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quinta-feira, 29 de maio de 2014

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Livro: A Chama ao Vento (Carla M. Soares)



Título: A chama ao vento (eBook)
Autora: Carla M. Soares
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 430 (aproximadamente)
Editor: Coolbooks
ISBN: 978-989-766-004-7
Idioma: Português

Se está à procura de um livro que o deixe intrigado desde a primeira página, e que o faça lutar contra o sono, fome e outras coisas, para continuar a ler... PARABÉNS! Não precisa de procurar mais, porque acabou de o encontrar. As duas palavras de ordem aqui neste livros são, sem dúvida: INTRIGANTE e VICIANTE.

Tinha imensa curiosidade em ler um livro da autora pelas escolhas, críticas e comentários que a mesma tece no Goodreads. Assim, quando a Coolbooks lançou este e-book, tive logo vontade de o ter, especialmente porque estava a ter umas críticas bastante interessantes.

A história, como já disse, é intrigante e surpreendente desde início. E se pensa que se ficará por aí, engana-se. Tal como a própria autora me tinha avisado, quanto mais avançamos, mais misterioso se torna.
Nela encontramos Francisco, um jornalista frio e atormentado com um passado que ele próprio desconhece. Conhecer as nossas raízes é muito importante para a nossa construção pessoal. Francisco, tem vagas recordações da mãe, do pai e de Nathalie. Morou com os avós em pequeno, uma avó que o amava apesar de não o saber bem demonstrar, e um avô que não o queria.
No dia em que tem uma desavença com Teresa (sua namorada), recebe um telefonema de um homem que não conhece que lhe promete respostas, e uma mala com documento e fotografias.
Quem será? Quem serão os seus familiares e porque o abandonaram? E de quem será o corpo que é atirado ao mar logo no início do livro?
Ambientado em Portugal, em Lisboa, e viajando entre os dias de hoje, a altura da 2ª Guerra Mundial e o 25 de Abril., Carla M. Soares traça um retrato fiel do Portugal dessa altura, sem o fazer de forma maçadora. Apesar de eu ler imensos livros sobre a 2ª Guerra Mundial, li poucos sobre a forma como se vivia em Portugal nesta época e, por isso para mim, esta foi uma leitura ainda mais instrutiva. Não vos coloquei a sinopse do e-book aqui propositadamente porque a história, mais ou menos a 30%, muda de forma quase radical e surpreende imenso. Se eu tivesse lido a sinopse antes penso que tinha perdido o efeito surpresa.

Em 430 páginas, Carla faz-nos vestir a pele de várias personagens. Ora temos acesso aos pensamentos recônditos de Francisco, ora estamos a sentir as emoções de Carmo, ora caminhamos ao lado de João Lopes. Ah... João Lopes... a personagem com quem mais empatizei ao longo de todo o livro.

Uma outra coisa que adorei e de que gosto sempre em todos os livros que leio, é quando a autora escolhe um título que depois, a certeza altura, faz todo o sentido. Adoro chegar àquele momento em que lemos algo e tudo se percebe. Aquele momento em que revisitamos o título e pensamos: Sim! Perfeito...

Espero com todas as forças que as pessoas não se sintam impedidas a ler esta obra em e-book. A meu ver deveria ser publicado em papel, pois ainda há muita gente que não lê em plataformas digitais e que está a perder um dos melhores livros que li nos últimos tempos! Como se agradece a um autor o rol de emoções que este nos proporciona? Aquela sensação de felicidade e de prazer único pela leitura? Não sei.. esta foi uma pequenina forma que arranjei para o fazer... Parece-me insuficiente, mas espero conseguir transmitir à autora o que me fez sentir a mim quando li a sua OBRA!

Ponto negativo do livro: a autora fala tantas vezes de lanches, pastelarias e pasteis de nata, que por vezes me deixou completamente aguada eheheh.

terça-feira, 27 de maio de 2014

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51ª Entrevista - peixe : avião (banda portuguesa)


peixe : avião



Foi no ano de 2007 que os peixe : avião, uma banda natural de Braga, surgiu no panorama musical português tendo como carta de apresentação o EP “Finjo a fazer de conta feito peixe : avião” que conquistou um enorme sucesso. Estava dado o primeiro passo de uma banda que viria a conquistar fãs com o seu álbum de estreia “40.02” em 2008 ao qual se seguiu, em 2010, o seu segundo trabalho, “Madrugada”. A sua presença no festival Fusing Culture Experience, no próximo mês de Agosto na Figueira da Foz, já está confirmada! Juntem-se a nós e entrem no mundo dos peixe : avião...


Os peixe : avião são compostos pelo André Covas, José Figueiredo, Luís Fernandes, Pedro Oliveira e Ronaldo Fonseca.

A todas as bandas/músicos, o FLAMES pergunta... 

Como se conheceram e como decidiram começar esta banda? 
O José, o Luís e o Ronaldo já tinham trabalho em conjunto em projectos anteriores e quiseram criar um novo projecto. O José e o André já se conheciam há algum tempo e o Pedro e o Luís idem, mas nunca tinham trabalhado em conjunto. Como estávamos praticamente todos sediados nas salas de ensaio do Primeiro de Maio, acabou por ser algo natural falarmos sobre o assunto, e começarmos a trabalhar em conjunto.

Porquê este nome para a vossa banda?
Porque faz parte da primeira frase da letra da primeira música que escrevemos, “Atiro ao Alvo”, que diz “Finjo a fazer de conta, feito peixe : avião”. Esta frase deu nome à banda e ao primeiro EP que editámos.

Músicos/Bandas favoritas que vos inspirem...
Isso é algo complicado responder, mas cá vão algumas que certamente nos deram pistas sobre aquilo que gostaríamos de fazer: NEU!, CAN, Portishead, Kraftwerk, Steve Reich, Helm, Anika, Broadcast...

Local onde mais gostariam de tocar: 
No estádio Primeiro de Maio em Braga, mas desta vez no relvado, com um palco enorme e carregado de pirotecnia e 40.000 pessoas a gritar o nosso nome freneticamente.

Lembram-se do vosso primeiro ensaio? Onde foi: 
Foi precisamente nas salas de ensaio do estádio Primeiro de Maio, mas teve uma particularidade: o nosso primeiro ensaio de banda teve lugar depois do primeiro EP estar composto e gravado. Na verdade, o André e o Pedro só se conheceram pessoalmente nesse primeiro ensaio! Todo o processo de composição e gravação foi feito à distância.

Quem compõe as músicas?
Os 5 peixe : avião e as letras são da autoria do Ronaldo.

Que cartaz/mensagem gostariam de ver a ser erguida no meio do público? 
As letras das músicas, estilo tele-ponto.

Lembram-se de alguma situação caricata que tenha ocorrido num dos vossos concertos? 
Já aconteceram algumas coisas engraçadas como uma senhora na frente da plateia exibir o peito à banda, termos o Mike Patton (Faith no More, Mr. Bungle) a assistir ao concerto na parte lateral do palco, e houve uma fase em que o Ronaldo gostava de apresentar os elementos da banda, mas recorrentemente tinha brancas e trocava os nossos nomes todos.

Aos peixe : avião o FLAMES pergunta...

Ao longo do tempo novas experiências surgem na vida de todos os artistas. De que forma é que o som da banda tem evoluído ao longo do tempo fruto dos anos que decorreram? 
O nosso som tem vindo sempre a modificar-se, como resultado das nossas aprendizagens e de um esforço para tornar as coisas sempre frescas e interessantes para nós. Em relação ao nosso início, a nossa música é, hoje, muito mais dura e crua. As texturas também são diferentes, no sentido em que cada instrumento deixa muito mais espaço para os restantes, do que no passado. É, também, um som mais orgânico, mais espontâneo, o que reflecte o facto de cada vez mais compormos em grupo, na sala de ensaio, em vez de em casa, em frene ao computador.

