco? Alguma coisa que gostes de fazer antes...
Não.. para ser sincero, antes de entrar em palco, tenho sempre de ir à casa de banho. É obrigatório ir à casa de banho antes de tocar que é para relaxar e entrar bem. Maioritariamente em festivais, que é onde sinto uma responsabilidade acrescida, tem mais pessoas, e neste caso as bandas acabam por volta da 01h da manhã, ou seja, vamos acabar por não ter mais bandas aqui neste palco principal, e as pessoas acho que se vão começar a encostar mais para o outro palco, o palco Experience, ou seja, vou ter mais pessoas e mais pressão ainda, mas eu acho que isso vai ser bom!

Já te aconteceu alguma situação caricata num festival?
Hum... Uma vez toquei num festival na Croácia, o Dimensions, eu ía tocar na praia e eu meia hora antes de tocar aproveitei e fui para a praia. Uns amigos meus levaram-me para a água antes de eu ir tocar.. e pronto... acabei por ter de ir tocar todo molhado, ainda com a toalha, acho que foi assim a coisa mais diferente que já me aconteceu num festival... 

Muito obrigada ao Trikk pela sua disponibilidade e simpatia :) 

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74ª Entrevista do FLAMES: Primitive Reason - No Fusing Culture Experience 2014


Primitive Reason

Os Primitive Reason são, talvez, das bandas de que mais vos falámos aqui no FLAMES. Primeiro acederam a responder a uma entrevista para o blogue [vejam aqui] e depois foram, novamente, entrevistados no dia em que tocaram no Music Box com os Zimun [vejam aqui].

Vejam ainda a cobertura do evento em Vídeo  - aqui.

 

Momentos antes do concerto que iriam dar no Fusing e que foi considerado dos concertos mais calorosos do festival, Guillermo de Llera e Abel Xavier estiveram à conversa connosco... Vejam o que nos contaram...

 Na foto: Abel, Guillermo e Roberta 

Começando por agradecer à banda as entrevistas anteriores, no fundo, esta entrevista servia para falarmos um pouco sobre as expectativas que a banda tinha para o concerto no Fusing Culture Experience 2014.

Abel - Eu acho que este vai ser o auge do nosso verão. Temos muitas expectativas. Não conhecemos o festival, embora este já seja o 2º ano, já se ouviu falar muito no Fusing e portanto nós sentimos essa expectativa no público e nas pessoas que rodeiam o festival. E nós estamos desertos para estar ali em palco...!

Têm algum ritual antes de entrar em palco? 

Guilhermo - Não.. é só animação! Não fazemos nenhuma reza, não fazemos nenhum círculo, se calhar damos um abraço ou outro. 

Abel - Quando temos um bocado mais de tempos damos uns toques na bola...

Guilhermo - Se alguém parecer estar distraído ou preocupado, há sempre um cuidado para dar uma forcinha! Mas normalmente entramos todos com a pica toda. Esse é o nosso ritual, é ver quem é que ainda não está "no momento".. e é pô-lo no momento, e vamos embora!

Como vai ser o vosso concerto hoje no Fusing?

Guillermo - Nós vamos partir a louça toda! Está frio.. vamos aquecer!

Abel - Eu acho que os fãs vão esperar tudo e vão ficar surpreendidos porque, acho que há muita gente aqui que já é fã há muito tempo, mas ainda não viu a banda ao vivo. Vai ser, para muita gente, a primeira vez. E a primeira vez a ver Primitive ( eu lembro-me da minha primeira vez) é uma cena...! Acho que ninguém esquece! Não ficam indiferentes. Podem gostar mais ou menos, mas ninguém fica indiferente. Acho que marca.


Já vos aconteceu alguma peripécia num festival deste género?

Guillermo - Ui... tantas que é difícil enumerar...

Abel - Olha, ainda há 2 dias atrás, íamos a subir para o palco e, de repente, o nosso baterista tinha de ir à casa de banho.. então lá ficámos 5 minutos a preto, sem som, no palco, e toda a gente à espera e a pensar "mas onde é que ele foi".. Não foi a primeira vez, mas já lá iam muitos aninhos desde uma coisa destas... e depois foi engraçado porque acabou por ser um show mesmo brutal!

(Risos)

Abel - Às vezes tem de haver aquele momento do tipo "O que é que se passa?" porque depois a gente entra e entramos todos em sintonia!

Sabem, eu pergunto quase sempre aos grupos sobre as situações caricatas que já lhes aconteceram, e estou a ver que envolve sempre casas de banho...

(Risos)

Já viram alguma coisa do festival? Vão aproveitar para ver alguém em especial? 

Guillermo - Sim, estamos a pensar ver, claro, e estivémos cá durante a tarde.. chegámos agora do jantar, já estivemos lá em baixo a ver as pinturas, viemos cá para cima, mas agora vamos voltar lá para baixo para ver... ainda faltam umas horitas antes de entrar! Ainda dá tempo para dar aí umas voltas e ver os meus primos todos que andam por aí. Eu vinha cá muitas vezes de férias quando era criança, mais a minha família de Espanha. Nós encontrava-mo-nos todos aqui na Figueira, portanto. esta é a minha praia. Vou ver a minha família toda! 
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73ª entrevista FLAMES: Norton - No Fusing Culture Experience 2014


Norton

Foto: Rodolfo, Leonel, Roberta e Manuel. 

Os Norton já tinham sido entrevistados por nós [vejam aqui], mas quando surgiu a oportunidade de os entrevistarmos novamente, desta vez a propósito do Fusing 2014, não podíamos deixá-la escapar! 

Esta não é, claramente, a vossa primeira vez num festival... longe disso!

Rodolfo - Felizmente!

Ainda sentem aquele nervoso miudinho antes de entrar em palco ou já não?

Rodolfo - Sim, acho que sim! Acho que no dia em que não tivermos isso, deixa um bocado de fazer sentido tocar!

Manuel - Seja num festival, seja num concerto... 

Rodolfo - Tem de haver sempre um bocado disso, senão.. eu falo por mim, o dia que deixar de ter o nervoso de entrar para o palco, acho que as coisas deixam um bocado de fazer sentido. 

Manuel - E apesar do nervoso, é uma coisa que nos deixa sempre muitas saudades. Quando ficamos algum tempo sem tocar ou assim, fica sempre aquela coisa... Acho que esse nervoso que falas é característico de entrar em palco...

Mas será que mudou alguma coisa desde as primeiras vezes?

Rodolfo - Claro!

Manuel - Sim, sim...

Leonel - Agora é diferente...! É um nervoso diferente!

Têm algum ritual antes de entrar em palco? 

Leonel - Temos...

Rodolfo - Temos o nosso cumprimento de família...

Manuel - Exactamente! 

Leonel - Temos aqueles minutinhos, antes de entrar logo.. 

Rodolfo - Aquecer, relaxar...!

Leonel - Tentamos estar só os 4 juntos, a relaxar.. e depois temos o nosso cumprimento antes de entrar em palco. 

Rodolfo - Tem piada, porque no outro dia estava a pensar nisto, e apercebi-me que o nosso cumprimento, de disco para disco, muda. 

Manuel - Vai mudando... (Risos)...

Mas não é pensado? Vai acontecendo?

Leonel - Nunca foi, mas aconteceu! Foi evoluindo... Mas pronto, fizemos isso no primeiro concerto e ficou... Sem ele, NINGUÉM PODE ENTRAR EM PALCO! 

(Risos

Vão aproveitar para ver o festival e outras bandas? 

Manuel - Sim, sim, obviamente que sim...

O que é que gostariam de ver?

Rodolfo - O que eu mais gostava de ver não toca hoje... que era o B Fachada...E o Tigerman, também gostava. Hoje talvez quem eu queira mais ver sejam os Capitão Fausto... E gostava de ver os Nice Weather for Ducks, mas vão tocar ao mesmo tempo que nós! Ele (aponta para o Manuel) nem sabe quem é que vem cá tocar. 

(Risos)

Manuel - Não, muito sinceramente, ultimamente nos últimos concertos tem sido chegar, tocar, e ir embora. Sair outra vez e ir para outro concerto, Então, nunca temos assim muita oportunidade para explorar os festivais.. por isso, hoje vou para onde a música me levar! Depois de tocarmos vamos vendo.. espreitando aqui, espreitando ali... e vamos tentar desfrutar do festival. 

Como vai ser o concerto hoje?

Manuel - Vai ser um concerto energético... Vamos meter aí as pessoas a mexer depois da praia, e abrir este palco principal.. Acho que vai ser bom...

Rodolfo - Vai ser um concerto um bocado mais pequeno do que aquele que costumamos dar... Normalmente, quando temos menos tempos para tocar, temos sempre por hábito tirar as músicas mais calminhas. 

Leonel - É sempre a direito!

Rodolfo - É mais activo para meter as pessoas mais a mexer...

Isso prende-se um pouco com a pergunta que vos ia fazer a seguir, se há muitas diferenças entre os Norton num festival e os Norton num concerto mais intimista...

Leonel - Sim, num auditório vai ser sempre diferente! Vai ser sempre um concerto mais intimista, com uma ligação mais profunda com o público.