Os fãs que começaram esta aventura com os peixe : avião são sempre os mesmos ou sentem que dependendo do álbum ou dos anos que passam esse grupo que vos segue tem vindo a mudar? 
Um pouco de ambos. Por um lado sentimos que há gente que nos segue desde o início, mas à medida que nos vamos dando a conhecer em concertos e edições, novo público se vai interessando pelo que fazemos. Algumas pessoas também se vão desinteressando, provavelmente, mas sentimos que a tendência continua a ser ascendente.

Sabemos que alguns de vocês (senão todos) já participaram ou ainda participam em projetos musicais paralelos aos peixe : avião. Conseguem, mesmo assim, dedicar o tempo e esforços que desejam à banda?
Não só conseguimos arranjar tempo para a banda, como todas essas experiências extra peixe : avião são sempre de alguma forma enriquecedoras para o grupo. Foi algo que sempre aconteceu e provavelmente sempre acontecerá.

Recentemente foram considerados a banda do dia pelo Canal 180. Como receberam esta notícia? Que importância dão a este tipo de destaque? 
É sempre gratificante quando alguém partilha um pouco do seu tempo connosco, seja com uma entrevista, com um comentário no Facebook, ou com um destaque como foi o do 180. O canal 180 tem-nos apoiado bastante desde o início. Tem gente fantástica a trabalhar lá e o resultado é um canal com um bom-gosto tremendo que tem dado voz a muito do que de cultural se faz por cá.

Para quando estão a planear lançar um novo álbum de estúdio? 
Já começámos a compor coisas novas, mas ainda não pensámos no que fazer com o material em que estamos a trabalhar. Nesta fase queremos focar-nos mais em mostrar ao maior número de pessoas possível o “peixe : avião” que saiu há cerca de meio ano.

Sentem que têm conseguido realizar tudo aquilo a que se propuseram quando criaram os peixe : avião ou são mais daquele tipo de bandas que não planeia muito as coisas e simplesmente vive o momento presente?
Não nos propusemos a nada, para além da língua das letras, quando criámos o projecto. Até agora temos tido alguma sorte, misturada com bastante trabalho e dedicação: fazemos a música que gostamos, de forma independente e temos oportunidade de a mostrar a bastante gente. No caminho ainda vamos conhecendo e trabalhando com gente muito interessante e com trabalho que já admirávamos ainda antes dos peixe : avião existirem.

Têm concertos agendados para breve que queiram referir? 
Temos várias coisas agendadas, para os próximos meses, algumas ainda não anunciadas. Como não queremos escolher um filho em relação a outros, o melhor é mesmo seguirem-nos através do facebook para poderem estar a par das novidades.

Um grande obrigada aos peixe : avião pela sua disponibilidade e votos de muito sucesso!

segunda-feira, 26 de maio de 2014

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Livro: Sudoeste (Olinda Gil)



Título: SUDOESTE
Autora: Olinda P. Gil (vejam a entrevista à autora aqui)
Formatos disponíveis: Apenas eBook
Formato do ficheiro: epub
Ano de edição ou reimpressão: 2014
Editor: Coolbooks
ISBN: 978-989-766-006-1
Número de páginas (estimadas): 58

Sinopse:
O mesmo mar, a mesma casa. Talvez a mesma história e a mesma mulher que nela vive. Ou três histórias diferentes de três mulheres diferentes que viveram na mesma casa. Sudoeste traz-nos três histórias distintas, como que variações de um mesmo tema. Em todas elas está presente o mesmo ambiente marítimo, um envolvimento amoroso, uma personagem com «o chamamento do mundo». Todas as histórias se passam na mesma casa, na mesma quinta, na mesma praia, na mesma falésia. As próprias personagens vão tendo pequenas variações. Contudo, os contos são muito diferentes; cada um nos oferece uma perspetiva distinta de como se pode viver o amor e o desejo de partir: do sentimento mais puro e simples à capacidade de começar tudo de novo.

Opinião:
Olinda Gil, mais uma vez, escreve uma história (ou serão três?) utilizando a sua escrita tão característica. Tal como a sinopse nos sugere, Olinda apresenta-nos a mesma casa, a mesma falésia e o mesmo mar. Apresenta-nos também uma mulher que poderia ser a mesma nas três histórias (com idades diferentes) ou podem ser pessoas distintas. Aliás, as características de cada mulher parecem-me variar bastante ao longo dos 3 contos. Mas aí é que a autora "jogou" bem: é que essas alterações podem ser fruto da maturação etária das mesmas.
Achei a premissa do livro muito interessante.. e foi com pena que constatei que apenas tinha 58 páginas (aproximadamente) para ler.
Deixando de lado o facto se serão três versões da mesma mulher, a verdade é que as três são personagens fortes, sofridas e românticas. Aliás, o amor é um tema recorrente nos 3 contos: o amor por um homem, o amor pelos filhos... o amor (ou "des"amor por vezes) por si própria...
É fácil criarmos empatia com qualquer uma destas três mulheres e é fácil entender as suas escolhas, perceber as suas mudanças e sofrer com elas.
Numa escrita mais poética do que é habitual e um pouco mais vincada, Olinda não desilude e traz, novamente a público, um livro que recomendo vivamente!

sábado, 24 de maio de 2014

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50ª Entrevista: Olinda P. Gil (escritora portuguesa)


Olinda P. Gil 


Olinda P. Gil já é conhecida cá da casa. Depois de termos feito de Pre-Advanced Reader ao seu livro “Contos Breves”, revimos o seu conto “Vila de Cobres”. Agora, Olinda surpreende-nos novamente, desta vez editando com a Coolbooks o e-book “Sudoeste”.
Escreve maioritariamente contos, estudou literatura, e publicou num jornal nacional. Olinda P. Gil, no seu blogue “rabiscos, rascunhos e limitada” já nos entrevistou - vejam aqui.
Agora foi a nossa vez!

Nacionalidade: Portuguesa

Filme favorito: "O Piano" de Jane Campion
Livro favorito: Muitos! Hoje destaco "1984" de George Orwell
Anime favorito: Rurouni Kenhin
Manga favorito: Rurouni Kenhin
Entretenimento/Evento/Espetáculos favorito: Festa do Avante
Série de televisão favorita: Ficheiros Secretos (vejam a nossa opinião aqui)

Costumas recorrer a beta-readers… aconselhas só aos novos escritores ou a todos? Tens dicas a dar sobre isso?
Não costumo recorrer muito aos beta-readers, isto porque não é fácil encontrar beta-readers. Há muitas pessoas que estão dispostas a fazer esse trabalho, mas só com poucas é que se consegue estabelecer a confiança necessária para que o trabalho corra bem. Estou, aos poucos, a construir uma rede de beta-readers. O conselho que dou é para terem calma, paciência e nunca desistirem. Quando menos esperam aparece-vos uma beta-reader (foi o que me aconteceu com a equipa do FLAMES).

A tua escrita é muito versátil. Os teus contos abrangem imensas temáticas… sobre o que é que ainda não escreveste que gostarias de escrever? 
Há tanta coisa que gostaria de escrever que ainda não escrevi. Os contos permitem essa versatibilidade, quase como um experimentalismo. Posso experimentar estilos, épocas, géneros... Quero continuar a fazer experiências!

Sudoeste é muito diferente dos teus outros trabalhos. O que podem esperar os teus leitores mais fieis?
Neste livro podem esperar uma linguagem mais cuidada e mais poética. Também podem esperar por uma análise profunda dos sentimentos e acções dos personagens, que nem sempre souberam tomar as melhor opções. Não são personagens perfeitas!

Este livro demorou algum tempo a sair, fruto da tua maturação enquanto pessoa que te levava a reescrevê-lo inúmeras vezes. Como imaginas que o livro sairia se fosse escrito daqui a 10 anos? 
Muito diferente. Talvez precisasse de quarto conto para representar mais uma dezena de anos. "O mar..." é os dezoito, dezanove anos, "Eros e Pisché" são os vinte e poucos e "Aniversário" os vinte e tal, trinta anos. Precisaria de um conto que fosse dos trinta aos quarenta anos.