Rodolfo - É um bocado diferente, porque tu, num festival, acabas sempre por ter de conquistar as pessoas, e numa sala, não falando de auditórios, mas por exemplo num Music Box ou num clube, supostamente as pessoas que estão ali vieram para te ver. Obviamente que tens de os agradar também.. mas é diferente, nos festivais as pessoas estão sempre um bocado mais à descoberta... Podem até conhecer uma ou duas músicas da banda e vão descobrindo... 

Manuel - E assim podes arriscar mais... ou explorar outros temas que aqui podem não funcionar tão bem.. num espaço aberto com um slot mais curto para tocar... 

Vocês acham que, de festival para festival, ganham novos fãs ou não? 

Rodolfo - Sim, sim...

Manuel - Eu acho que é mais de concerto a concerto.. temos vindo a sentir isso... e é óptimo as pessoas, nos finais dos concertos, virem falar connosco. E muitas das pessoas já conhecem e já foram propositadamente para ver, costuma acontecer isso. 

Rodolfo - E agora também temos o barómetro do Facebook [vejam a página deles aqui]... e por lá consegues claramente perceber que depois de cada concerto há um aumento do número de Likes e de pessoas novas a seguir a página... Nestes últimos concertos, este verão, temos recebido quase sempre mensagens de pessoas... Da outra vez, em Santa Cruz, o concerto correu muito bem e estava cheio, mas houve uma pessoa que nos mandou uma mensagem pelo Facebook a dizer que tinha adorado o concerto, que não nos conhecia, e a pedir desculpa pelo público, porque achou que o público não correspondeu como devia ter correspondido. Epá, se as pessoas não conhecem, nós não podemos pedir que estejam ali todas a cantar. Claro que para nós foi óptimo e a reacção foi óptima a seguir ao concerto e tudo mais, e é óptimo perceber que há pessoas que ficam chateadas porque as pessoas não reagiram como a senhora achava que deviam ter reagido ao concerto. 

Isso é engraçado. Vocês são, então, sensíveis ao que se passa nas redes sociais... ao feedback que vos é lá deixado.. Tentam usar as redes sociais a favor da banda? 

Rodolfo - Sim, claro que sim...

Leonel - Hoje em dia, são ferramentas essenciais que qualquer pessoa que se queira dar a conhecer ou que queira mostrar aquilo que faz, por exemplo, no nosso caso, enquanto banda, tem de usar as redes sociais, e saber geri-las muito bem.. proporciona um contacto directo com os fãs e com as pessoas que gostam e isso é importante...

Rodolfo - Fazemos sempre questão de responder pessoalmente, não temos ninguém que nos trate disso... também porque se calhar não temos um fluxo assim tão grande.

Leonel - Sim, se calhar seria um bocado mais complicado...

Rodolfo - Mas, fazemos questão de estar próximos das reacções das pessoas. 
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72ª Entrevista FLAMES: Nice Weather for Ducks - No Fusing Culture Experience 2014


 Nice Weather for Ducks

Na foto: Bruno, Hugo, e Luís
Foto por: Roberta Frontini - Blogue FLAMES

Originária de Leiria, esta banda fez o que parecia ser impossível... descubram porquê e vejam o que eles dizem  sobre as festas das terrinhas... uma banda que me deu muito gozo conhecer. 

Com os Les Crazu Coconuts e os First Breath After Coma acabam por vir representar Leiria. Isso faz-vos sentir mais responsabilidade? 


Hugo - Não sentimos a responsabilidade. Achamos que é todo um movimento que está a ser criado.. a responsabilidade nesse sentido parece-me que não existe assim tanto. Vamos fazer o concerto que sempre fizemos independentemente disso.

Bruno - Mas sentimo-nos bem por estarem aqui 3 bandas de lá.

Sei que  adoram concertos ao vivo e ir assistir a eles. A partir do momento em que passaram para o outro lado, ou seja, para cima do palco, a vossa visão sobre os concertos ao vivo alterou-se? Por exemplo, passaram a ser mais críticos, por exemplo?

Hugo - Sim, sim!

Bruno - E começamos a reparar em coisas que antes nunca reparávamos sequer! 

Hugo - Sim, acho que nos tornámos mais críticos certamente. 

Luís - Por acaso nunca tinha pensado nisso...

Bruno - Sim, essa foi uma boa pergunta. 

Hugo - Ya é uma boa pergunta. 

(Risos)

Hugo - Mas sim, passámos por isso. Estar no palco, e depois sair do palco fez-nos observar mais tudo... mesmo os sons, porque também gostamos de ouvir e tirar influências...

Bruno - e também aprender! Acabamos por ver o que é que se pode adaptar, esquecer, ou adaptar a nós ou não. Um bocado por aí... 

Hugo - Exacto!

Para além de se tornaram mais críticos para com os outros, também começaram a usar o que viam a vosso favor...

Hugo - Exactamente!


Fizeram uma coisa que é quase impossível: gravaram um CD num único fim-de-semana. Alguma vez vos passou pela cabeça conseguirem fazer uma coisa destas?

Hugo - Já gravar um CD não sabíamos se iria acontecer, quanto mais isso...

Bruno - E nós fomos para lá gravar aquilo sendo que aquilo era para ser apenas as guias...

Hugo - Mas aquilo acabou por ficar, acho que, no tempo certo... então...

Bruno e Luís - Não, não ficou bem no tempo!

(Risos

Luís - Mas o pessoal curtiu e ... "Vamos lançar isto JÁ"!

Bruno - Sim, foi mesmo aquela coisa tipo "Ok, isto pode sair já amanhã".. e ok, nós dissemos que sim. 

Hugo - Mas não estávamos à espera de gravar... não estávamos à espera! 

Bruno - Nem sequer estávamos à espera da projecção que isso teve...

Hugo - Pois não!

Luís - E depois tipo, ainda tivemos de decidir o nome do álbum.. Quack! E ficou... 

Bruno - Pensámos "Pronto, está bem!" Não foi uma coisa muito pensada! As músicas como estavam ficaram..

Já agora, porquê este nome para a vossa banda? Já vos devem ter perguntado 1000 vezes... 

Hugo - Sim! Conta tu Bruno, a história foi contigo...

Bruno - Ok... Curiosamente, foi na nossa actual sala de ensaios.. nunca lá tínhamos ensaiado todos... O que aconteceu foi que faltou a luz e ficámos sem nada, tirando o PC que ainda tinha bateria. Nós já estávamos com os copos, vá! E então começámos a pesquisar cenas na net e apareceu-nos uma música do Lemon Jelly chamada Nice Weather for Ducks [ouçam aqui].. e epá...

Hugo - O pessoal ficou todo vidrado naquilo!

Bruno - Não havia luz, estávamos ali todos felizes, ouvimos aquilo umas 4 ou 5 vezes seguidas... ou mais... e ficámos com aquela música na cabeça.. então, essa música simbolizou um bocado aquele nosso começo. E na altura, quando criámos a banda,... o Hugo ainda nem estava lá...

Hugo - Pois não, eu ainda não estava lá...

Luís - Também ninguém quer saber isso...

(Risos)

Bruno - Quando criámos a banda surgiu esse nome..

Hugo - Ainda fizemos uma lista, mas esse foi logo dos primeiros e ficou...

Luís - Eram todos horríveis...

(Risos)

Bruno - Ainda bem que escolhemos este!

Como vai ser o vosso concerto hoje aqui no Fusing?

Hugo - O pessoal vai ouvir algumas músicas novas! Vamos tocar algumas que não estão no álbum! Espero que as pessoas venham ver...

Bruno - Até porque queremos saber o que é que as pessoas acharam!

Vocês costumam ter essas coisas em atenção? A opinião do público é importante para vocês, ou só estão interessados em fazer determinado tipo de música, ou certos sons, só porque gostam, independentemente do que os outros acham?

Bruno - É assim... Se gostarmos muito do que estamos a fazer mas vemos que o público não está mesmo a aderir, paciência, temos de mudar...

Hugo - Temos de ir para outro público...

(Risos)

Hugo - Há sempre público para tudo! Mas gostamos de ouvir as críticas...

Bruno - Sim, gostamos sempre de saber se as pessoas estão a gostar daquilo que estamos a fazer ou não!

E até agora como tem sido o feedback?

Luís - Há quem goste mais, há quem goste menos...

(Risos)

Bruno - Mas que boa observação!

Luís - Ah oui...!

Por exemplo, há pouco vocês estavam a dizer-me que tinham ficado muito surpreendidos com o lançamento do disco... Também ficaram surpreendidos com o feedback, com o rumo que tudo isto levou?

Hugo - Não.. nós não estávamos nada à espera disto.

Bruno - Nós, quando começamos a banda, não estávamos minimamente conscientes disto tudo!

Hugo - Nada mesmo!

Bruno - Isto era uma banda para nos divertirmos e para irmos tocar às festas das terras!

Hugo - E continua a ser uma banda para nos divertirmos e...

.. já não vão às festas das terras!

(Risos)

Hugo - Não, não, nós continuamos a ir!

Bruno - Nós até gostamos de ir às festas das terras!