Quando te apercebeste que não valia mais a pena reescrever e que estava pronto para publicação? 
Estava profundamente saturada dos textos. Foi mais por não conseguir reescrever mais do que qualquer outra coisa. Se bem que já reli o texto e já pensei em alterações!

E projetos futuros? Podes revelar alguma coisa?
Tenho um livro de poesia, tenho uns pequenos textos de prosa poética, tenho outro livro de contos, tudo material que pode vir a sair. Depois ando meio perdida entre vários contos, dois romances a meio, um sem-fim de poemas e uma narrativa para jovens. Tirando as duas narrativas para jovens que tenho imaginadas e muito muito mais material pensado. Acho que preciso de outra vida!

Agora é a nossa vez… “Quando fores velhinho/a e já não vires bem as letras o que vais fazer à tua vida de leitor/a?”
Vou aumentar o tamanho da letra do meu e-reader até não poder mais (apesar de duvidar que existam certas coisas quando for velhinha), e depois contrato netos e sobrinhos para me lerem em voz alta. Troco por bolinhos.

Obrigada Olinda pela disponibilidade :) 

quinta-feira, 22 de maio de 2014

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49ª Entrevista: Tiago Bettencourt (artista português)


Tiago Bettencourt

(Fotos por Felipe Alves, Silverbox Studio)

Tiago Bettencourt é mais um dos músicos que passam pelo FLAMES que dispensa qualquer tipo de apresentações!
Nasceu em Coimbra em 1979, cidade que nos é muito especial, mas mora em Lisboa. 
O seu novo CD já pode ser ouvido de forma totalmente gratuita no Spotify e chama-se "Do princípio". Pode ser comprado "fisicamente" a partir do dia 26 de Maio. São 12 canções, todas elas com um toque muito pessoal, daqueles que apenas o Tiago consegue dar...
Dotado de uma voz característica e inconfundível, com esta entrevista descobrimos que para além de ser um verdadeiro artista, também é extremamente simpático, paciente e disponível!

A todas as bandas/músicos, o FLAMES pergunta...

Quais são os artistas que o inspiram? 
“Eh pá”, nunca mais saíamos daqui… Bob Dylan, David Bowie, Alfredo Marceneiro, Radiohead, Amália Rodrigues, Arcade Fire e muitos outros.

Qual o local onde mais gostaria de actuar? 
Gostava muito de tocar no Coliseu (de Lisboa). Já lá toquei mas nunca a solo. Também gostava de ir à Casa da Música, sou um admirador de Rem Koolhass (arquitecto que projectou a Casa da Música). Também gostava de actuar no Coliseu do Porto. Gostaria muito de actuar no estrangeiro mas é muito difícil. Até o Brasil é um mercado muito complicado, excepto no caso do fado.

Realmente, já outros artistas têm referido o facto de o fado ter as portas abertas com mais facilidade no estrangeiro. Pensa assim? 
Sim. Se não fosse o fado talvez existisse exportação de outra música em Portugal. Mas ainda bem que existe o fado, faz parte da nossa História. Mas para os artistas do pop ou rock português é muito difícil actuar lá fora. Eu gostava muito de fazê-lo pelo mundo inteiro.

Que cartaz ou mensagem gostaria de ver ser erguida no meio do público durante um concerto seu?
Cartaz…(pensa durante um momento), estava aqui a pensar e talvez algo como “Continua assim”. Algo que me faça sentir acompanhado em cima do palco.

Lembra-se de alguma situação caricata que tenha ocorrido num dos seus espectáculos?
Aconteceu muita coisa e o pior é que não tenho muita memória! Mas há uma situação de que nunca me esqueci: uma vez num concerto um rapaz levantou um cartaz onde se lia “Tiago podes pedir a não sei quantas em casamento”, ela estava ali mesmo sentada ao lado dele e eu pensei “bem, pode ser” (risos). Foi muito engraçado e depois até lhes dediquei uma canção.

Ao Tiago Bettencourt o FLAMES pergunta... 

O Tiago foi o produtor deste seu novo álbum, “Do Princípio”. Foi a primeira vez que produziu um disco?Como foi a experiência: mais complicada ou mais simples do que aquilo de que estava à espera? 
Já tinha produzido. Produzi numa banda com o Fred Ferreira. No fundo, também produzi um outro álbum meu, o “Tiago na Toca”, mas esta foi a primeira vez que o fiz num álbum só meu. O produtor dá-nos sempre uma visão de fora mas a partir do momento em que somos nós a produzi-lo também se torna importante termos a ajuda de outras pessoas que nos dão uma visão diferente. Neste trabalhei com o Artur David, o técnico que misturou o álbum, e também tive a opinião dos músicos e do meu agente. O mais importante na gravação de um álbum é alguém que dê uma visão de fora porque quando estamos a trabalhar intensamente num disco torna-se importante ouvir outras opiniões.

Demorou cerca de 2 anos a escrever os temas deste disco. Qual foi a sua fonte de inspiração para as letras das canções?
Não há uma fonte principal de inspiração. Vão surgindo ideias, coisas que se passam comigo. Não há uma fonte especial de inspiração. Escrevo sobre emoções, situações, sobre a parte humana. Acho muito bonito todas essas emoções que fazem parte do nosso percurso.

Na faixa “Do Princípio” o Tiago canta “Faz-te bem não pensar no que é melhor para ti”. A primeira coisa que nos surge com esta frase é aquela ideia epicurista de desfrutar o momento presente sem nos preocuparmos com o futuro. Era esta ideia que queria transmitir? Identifica-se com esta forma de estar na vida? 
Acho que sim, acho que pode ser. Acho que é muito mais importante a tua interpretação do que a minha. A partir do momento que lanço um disco cá para fora ele passa a pertencer a quem o ouve, deixa de ser só meu. Essa frase fala do egoísmo, em pensarmos demasiado em nós próprios quando devíamos dedicar-nos mais aos outros.

Relativamente ao tema “Aquilo que não fiz” o Tiago disse que esta se refere à desonestidade, à falta de respeito e de amor pelo nosso país. Contudo, muitos dos seus fãs associaram-no à actual crise económica que assola Portugal. Surpreendeu-o esta interpretação e o impacto que este tema teve? 
Não. Eu estava com um bocado de receio de que essa canção pudesse ter várias interpretações e essa seria a mais tendenciosa. Mas também senti que se não a lançasse seria um cobarde. Escrevi-a há um ano e meio, quando achei que tínhamos começado a sair desse buraco, embora muito lentamente. Ainda hoje se estão a passar muitas injustiças. Não quero que a associem a partidos políticos, à esquerda ou à direita. Esta música é sobre pessoas que passam por cima de outras deixando-se reger pelo dinheiro. Mas acima de tudo fala do orgulho pelo nosso país que é algo que falta. Como artista português sinto que há mais carinho pelos cantores estrangeiros do que pelos portugueses. Em Portugal não damos valor ao que temos, achamos que o que vem lá de fora é sempre melhor. Devíamos ter mais orgulho no nosso país.