Hugo - É sempre altamente ir tocar a uma terrinha... Estão lá os pais todos a ver...tudo acontece... Há um pai qualquer que numa organização nos acaba sempre por meter lá!

(Risos)

Bruno - "Agora TENS de ir!!!" (Risos) "O meu amigo ainda não vos viu!"

O que é que levam de diferente para uma "festa da terra" ou para um Festival como o Fusing? Como é que vocês se adaptam?

Hugo - Nós, por acaso, levamos um concerto igual... Os nossos concertos dão para tudo.. Nós, num concerto, tocamos o que queremos como queremos, seja na aldeia, seja num bar, seja na rua.. seja onde for! Tocamos um concerto sempre igual.

Bruno - Não é sempre sempre igual, mas...

Hugo - Só o feeling é que muda um bocado... mas a base é sempre a mesma.. é sempre um bom concerto.. quer dizer.. queremos que seja sempre bom.

Têm algum ritual antes de entrarem em palco? 

Hugo - Só mesmo fazer xixi...e fumar um cigarro...

(Risos)

E já vos aconteceu alguma coisa de estranho, ou de diferente num concerto? Talvez uma situação mais caricata?...

Hugo - Só mesmo o Luís começar a tocar uma música deitado... Tocou uma música no chão...

Bruno - E uma vez uma rapariga veio oferecer-nos umas cuecas...

Hugo - Mas acho que era hábito ela fazer isso..

Luís - Ela disse-me que eu era o mais bonito da banda!

(Risos)

Bruno - Ah, e as cuecas estavam lavadas, vá!

Hugo - Mas não temos nada assim de...

Essas parecem-me ser duas situações bastante caricatas!

Hugo - Ya, mas o Luís a tocar deitado, para mim, foi o melhor de sempre... Olhei para ele e lá estava ele a tocar a música no chão.

Mas como é que isso aconteceu?

Bruno - Entusiasmo!! Foi o entusiasmo!

Hugo - Mas tocou bem.. a cena foi essa...

Luís - A verdade... é que estava cansado!

Muito obrigada :) 
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71ª Entrevista do FLAMES - peixe : avião - No Fusing Culture Experience 2014


peixe : avião

Na foto: Pedro Oliveira, Roberta Frontini e André Covas

Ao chegar perto dos peixe : avião vejo um dos membros a afastar-se. Quando me vê aproximar dos outros dois, volta a trás e explica-se: "tenho de ir buscar a minha filha, desculpa", ao que o André responde: "deixa lá, ficas aqui com a parte mais importante da banda!".

É impossível estarmos com estes dois membros sem nos rirmos.. de 5 em 5 minutos. 

Tendo eu começado por agradecer pela entrevista que nos concederam anteriormente [vejam aqui], expliquei que estava ali para tentar saber mais sobre a participação deles no festival. 

O André mostra-se logo alegremente aflito: Hum... Responder a perguntas sobre o festival? É preciso sabermos coisas sobre o festival? Ainda vou dar alguma calinada! 

Não se preocupem que não vos vou fazer nenhum teste...

Pedro - Quem é que vai actuar hoje às 21h36?

(Risos)


Tocar num festival, para vocês, já não é novidade nenhuma! Ainda sentem algum nervosismo antes de entrar em palco ou isso já faz parte do passado?

Pedro - Nervosismo nervosismo penso que já não, mas tenho sempre aquela ansiedade de saber se vai correr bem, e queremos sempre que corra bem. À vezes corre, outras vezes nem tanto.. e acho que é mais isso. Nervosismo, acho que depois destes concertos todos, já não é assim tão fácil de aparecer. Já encaras o teu auditório, quer sejam 20 pessoas quer sejam 10.000, com alguma naturalidade. Estás ali para fazer o teu trabalho, e fazer o melhor possível. Volta e meia vês as pessoas... tu olhas para o público.. é um bocado por aí. 

Vocês têm algum ritual antes de entrar em palco?

Pedro - Temos, por acaso temos. É uma coisa pequena e curta. Fazemos um daqueles cumprimentos à equipa de basquet. Dizemos coisas do género: "que corra tudo bem"...

André - Sim, mas nada de muito diferente...

Pedro - Sim, nada de especial. Lembramo-nos sempre de fazer, mas não é aquela coisa que TEM MESMO de ser. Mas gostamos de o fazer, tipo "Ok, agora estamos todos juntos, vamos atacar isto". 

Vocês vão aproveitar para ver alguns concertos no festival? Ou nem por isso?

Pedro - Hoje sim!

André - Sim, pelo menos hoje e amanhã alguns de nós também estarão. 

Têm alguma curiosidade por alguma banda em especial?

Pedro: Eu hoje gostava de ver o Cícero, e também queria ver ao vivo o novo disco do The Legendary Tigerman, e os Dead Combo que ainda não vi. 

André - Eu gostava de ver os Capitão Fausto... São uma grande banda!

Pedro - E eu ontem gostava de ter visto a Capicua também, mas não estávamos cá. E os Capitão Fausto claro!

O que é que os vossos fãs podem esperar do vosso concerto hoje, e que diferenças encontraram de um concerto vosso aqui e um concerto num auditório por exemplo. 

André - Nós neste concerto vamos estar ainda mais focados no nosso último disco, durante algum tempo ainda o vamos andar a rodar. Mas depois também iremos recuperar alguns temas mais antigos. Mas o grosso do concerto será o disco novo. Os festivais têm sempre um ritmo e uma energia que os concertos nos auditórios não têm. Há algum improviso.. por exemplo, tu num auditório passas 2 horas a afinar instrumentos antes do concerto, a ver as luzes, a meter aquilo tudo à medida. Medimos ao centímetro certo o cenário.. ainda por cima nós trazemos sempre connosco alguma cenografia. Quando estás num festival em que tem de haver uma certa rotação no palco muito rápida, em que os concertos têm 1 hora de duração...

Pedro - Se calhar não podes apostar tanto nessas coisas...

André - Sim, sim...

Pedro - Hoje não vamos ter uma coisa que costumamos sempre ter que são projecções com umas faixas que são a capa do disco. Costumamos ter ao vivo em concertos e nos teatros, e hoje não será possível. E era o que o André estava a dizer, tu tens muito menos tempo para preparar o teu espectáculo. Tens meia hora para afinar tudo o que num outro concerto farias em 2 horas.   

André - Mas depois, por outro lado, os festivais têm uma energia e um dinamismo que os outros concertos não têm. Acabam por ser concertos mais roqueiros. Os nossos concertos nos festivais são mais intensos e mais vivos.. o contacto com o público também é diferente, é uma escala diferente... enfim, são coisas diferentes e nós deixamo-nos levar um bocado por essa energia do festival e depois isso traduz-se ao vivo. 

Muito obrigada :)  

sábado, 23 de agosto de 2014

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70ª Entrevista do FLAMES: Miura (banda portuguesa) no Fusing Culture Experience 2014


Miura 


No Fusing revi bandas que adoro... e conheci novas. Quando eu pensava que não havia música de rock mais "pesado", eis que vejo "o túnel, vejo a luz" e aparecem os Miura. 
Ritmos potentes e letras aguçadas... rock poderoso cantado em português, assim se apresentaram à 2ª edição do Fusing. 
Eles não querem ainda falar em sucesso, mas eu bato o pé e digo que não! Tendo começado em 2012 e já espalhados pelas redes sociais e com um EP fabuloso gravado, têm tudo para se lançarem em grande, e tenho a certeza de que o irão fazer. Espreitem o que nos contaram...

Na foto: Nelson Afonso, Nuno Maques, Roberta Frontini e Luís Saraiva

Vocês estão a tocar em casa, e esta é "a vossa praia"! Isto aumenta-vos a responsabilidade de representar a vossa cidade in loco, ou faz-vos sentir mais relaxados?

Nelson - Eu acho que a responsabilidade é sempre a mesma não é? É um espectáculo ao vivo onde nós teremos de mostrar às pessoas o nosso valor e a nossa música. Talvez sinta um pouco mais de responsabilidade, de facto, por estarmos em casa.    

Nuno - Queremos representar bem a Figueira da Foz a nível de música. Todos nós já fizemos parte de outros projectos na Figueira. De alguma forma queremos mostrar o que se faz na Figueira a nível da música. Talvez seja essa a nossa responsabilidade: mostrar que na Figueira existem bons projectos e existe boa música que pode dar que falar. É um bocadinho por aí, mas é como o Nelson disse, responsabilidade de dar um bom espectáculo. 

Vocês sentem que o trabalho que fizeram nos outros projecto se revê nos Miura ou não?

Nelson - Claro, claro que se vai fazer sentir.  

Luís - Mesmo em termos de comparações...

Nelson - Sim, comparações. Em termos de irmos buscar ideias ou irmos beber àquilo que fizemos nos outros projectos, isso eu só posso mesmo falar no meu caso: é sempre difícil porque sou o vocalista, é sempre difícil que as pessoas se abstraiam daquilo que eu fazia antes. Mas de facto, como viemos de projectos diferentes, cada qual acabou por ir beber um bocadinho aos seus anteriores projectos, e isso trouxe uma componente mais técnica. 