Neste seu novo disco é evidente o cuidado que teve na componente gráfica do mesmo, nas técnicas utilizadas tanto nas fotografias de promoção como na fotografia da capa. Quão importante é para si o aspecto físico de um álbum? 
Sou licenciado em arquitectura. Desde sempre que estive em cima das capas dos meus álbuns, com excepção para o meu álbum acústico. De cada vez que eu comprava um álbum ia ver o livrinho, a parte gráfica. Sei o enorme prazer que dá estar a ouvir um álbum e a ler o livrinho ao mesmo tempo. Quando penso num álbum que tenha ouvido há muito tempo lembro-me não só das músicas mas também das cores e do seu aspecto. Penso que também é necessário investir na parte gráfica de um álbum pois vivemos numa altura em que, por vezes, a imagem é mais importante que a música.
Temos artistas a viver da imagem e que em termos musicais são vazios. Não penso que a imagem seja mais importante que a parte musical mas acaba por ser importante. Estas fotografias surgiram quando um amigo de infância, com quem andei do 4º ao 9º ano, o Felipe Alves, há 2 anos me perguntou se estava interessado numas fotos que ele tirava no seu Silverbox Studio. É um processo muito antigo, de 1800 e poucos, fotos em vidro e metal que são coloridas e ficam com um aspecto vintage. Acho que tem a ver com o meu álbum que se chama “Do Princípio” mas que acaba por ser uma continuação do meu trabalho.

Algo que deseja é que as suas canções perdurem no tempo. Qual acha que são as características essenciais num álbum para que este se torne imortal?
Não sei, não faço ideia. É um bocado um mistério. Penso que é isso que todos os artistas querem saber. Quer dizer, todos não! Há alguma música que tem sido feita na última década, como esse tipo do Gangnam Style que provavelmente o que ele quer é ganhar dinheiro para a seguir comprar um iate.
Eu tento fazer algo com a minha música e espero que daqui a uns anos se alguém for ouvir os meus discos que estes lhe transmitam algo de diferente, uma mensagem nova. No fundo, é assim que eu ouço música. Tenho uma colecção enorme de discos e vinis e, às vezes, gosto de ir ouvi-los como se fosse a primeira vez. 

Relativamente aos espectáculos ao vivo, já começou a planear os próximos? Quem já foi a um concerto seu o que pode esperar dos próximos? Que surpresas tem reservadas? 
Eu acho que quem foi a concertos meus sabe que eles são todos diferentes. Em cada concerto acabamos por mudar o alinhamento pois basta alguém pedir uma música diferente. Neste álbum temos uma roupagem electrónica. Temos um novo elemento, o Kid Gomez, nos loops e na mesa de mistura. De início vamos tocar o álbum de uma maneira mais fiel ao vivo e à medida que o vamos tocando mais vezes as coisas vão ficando diferentes.
Penso que precisamos de nos divertir a tocar ao vivo, preciso que para mim seja um desafio estar em cima do palco e no fundo queremos passar algo para quem vai aos concertos.


Muito obrigada pela simpatia Tiago :) 
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Filme: Godzilla


 
 
Ano: 2014
Género: Acção, Ficção Científica
Realizador: Gareth Edwards

 
É incrível que já tenham decorrido 60 anos desde que o mundo conheceu Godzilla, o monstro que aterrorizou todo o povo japonês e que mereceu destaque, ao longo das décadas, em várias produções cinematográficas, televisivas e literárias.
Não sei se por pura coincidência ou com o intuito de celebrar tal data, a mais recente versão da história do monstro que muitos admiram estreou há pouco tempo em Portugal.
 
Uma história sobre Godzilla que se preze tem que começar no Japão... e esta não foi exceção. Desta vez, a Humanidade está ameaçada por dois monstros gigantes que se alimentam à base de energia nuclear. A iminente reprodução destes monstros ameaça a continuidade da vida humana na Terra e bravos soldados tudo farão para tentar travar esta ameaça. Contudo, é quando percebem que os seus esforços são insuficientes que Godzilla entra em acção!
 
Este é um filme para os fãs de ficção científica que nutram uma admiração especial pelo Godzilla pois nesta criação de Gareth Edwards o famoso monstro é retratado como um herói que se alia aos humanos em defesa do planeta Terra.
Tal como em muitos filmes do mesmo género, o foco de “Godzilla” não está propriamente na sua trama, mas sim nos efeitos especiais e cenas de acção onde não faltam as cidades destruídas, os imensos mísseis, milhares de pessoas tomadas pelo pânico e monstros enormes a digladiarem-se.
Assim, se a história deixou muito a desejar em termos de originalidade e profundidade, compensou pelos incríveis efeitos e pelas prolongadas e bem pensadas cenas de luta e perseguição.
Um filme que aconselho aos fãs de ficção científica, aos fãs do Godzilla em particular e àqueles que valorizam o cinema pelas técnicas e tecnologias utilizadas mais do que pelo conteúdo da história em si.

terça-feira, 20 de maio de 2014

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48ª Entrevista: Sérgio Godinho (artista português)



SÉRGIO GODINHO 

Sérgio Godinho dispensa apresentações. Com mais de 40 anos de carreira é um dos nomes fortes do panorama musical português. No passado mês de Abril deu início a uma série de concertos que percorrerão o país de norte a sul sob o tema “Liberdade”, numa celebração dos 40 anos do 25 de Abril. São dele as seguintes palavras:

"Liberdade é, de todas as palavras e conceitos que uso na minha vida, e por arrasto nas canções, a que mais acarinho e que mais defendo, aquela que dá ao norte a sua bússola." 

O FLAMES esteve à conversa com ele e foi isto que ele nos revelou…

A todas as bandas/músicos, o FLAMES pergunta... 

Quais são os artistas que o inspiram? 
Ui! Isso é uma questão em que teríamos de estar meia hora a falar só para vos responder. Conheço todos os géneros musicais, tenho um gosto muito ecléctico. Há uns tempos fiz um livro de crónicas publicadas no Expresso, “Caríssimas Canções”, onde falei de imensos artistas: Zeca Afonso, Bob Dylan, Caetano Veloso, Chico Buarque… São artistas de muitos géneros diferentes. Pode dizer-se que gosto de todos os géneros musicais.

Qual o local onde mais gostaria de tocar? 
Já actuei em muitos sítios no nosso país, penso que conheço Portugal de lés a lés. Já actuei em circunstâncias muito diferentes: em salas pequenas, em grandes festivais e nos coliseus. Gosto sempre de voltar aos lugares! Penso que o Brasil seria um local onde gostaria muito de actuar mas é muito difícil penetrar no Brasil. À excepção do fado, é muito difícil actuar lá.

Mas já lá deu concertos? 
Sim, já. Mas gostava de fazê-lo mais.

Que cartaz ou mensagem gostaria de ver ser erguida no meio do público durante um concerto seu? 
Gostava que as suas mensagens transmitissem, no fim de contas, o título destes concertos: “Liberdade”.

Lembra-se de alguma situação caricata que tenha ocorrido num dos seus espectáculos? 
Há sempre imprevistos (pequena pausa), há muitos anos atrás, quando os palcos eram mais precários, estava a actuar com o Zeca Afonso e as estacas cederam para o lado e começámos a cair. Aquilo parecia um elevador.

Mas chegaram a cair por completo até ao chão? 
Sim, mas felizmente foram tomadas precauções e ninguém se magoou.

Ao Sérgio Godinho o FLAMES pergunta... 

Em 1974 no seu álbum “À Queima Roupa” o Sérgio dizia na música “Liberdade” que “Só há liberdade a sério quando houver paz, pão, habitação, saúde e educação”. Acha que 40 anos depois o povo português pode considerar-se livre? 
Não, ele tem é sempre de lutar por essa liberdade. A Liberdade e a Justiça. Ambas são insuficientes no nosso país. O que aconteceu com o 25 de Abril não foi uma liberdade completa, mas sim a oportunidade de podermos lutar por isso. Nos últimos tempos houve retrocessos no nosso país na saúde, educação e muitas outras coisas. Ainda falta muita coisa e temos de lutar por isso.

Na altura em que se deu a Revolução dos Cravos a esperança era uma das palavras que mais se ouvia. Esperança num país diferente, num país melhor... Como é que naquela altura o Sérgio imaginava que seria a sua vida em 2014? 
Não projecto muito o futuro. Antes do 25 de Abril estive 9 anos fora de Portugal e não podia regressar ao meu país pois era um soldado refractário porque tinha recusado ir à guerra colonial. Na altura não imaginava como seria o meu futuro mas sempre imaginei que a música seria algo de orgânico e que faria parte da minha vida.