Nuno - Tentámos importar o que de melhor cada um fazia nos outros projectos, em prol de Miura. Nós somos os Miura, e cada um dá um pouco do seu cunho e efectivamente isso acaba por estar associado às vivências que cada um teve nos outros projectos. 

Nelson - Cada um tem a sua identidade... por mais que nós queiramos fugir isso acaba sempre por emergir. Especialmente quando se é músico e se toca um instrumento. É muito difícil desassociarmo-nos daquilo que nós já fizemos.     

E vocês sentem que, por vezes, ainda vos associam aos vossos antigos projectos, ou já não? 

Nelson - No início, logo no primeiro concerto, ainda houve um pouco aquela coisa...

Luís - Sim, aqui na zona sim.. e mesmo na zona Centro. A banda Hand Puppets ainda chegou longe. Aqui na zona da Figueira foi, talvez, das bandas que maior projecção exterior teve, e pertence a uma geração um bocado mais velha...  Obviamente que no primeiro concerto associaram a banda logo aos Hand Puppets. Eu era fã deles quando era miúdo, agora a diferença de idades não se nota tanto, mas na altura eu era mais pequeno.

(Risos)

Luís - Eu era fã, estava lá sempre à frente na primeira fila. Hoje em dia é um orgulho fazer parte desta banda.

Como é que foi isso? Vê-los, ser fã... e depois acabar por integrar a própria banda?

Luís - Olha, o Calhau não está aqui, mas ele também era um dos que estava sempre ali à frente. Epá, hoje é normal, o trato é completamente normal, mas na altura o impacto era grande. Um tipo ía para os concertos deles e pensávamos "bolas.. nós íamos vê-los, e agora..." e curtíamos bué, na altura era um "bandão"!  

Que engraçado..! Vocês começaram em 2012 e foram à primeira edição do Fusing... estão cá outra vez... estavam à espera de um sucesso assim tão rápido?

Nelson - Eu acho que ainda não houve sucesso...

Nuno - Estamos a começar...

Mas vocês já estiveram aqui... já foram a alguns lados.. inclusivamente estiveram na RUC...

Nuno - Sim, mas isso porque estamos numa altura de promoção do nosso trabalho! Mas esse trabalho ainda está muito focado em nós. Contamos, a curto prazo, poder contar com uma agência que possa fazer esse trabalho promocional connosco. Todo o investimento até agora foi feito por nós. A gravação do EP, a gravação do vídeo. Toda a parte gráfica associada à banda... o merchandising está todo a ser suportado por nós. E o merchandising neste momento está a acontecer devido a uma parceria com a Janga. A Janga é uma marca da Figueira... estamos a promover-nos... para que o nosso trabalho consiga atingir um maior número de pessoas. Se isto é sucesso, estamos muito longe daquilo que é o nosso ideal de sucesso para nós. Nós queremos estar em bons palcos, e ainda não tivemos oportunidades para isso. Esperamos no futuro estar em bons eventos e pisar bons palcos e aí dar-nos a conhecer..

Porquê este nome para a vossa banda?

Nelson - Miura é uma raça de touros.. é uma mistura de várias raças. É um touro da zona da Andaluzia. O touro é um animal imponente e forte. Então quisemos associá-lo à nossa música que também tem uma componente muito forte, musculada, com uma atitude também bastante vincada. Achámos que o nome se associava bem.

Nuno - Foi engraçado e achámos que se associava bem àquilo que a música queria transmitir.

Já vos aconteceu alguma situação caricata quando estavam a tocar em algum lado?

Luís - Nelson... tu é que deves ter para aí algumas belas histórias...

Nelson - Opá.. uma vez no meio de um concerto, mesmo à frente, estava uma rapariga com um top aos saltos. Às tantas o top saltou-lhe, e ela não sabia, e continuou ali  numa boa... acho que foi a melhor coisa que me aconteceu.

(Risos)...

Nelson - Sei lá... Olha.. já caí num palco... já me enterrei todo...

O quê? Enterrar num palco?? Já te aconteceu?

Nelson - Sim sim, já!

(Risos)

Nuno - Neste projecto é tudo muito recente. Apresentámos este projecto em Junho de 2013. Fizemos um concerto na Figueira para nos apresentarmos à cidade. Portanto fez em Junho 1 ano que demos o nosso primeiro concerto. Isso depois também foi-nos fazendo criar objectivos. Por exemplo - gravar o EP. No fundo, fomos fazendo as coisas conforme ia-mos evoluindo... Gravámos o EP. Depois sentimos o feedback das pessoas e pensámos: Ok, vamos investir no vídeo. Em termos de estrada ainda temos muito caminho a percorrer, mas precisamos desse material promocional para começar a dar-nos a conhecer. Era essencial ter o EP e ter o vídeo. Neste momento temos isso tudo, temos a colaboração com a Janga, temos a eminência de estar com uma agência, e isso tudo - esperamos nós - poderá dar-nos a possibilidade de termos palcos e assim talvez tenhamos muitas situações caricatas para te contar. Que venham muitas, no bom sentido!        