Mas nessa altura já sonhava que poderia vir a tornar-se num artista português tão conceituado ou foi tudo acontecendo sem que o Sérgio tenha planeado muito? 
Foi acontecendo. Repare, o meu primeiro disco, “Os Sobreviventes”, e o segundo, “Pré-Histórias” foram editados antes do 25 de Abril e tiveram na altura um grande impacto. Agora tenho mais de 20 discos e foi tudo acontecendo ao longo dos anos.

Qual acha que tem sido o contributo da música em defesa da Liberdade tanto antes como após o 25 de Abril de 1974? 
É muito importante. Tenho uma canção que diz “Aprende a nadar companheiro/ Que a maré se vai levantar/Que a liberdade está a passar por aqui” (música: “Maré Alta”). Significa que a Liberdade ainda está a chegar. Por isso ainda há muito a fazer pela liberdade. Mas também não se deve sobrevalorizar a música pois vivemos numa sociedade e todos têm algo a fazer por essa Liberdade.

Iniciou esta sua tourné em Abril e já teve oportunidade de actuar em várias cidades portuguesas. Actuará inclusive em mais 3 (Braga, Aveiro e Coimbra). 
Serão mais concertos.

A sério? Onde? 
Ainda não posso dizer-lhe mas serão mais.
 
E como tem sido a reacção dos seus fãs às canções do álbum que editou mais recentemente, o “Caríssimas Canções”?
Esse álbum é de canções de outros artistas. Canto “Os Vampiros” do Zeca Afonso e outras músicas. Acaba por ser um álbum fora do baralho. Mas nos meus espectáculos canto também músicas do meu algum de há 3 anos, “Mútuo consentimento” que também fala de Liberdade.

O Sérgio disse que de todas as palavras, a palavra “Liberdade” é aquela que mais acarinha e que mais defende. O que pensa continuar a fazer no futuro em defesa deste conceito que lhe é tão caro? 
A Liberdade pratica-se. Gosto de ser criativo e estou neste momento a escrever contos, algo que não tem nada a ver com música pois eu gosto de ir por outros caminhos.

São contos infantis? 
Não. Não são.

Já tem uma data para a publicação desses contos? 
Ainda não. Ainda estamos a alinhavar umas coisas. Ainda não tenho contrato assinado e isso.

Um enorme obrigada ao Sérgio Godinho pelo tempo que nos dispensou para responder às nossas perguntas!

segunda-feira, 19 de maio de 2014

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Passatempo: 102º Passatempo do FLAMES (em parceria com o autor Carlos Nuno Granja)



O Cágado Sonhador que Queria Ser Aviador
de Carlos Nuno Granja
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 24
Editor: Alfarroba
ISBN: 9789898455956

Sinopse 
Esta é a história de um cágado, um animal pachorrento, que vivia com as patas de molho, a conversar com gotas de água, mas que tinha um sonho: ser radical! Será que este cágado sonhador conseguiu voar além dos seus sonhos e ser aviador?

A próxima grande data a comemorar é... o dia da criança. 
O autor Carlos Nuno Granja gostaria de oferecer 1 exemplar a um seguidor do FLAMES :)
Por isso, podem participar até ao dia 1 de Junho
Só tens de preencher o formulário em baixo e... 
BOA SORTE

PASSATEMPO TERMINADO

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Livro: Chegaste Primeiro (Carlos Nuno Granja)



Autor: Carlos Nuno Granja
Editora: Livros de Ontem
Páginas: 190
Género: Poesia

Este é o primeiro livro do autor que leio, e começo logo pela poesia.
Como já referi quando falei no livro "O Relógio" de Samuel Pimenta, tenho algum receio em dar a minha opinião sobre um livro deste estilo, por não ser um género literário que domine. No entanto, fiquei muito contente pois reconheço que é um género que diz muito ao autor.
Carlos Nuno Granja é um escritor que nos é muito querido pelo apoio que deu ao FLAMES, especialmente com a disponibilização de livros para vários passatempos. Por isso é com enorme satisfação que tenho acompanhado o seu trabalho nas redes sociais e foi com ainda maior alegria que recebi este livro para apreciação no blogue.

Antes de vos dar a minha opinião gostaria de começar por falar deste livro enquanto objecto. Como VICIADA que sou por livros, dou bastante importância ao aspecto físico do mesmo, e este chamou-me particularmente à atenção. É o 2º livro que tenho desta editora e posso dizer que se distinguem claramente pelo aspecto gráfico e atenção ao pormenor. Todos os livros são numerados manualmente, o que os torna únicos. Parece-me que foi uma boa aposta e os crowfounders que nele participaram devem sentir-se muito orgulhosos.
As ilustrações estão fenomenais e vão acompanhando o livro.

Esta obra poética aborda inúmeras temáticas. Fala desde a amizade, ao amor, passando levemente pela parentalidade e pela própria poesia.. o autor não pôs nada de lado e até das redes sociais chega a falar.

Algumas poesias fizeram-me rir imenso (como o Azia) e demonstraram-me que é completamente possível escrever-se rimas com humor num livro com tanta seriedade. Outras, fazem-nos querer pousar o livro e reflectir... outras ainda atestam, claramente, a qualidade poética do autor.
Enfim... nas 190 páginas que o compõe Carlos Nuno Granja demonstra imensa à vontade com o género e uma enorme versatilidade (prova disso são também o número de obras que já publicou num curto espaço de tempo).

Aconselho este livro, claramente, a qualquer amante deste género.

domingo, 18 de maio de 2014

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Evento: Showcase Fnac + 47ª Entrevista: Frankie Chavez (músico português)


No post de dia 29 de Abril mostrámo-vos o novo CD de Frankie Chavez, fresquiiiiinho, assim que chegou ao FLAMES (vejam aqui o post).
Desde esse dia que a rotina tem sido sempre a mesma: acordar, ligar o PC, CD, PLAY.
As manhãs começam sempre, agora, ao som da música electrizante e energética de Frankie Chavez.
Hoje tivemos a oportunidade e a honra de o vermos ao vivo e de o entrevistar pessoalmente.
Aqui fica!


Coimbra - 17 Maio 2014 - FNAC do FORUM Coimbra

Muitas foram as alturas em que me emocionei ao ouvi-lo ao vivo. Demonstrou que é um música fantástico, um artista brilhante! Com 3 guitarras, 1 harmónica e sozinho no palco, meteu mais de 50 pessoas a bater com o pé no chão ao som de 9 das músicas que constituem o novo álbum Heart and Spine:

1) Psychotic Lover (nº 6 no CD)
2) Long Gone (nº 2 no CD)
3) Sweet Life (nº 4 no CD)
4) Pine Trees (nº 5 no CD - instrumental)
5) Sail Upon Your Shore (nº 12 no CD)
6) I'm leaving (nº 9 no CD)
7) Heart and Spine (nº 3 no CD)
8) Fight (nº 1 do CD)
9) Voodoo Mama (nº 11 no CD)

Escusado será dizer que muitas delas foram tocadas com ligeiras (mas brilhantes) variações.


Frankie Chavez


Frankie Chavez é um artista/músico português que lançou um E.P. homónimo pela Optimus Discos. Inserido nas categorias Blues/Folk/Roots, Frankie Chavez toca em formato de "one man band" na maioria dos seus concertos. Em 2011 editou o álbum "Family Tree" e este ano "Heart and Spine". Estivemos à conversa com ele depois do seu Showcase na Fnac. Venham ver o que nos contou...

A todas as bandas/músicos, o FLAMES pergunta...

Porque escolheste este nome artístico?
Porque é uma derivação do meu nome. O meu nome é Joaquim Chaves e na altura estava a gravar com um produtor que me sugeriu arranjar um nome de palco mais sonante. Numa brincadeira, estávamos a viajar numa viagem de Aljezur para cima e, já não sei se fui eu se foi ele que sugeriu. De qualquer maneira, numa viagem que fiz a Barcelona, lá chamaram-me Chavez. Fizemos ali um trocadilho com as palavras e de um momento para o outro já estava no facebook e nas redes sociais, e acabou por ficar. 