Vocês já viram o cartaz? Têm curiosidade para ver alguma banda? Vão fazê-lo?

Luís - Ontem vi Primitive Reason... do cartaz foi o que me chamou mais à atenção, e nunca tinha visto ao vivo. Na minha opinião, ontem eles foram os melhores em palco. Puseram o festival a mexer e a malta bem disposta. Isto, fazendo o paralelo com o nosso projecto, hoje em dia sentimos que as coisas são pouco orgânicas. Há muita digitalização no meio disto. Agora as coisas são todas muito experimentais. Nós quisemos ir um bocadinho àquilo que se fazia antes...

Nelson - Ir à raiz...

Luís - Uma coisa orgânica, simples, cantado em português a mensagem chega facilmente. As letras estão ao alcance de qualquer pessoa, e as pessoas podem tirar a ilação que quiserem... Não vemos o porquê de não conseguirmos chegar onde queremos. Nós queremos marcar um bocadinho a diferença também nesse aspecto. O Festival reflecte isso mesmo.. o que há aqui é tudo muito similar.. estilos muito parecidos. Confesso que não é muito a minha onda, é tudo um bocadinho menos violento do que aquilo que eu ouço... Mas também sou apreciador de música, e gosto de ver bons concertos. Estou curioso de ver Dead Combo, Legendary Tigerman, vamos ver se superam os Primitive Reason, mas na minha opinião os Primitive Reason foram mesmo os melhores.  

Nelson - Eu por acaso, fazendo uma análise da noite de ontem, estava muito curioso por ouvir e ver ao vivo You Can't Win Charlie Brown. Gostei bastante. Gostei de Sensible Soccers, foram muito bons. A noite estava um bocado fria e ventosa, e acho que isso não ajudou muito as bandas. Mas o cartaz tem nomes de bandas sonantes no panorama musical português, e claro, tem Legendary Tigerman, Paus, Norton, peixe : avião. Estou bastante curioso por ver peixe : avião, Capitão Fausto, são as bandas que agora andam aí a passar, e claro, para nós é sempre bom ouvir o que é que se anda a fazer por cá.

Vocês acham que o facto de cantarem em português vos pode limitar, pode não vos ajudar ou pelo contrário pode chegar a mais pessoas?

Nuno - Ao início, inconscientemente, estabelecemos um objectivo. Se calhar, todos nós, nos outros projectos que tínhamos, tínhamos outros objectivos, os outros até eram cantados em inglês, e se calhar houve sempre aquele sonho de se fazerem tournées europeias. Fazer com que o som chegasse o mais longe possível. Hoje em dia, face talvez às responsabilidade que todos nós temos, a nível profissional por exemplo, acho que esse objectivo não entrou numa forma consciente. Nós pensámos: Ok vamos focar-nos em Portugal, fazer chegar o nosso som a bons eventos portugueses, depois também se lançou esse desafio. Veio um bocado da parte do Nelson também... Ao escrever em português também estamos a conseguir chegar a um público menos restrito. Ou seja, tanto chegamos a um público mais jovem, como a um público mais velho. E isso é bom, eu sou suspeito, mas acho que as letras estão muito bem feitas, qualquer pessoa se consegue rever na mensagem que se quer passar, e as pessoas identificam-se, mesmo em gerações diferentes. E isso é bom!

Nelson - E acontece outra coisa.. tendo em conta o tipo de música que fazemos, se nos vissem a cantar em inglês iriam dizer "olha, é mais uma".. em português já é diferente. E estamos completamente "despidos", não há aquela máscara que existe quando se canta em inglês. Em português nós estamos despidos. As pessoas conhecem a nossa língua e percebem logo à primeira. Por exemplo, a minha sobrinha, uma delas só tem 8 anitos e sabe os refrões, se fosse em inglês ela não ía decorar nem ía compreender. O objectivo ao termos um projecto em português foi esse. Como o Nuno referiu foi tentar abranger um público mais vasto e ser mais directo.

A capa do vosso CD está brutal. Vocês participaram na concepção do mesmo?  

Nuno - Sim, o design da capa foi todo idealizado por nós, mas a concepção ficou a cargo da minha empresa.

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