Que artistas te inspiram?
Guitarristas! Gosto muito de Jimi Hendrix, Ben Harper, John Butler... Ultimamente tenho ouvido muito Band of Skulls e White Denim. Gosto muito de guitarristas de flamengo também. Geralmente são artistas que conseguem tocar uma música que toquem nas pessoas, e que me toque a mim pessoalmente.

Qual o local onde mais gostarias de tocar?
Essa é difícil (risos). Olha, gostava muito de tocar no Coliseu em Lisboa ou no Porto (risos). Acho que estes eram assim os próximos grandes marcos. Próximos quer dizer... ainda vai demorar... mas gostava muito de lá ir. 

Que cartaz ou mensagem gostarias que fosse erguido durante um dos teus concertos?
(Risos)... Não faço ideia, mas lembro-me de um que uma vez num festival dizia "Frankie, dá-me a tua boina" (risos). Fartei-me de rir. 

Lembras-te de alguma situação caricata que tenha acontecido num espectáculo?
Já me aconteceram algumas. Lembro-me que uma vez comecei um concerto e pisei um cabo... e a minha guitarra desliga-se. Numa Queima das Fitas já não sei onde.  Fiquei sem som. Ficar sem som logo na primeira música é do pior (risos).  

Quem compõe normalmente as músicas e escreve as letras? És tu não é?
Sou eu sim. Primeiro faço a música com a guitarra e depois por vezes a letra é imediata, outras vezes demora mais tempo. Depois junto-me com o meu baterista e fazemos ali a conjugação de tudo. 

Ao Frankie Chavez o FLAMES pergunta...

Contrariamente ao álbum "Family Tree" onde falavas mais na família e na sua importância, este é mais voltado para a necessidade que temos de lutar pelos nossos objectivos...
Sim sim, é muito diferente. Acho que teve a ver com a fase de vida em que me encontrava quando escrevi as músicas. O primeiro disco gravei-o numa fase em que estava muito virado para mim e para a minha família. Tinha sido pai há pouco tempo... Nesse momento o importante para mim era a família, arranjar uma casa... estava muito para aí virado...

Daí o título..
Sim, daí o título! Daí para a frente fiz mais estrada e mais concertos. Sendo isto uma coisa mais independente, deparei-me com dificuldades que acho que são normais. Essas dificuldades e esses obstáculos por que fui passando e que não me fizeram desistir, pois não faz parte do meu feitio desistir das coisas, mesmo que custem, levou-me a que escrevesse alguns temas relacionados com isso. O facto de Portugal naquela altura, nos últimos 2 anos, não estar a passar por uma fase muito fixe influenciou. Comecei a ver amigos meus a ter de sair de Portugal. Isto é comum a muita gente... possivelmente também conheces alguns desses casos. Gente que tem de sair de Portugal para se aguentar. Os temas ficaram assim mais duros e a música resultou disso. Também contribuiu o facto de eu ter gravado este disco de uma maneira diferente do outro. O outro disco foi gravado quase sozinho. Fui para estúdio, gravei as bases todas e só depois convidei pessoal para tocar ou bateria, ou saxofone, ou baixo etc. Este eu já fui para estúdio com o meu baterista com quem tive a tocar estes 2/3 anos. Criámos uma linguagem muito unânime. Os temas foram preparados antes de ir a estúdio, coisa que não fiz no outro. Fomos para estúdio e o som ficou muito mais coeso e muito mais parecido com o que fazemos ao vivo. Ficou mais rock, eu quis explorar guitarras eléctricas e usar uns ambientes um pouco diferentes que tinha deixado de lado nos primeiros discos. Acho que foi isso que fez com que este disco soasse muito diferente, mais coeso, mais duro.

Já actuaste em alguns países, desde o Canadá, a Espanha e Itália. Estavas à espera deste sucesso lá fora? 
Foi uma coisa que eu tentei. Não foi de repente. Foi tudo pensado. No final de 2011 começamos a preparar a exportação da minha música. Fomos a alguns festivais e escrevemos para vários locais. Alguns aceitaram, outros não. Foi com o investimento todo nosso... e fomos. Fomos ao Canadá... arranjámos uma agência no México. Na Alemanha fizemos uma tour para arranjar agenciamento, depois fizemos uma tour na Holanda tudo seguido. Em 2012 foi quando começou e foi fixe. Não estava à espera, mas as coisas começaram a correr bem... e onde estão a correr agora melhor é em Itália. Lá está a correr muito bem.

No vídeo Fight focaste-te no halterofilismo, um desporto que não é muito usado em vídeo-clips. Usaste também uma personagem "fora do comum" o Mestre Silvestre Fonseca. Como surgiu a ideia?
Foi por isso mesmo. O tema é o Fight, e o tema fala de ultrapassar obstáculos e de tentar ir mais além quando parece que não é possível.. e eu quis mostrar um desporto que não é apoiado no mundo todo como o Futebol. Pensámos primeiro na ginástica artística, mas a ginasta fantástica que tínhamos na altura que íamos filmar, estava sem apoio e então deixou a competição. Na altura não deu para a focar. Quando abordei o Jorge Pelicano, que foi o realizador responsável pelo documentário, ele andava a fazer uma investigação sobre o Zeca Afonso. Tinha ido à Baixa da Banheira onde na altura ele tocava muito, e às vezes escondia-se lá nas sociedades a fazer uns concertos. Às tantas descobriram que o Zeca se escondia, por vezes, num ginásio. Chegaram lá e viram que era um ginásio muito antigo de halterofilismo gerido, agora, pelo Silvestre Fonseca, um tipo de 74 anos que continua a praticar. Achámos a história brutal. Como era possível um tipo com esta a idade a continuar a fazer competições? Vai a campeonatos de masters... ainda agora num campeonato europeu na Hungria ganhou a medalha de ouro. Pensámos logo: "Claro que vai ser isto". A história já por si é brutal para se contar, nós queremos fazer uma cena documental, melhor que isto não há.

E ligava bem com a música...
Ligava bem sim, mas isso já foi obra do Jorge Pelicano que fez um trabalho fenomenal.. ele e o pessoal todo do ginásio que tiveram uma paciência... e correu muito bem. Acho que no vídeo é muito explícito o que queríamos transmitir. A ideia era mesmo fugir ao que era o centro das atenção. Em vez de filmar o Ronaldo preferi filmar um tipo que ninguém conhece cuja história merece ser contada. O Ronaldo é um exemplo, mas o Silvestre ainda hoje continua a lutar... tem mais a ver com o tema. Nunca ninguém lhe deu a "bola de ouro" do halterofilismo... e ele merece! Tem 74 anos e continua a praticar, a ensinar os mais novos.. e leva o ginásio para a frente. É um exemplo.

Visualmente é um álbum muito bonito. Estiveste envolvido na sua concepção?
Também gostei...Eu queria puxar ambientes quentes a ver com o México. Os dois símbolos do CD têm a ver com um jogo tradicional mexicano chamado "La Lotería". Isto são 2 das cartas... o coração e as flechas. Gostámos imenso destas e relacionamos com o Heart and Spine. A minha mulher, que é designer, encontrou na internet um rapaz que vive em França que tem uns desenhos lindos. É o João Neves. Contactei-o... mas nunca o vi nem o conheci. Foi tudo por e-mail. Ele conhecia a música, adorou-a, e a primeira proposta que me fez foi esta. Adorei tudo o que ele fez... teve de ser!  Adorei tudo já quando estava a preto e branco... Ainda não o conheci.

Este CD teve um apoio importante de crowfounders. Aconselhas a quem está a pensar começar a carreira a usar este método?
Aconselho, desde que tenha uma base de fãs significativa.. quer dizer.. não... tem é de ser muito bem comunicado! É importante que as pessoas saibam o que está a acontecer. Com as redes sociais é fácil. Pode haver gente que não te conhece pessoalmente, mas se tiverem conhecimento da tua ideia podem pensar "isto vale a pena apoiar". É preciso promover e explicar muito bem o que se faz. Há muita gente que está disposta a ajudar e hoje em dia, com tanta falta de apoio, se não formos nós todos a apoiarmo-nos uns aos outros, é mais difícil. É uma maneira brutal. Isto não é um peditório: é uma troca. As pessoas dão dinheiro, e consoante o que dão têm coisas em troca, como o nome no livro. Eu dava desde merchandising, até a possibilidade de ir tocar a casa das pessoas (risos) era um dos presentes.

Estes showcases são um pouco diferentes do que fazes em outros concertos, ou mesmo do que estarás a pensar fazer no Rock in Rio este ano. O que é que as pessoas podem esperar?
Olha, no Rock in Rio vai ser um palco grande. Não vai ser o palco principal, vai ser o palco Vodafone, mas é grande e portanto costumo fazer com o meu baterista. Vamos ter muitas músicas do novo álbum, algumas dos antigos.. vai ser uma coisa mais poderosa. Quando entra uma bateria é mais fixe. Há mais barulho e mais energia. Há mais decibéis de um lado para o outro... de um modo geral os meus concertos são mais rock. Mas nos auditórios também vou muito ao acústico, adoro ir aos acústicos. Gosto de usar os dois termos. No Rock in Rio vai ser mais power!

A responsabilidade é muita no Rock in Rio? Por tocares no dia dos Rolling Stones...
(Risos) Pois, eu nem sei se os vou ver. Quer dizer, o concerto vou claro, mas vamos estar em palcos diferentes. Mas é um grande orgulho tocar lá no dia de uma das minhas bandas favoritas...

Este ano também tiveste uma experiência diferente quando foste tocar ao Metro... Como foi o feedback das pessoas?
Epá... foi estranho. Houve quem estranhasse..houve quem gostasse. Foi um bocado à queima roupa. Entrei na carruagem com um amplificador a pilhas e disse: "Pessoal, sou o Frankie Chavez, vim apresentar o disco.." e o pessoal olhou para mim com uma cara estranha...

Pois, às 11 da manhã logo...
Sim...mas correu bem. Foi fixe. O pessoal começou logo a filmar, foi giro, foi diferente...

Acho que nunca tinha visto um artista a fazer isso...
Também acho que não... também nunca vi... eu fazia isso há um tempo atrás. Tocava no metro e em jardins públicos. Levava um amplificador a pilha e metia-me a tocar. É giro, é uma maneira muito genuína de tu ofereceres música e as pessoas pararem o que estão a fazer (algumas claro) para te ouvir. Tu dás músicas, se as pessoas querem param e ouvem. É a maneira mais pura de se oferecer música.

MUITO obrigada ao Frankie Chavez pela disponibilidade e simpatia.

Não percam a agenda dos seus concertos aqui - http://artistdata.sonicbids.com/frankie-chavez/shows/
     

sábado, 17 de maio de 2014

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Entretenimento/Espectáculos: Silence 4, Tiësto, Bon Sauvage, Noiserv, 5SOS, Tiago Bettencourt



Silence 4 - São uma banda muito especial para nós. Os Silence 4 foram um dos principais responsáveis por gostar tanto de ir a concertos pois foi o primeiro concerto que vi, em Leiria. Dia 22 de Maio de 2014, precisamente em Leiria, a banda fecha o círculo de concertos. Podem vê-los no Estádio Dr. Magalhães Pessoa (outro local especial pois foi lá que vi o meu primeiro jogo de futebol) por 7€. Trata-se de um evento imperdível (Roberta).


Tiësto - Mais uma novidade no mundo da música é o novo álbum de Tiësto que sairá a 16 de Junho com o título "A Town Called Paradise". Conhecido por muitos como DJ Tiësto, é sem dúvida um dos nomes incontornáveis da música de dança. Nós aqui somos fãs de alguns dos seus maiores hits. Mas não somos as únicas visto que o seu primeiro avanço "Red Lights" (VEJAM AQUI) já ultrapassou os 13 milhões de views no Youtube. Já podem ver o vídeio de Wasted aqui - WASTED - TIËSTO.



Bon Sauvage - Esta foi a primeira banda entrevistada no FLAMES (vejam aqui), e o CD homónimo já pode ser encontrado à venda. Mais uma banda que demonstra que cantar em português é uma boa aposta!



Noiserv - No passado dia 5 de Maio acordámos com a notícia do álbum Almost Visible Orchesta a vencer o prémio da Sociedade Portuguesa de autores como melhor álbum 2013 :) Parabéns ao David Santos! Foi bastante merecido. 


5 Seconds of summer - Eles são novos, são australianos, mas já dão que falar! Os 5SOS atuam na edição deste ano dos conceituados Prémios Billboard. juntamente com Jason Derulo, Imagine Dragons, Florida Georgia Line, Luke Bryan, John Legend e OneRepublic. Fiquem com os vídeos "She looks so perfect" e "Don't Stop" (Lyric Video).


Tiago Bettencourt - Mais uma novidade fresquinha vindo do nosso país. "Do Princípio", é o novo disco de Tiago Bettencourt, a editar a 26 de maio, mas já em pré-venda no iTunes . Durante o período de pré-venda o disco estará disponível pelo preço especial.  Este CD integra 12 novas canções. Site oficial aqui

quinta-feira, 15 de maio de 2014

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Livro: A 5ª Vaga



 Título Original: The 5th Wave
Ano de Edição: 2014
Género: Ficção Científica, Acção, Aventura
Autor: Rick Yancey
Editora: Editorial Presença

 
 
Nunca vi um único filme da saga Star Wars, quando experimentei não passei dos primeiros 5 minutos de um episódio da série Star Trek e recusei-me veementemente a acompanhar os meus amigos numa ida ao cinema para ver “A Guerra dos Mundos”. Em poucas palavras: não gosto de histórias com extraterrestres. Quero dizer, depois de “A 5ª Vaga”, o mais correcto é dizer que NÃO GOSTAVA de histórias de extraterrestres!
  
 
 
Sinopse:
A 5ª Vaga, o volume que dá início à trilogia com o mesmo nome, é uma obra-prima da ficção científica moderna. É um épico extremamente original, que nos apresenta um cenário de invasão extraterrestre do planeta Terra como nunca antes foi escrito ou sequer imaginado. Nesta narrativa assombrosa, uma nave extraterrestre fixa-se na órbita da terra, à vista de todos mas sem estabelecer qualquer interação. Até que, subitamente, uma gigantesca onda eletromagnética desativa todos os sistemas da Terra, e todas as luzes, comunicações e máquinas deixam de funcionar. A esta primeira vaga seguem-se outras, num crescendo de violência que devasta grande parte da humanidade.”
 
 

Finda a leitura deste livro só posso dizer que o seu único defeito é o seu tamanho: 400 páginas não chegam! Quero mais. Não quero que esta história termine. Preciso de continuar a acompanhar os restantes humanos na sua luta pela sobrevivência.
 
 
Este livro surpreendeu-me pela sua originalidade e conseguiu converter uma pessoa “anti- histórias-de-extraterrestres” numa fã de Rick Yancey e da incrível história que escreveu.
A sua escrita é clara e fomenta uma leitura rápida. Os diferentes pontos de vista em que a história é contada aumentam a curiosidade do leitor e tornam a história muito mais completa. Os toques de humor inteligentemente adicionados à trama são a cereja no topo do bolo e a forma como o autor decide desenvolver a obra é, à falta de melhor palavra, perfeita! Há um crescendo constante de intensidade que obriga o leitor a ler sempre mais uma página na expectativa de saber que mais surpresas é que “A 5ª Vaga” lhe reservou.
O mais difícil, agora, será mesmo lidar com a ansiedade de ler o próximo volume desta trilogia que tem tudo para se tornar um clássico da ficção científica!
 
 
A crítica refere-se a esta obra como sendo uma leitura compulsiva, imperdível e superior a qualquer outra do mesmo género. Eu ouso discordar desta afirmação dizendo antes que se trata de uma leitura incrivelmente compulsiva, completamente imperdível e indubitavelmente superior a qualquer outra do mesmo género!
Fãs de livros de ficção científica: não podem deixar esta obra escapar-vos. A sério.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

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46ª Entevista: Rita Redshoes (artista portuguesa)


Rita Redshoes

(Foto por WeAreNot!)

Nascida em 1981, Rita Pereira deu os primeiros passos na música na banda Atomic Bees e posteriormente como teclista de David Fonseca, com quem gravou a música “Hold Still”. Mas foi em 2007 que nasceu Rita Redshoes e Portugal se rendeu ao seu talento com o tema “Dream on Girl”. Lançou no ano seguinte o seu álbum de estreia como artista solo, “Golden Era” e decorridos apenas 2 anos lança o seu segundo disco “Lights and Darks”.

Foram precisos 4 longos anos de espera, mas esta compensou pois os seus fãs foram brindados este ano com o terceiro e seu mais recente trabalho – “Life is a Second of Love”.

Estivemos à conversa com a Rita e foi isto que ela nos revelou...


A todas as bandas/músicos, o FLAMES pergunta...

Porque escolheu o nome artístico Rita Redshoes?
Bom, foi um pouco inconsciente. Tinha de encontrar um nome com brevidade porque ia entrar na colectânea da FNAC em 2007. Andei duas semanas a pensar nisso até que numa noite sonhei com esse nome. Gostei do nome pois não só o associo a artistas como a Kate Bush ou o David Bowie, mas também ao cinema como o filme “O Feiticeiro de Oz”.
Os sapatos vermelhos têm um certo poder, são como um feitiço e quando os calçam algo acontece.
Sou uma pessoa extremamente tímida e queria ver como é que esse nome me ajudaria a experienciar esse poder.

Para além de, obviamente, Kate Bush e David Bowie que outros artistas a inspiram?
Tenho um gosto muito diversificado e também influenciado pelo facto de ter estudado música clássica. Gosto de Maria Callas, Nina Simone mas também PJ Harvey. Foco mais as mulheres e a sua escrita feminina…mas também outros como Leonard Cohen, Nick Cave…

Qual o local onde mais gostaria de actuar?
Gostava muito de tocar em Hong Kong (risos).
  
Porquê?
É uma cidade que me fascina.

Mas já lá esteve?
Não. Assim juntava-se o útil ao agradável! Gosto do contraste de culturas e queria saber como é que a minha música iria funcionar lá.

Que cartaz ou mensagem gostaria de ver ser erguida no meio do público durante um concerto seu?
(pensa durante uns instantes) Assim de repente, acho que uma coisa simples como “Rita fazes-me sorrir”.

Lembra-se de alguma situação caricata que tenha ocorrido num dos seus espectáculos?
Sim, uma bastante embaraçosa na qual me senti envergonhada:
Quando andava em tourné em 2008 e 2009 costumava dormir nas carrinhas e uma noite em que ia actuar em Estarreja fiquei de tal forma confusa com o local onde estava que disse “Boa noite Esposende”!

E o público reagiu de imediato ou só no fim do concerto é que alguém lhe disse alguma coisa?
Reagiu logo. Disseram: “Buuuuuu” (risos).

  À Rita Redshoes o FLAMES pergunta...

Já participou na composição de bandas sonoras para o cinema e teatro. O processo de composição de bandas sonoras é diferente do de compor um álbum de estúdio por ter de integrá-las numa história que já existe ou acaba por ser semelhante?
Não, os processos são muito diferentes. Para além de no teatro e cinema haver uma adequação da música às imagens e à história, o próprio formato é diferente.
Num disco as músicas seguem determinadas regras, têm normalmente entre 3 a 4 minutos e pode-se acrescentar ou não mais um refrão.
No teatro não há essas regras. A música está ao serviço de fazer imagens, dá-nos uma liberdade interessante.

Gosta de ambas da mesma forma?
Sim, gosto muito de ambas.

Em todos os seus álbuns a Rita canta em inglês. Qual o motivo por detrás dessa escolha?
A escolha na altura não foi bem escolha. Quando tinha 14 anos entrei para a banda do meu irmão, os Atomic Bees, para ser a vocalista. Na altura era uma miúda e apenas queria cantar. Comecei a escrever em inglês e a conhecer-me nessa língua.
Não ponho de parte fazer um disco ou participar num projecto em português, é a minha língua e é lindíssima. Só que tem uma sonoridade muito específica e ainda não encontrei o meu processo de a cantar. Cada sílaba, cada palavra são muito específicas.

Recentemente entrevistámos o Noiserv e ele referiu que cantar em inglês, ao contrário do que se possa pensar, não faz com que um artista tenha mais facilidade em internacionalizar-se. Qual é a sua opinião acerca disto?
É a mesma. O David (Noiserv) e eu temos essa noção. Não é por cantar em inglês que se abre portas lá fora. Os artistas que cantam em português, como quem canta fado, têm mais facilidade em entrar nos países estrangeiros em comparação com quem faz pop ou rock pop em inglês.
O português é uma língua muito identitária do seu país e torna-se mais difícil a quem canta em inglês “furar” esses mercados.

Recentemente deu uma entrevista ao Jornal Público no suplemento Ípsilon cujo título é “Rita Redshoes é outra, não é a mesma”. Como é a nova Rita?
Bom, isso é a visão de quem escreveu o artigo, o Gonçalo Frota.
Acho curioso porque eu não tinha essa noção mas quando a minha família e os meus amigos ouviram o meu novo álbum disseram que soava a mim mas também a algo diferente.
De facto, houve um amadurecimento de questões na minha vida nos últimos anos, de experiências que me levaram a escrever um álbum assim, de uma forma mais directa, mais crua, mais com uma voz de mulher e menos de menina.

Quando começou a produzir este seu 3º álbum, “Life is a Second of Love”, já sabia qual o
caminho que pretendia trilhar ou a inspiração e as ideias surgiram durante a própria gravação do disco?
Algumas músicas foram, de facto, surpreendentes.
Eu sou um bocado desorganizada a compor e por vezes comecei uma música que só terminei passados alguns meses. Quando compus este álbum, ao longo de 4 anos, aconteceram muitas coisas e pude organizar as minhas próprias experiências e resolver algumas questões na minha vida.
Não tinha nada de muito programado quando comecei a trabalhar neste disco, apenas sabia que queria adicionar-lhe dois pormenores: queria incluir o silêncio em conjunto com a música e queria um álbum mais despido em termos de orquestração.


Como serão os espectáculos ao vivo da “nova” Rita Redshoes? Já está a pensar neles?
Sim, ainda estou a planear os meus espectáculos. Confesso que tenho tido uma inclinação para não fazer o que fiz nos espectáculos anteriores em que usava muitos adereços e compunha mais o cenário. Agora não quero enfeitar tanto o palco, não quero distrair as pessoas pois quero que prestem mais atenção à música e à letra.
Confesso que não quero que se distraiam.

Quando olha para trás e revê toda a sua carreira está plenamente satisfeita com tudo o que fez ou se tivesse oportunidade mudaria alguma coisa?
Não gosto de dizer que não me arrependo de nada. Há coisas que provavelmente faria de forma diferente. Mas gosto de pensar que fiz um bom trabalho e estou em paz comigo e com as coisas que fiz. No geral, estou satisfeita com o meu trabalho.
  
Um enorme obrigada à Rita pelo seu tempo, disponibilidade e ENORME simpatia!
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