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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

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Série: Arrow


 
 
Ano de Estreia: 2012
Nº Episódios: 27
Género: Fantasia, Ação, Drama
Produtores: Greg Berlanti, Marc Guggenheim, Andrew Kreisberg

 

 
Numa época em que a cada dia que passa mais uma série estreia, não foi com grande surpresa que descobri que mais uma nova série sobre um super herói tinha sido criada.
Desta vez, o protagonismo recai em Green Arrow, uma relativamente conhecida personagem de banda desenhada.
 
A história começa com o improvável resgate de Oliver Queen de uma ilha desconhecida no meio do oceano. O jovem milionário esteve desaparecido durante 5 anos depois do iate em que seguia ter naufragado, morrendo todos os restantes tripulantes, incluindo o seu pai.
Quando regressa à sociedade, Oliver percebe que não é o mesmo jovem frívolo e fútil de outrora. A verdade, é que o milionário passou os 5 anos na ilha a treinar para um dia cumprir o último desejo do seu pai: corrigir todos os erros cometidos pela família Queen e castigar todos os oportunistas e criminosos que têm levado a sua cidade, Starling City, à decadência.
Assim, surge um novo super-herói: durante o dia, Oliver não passa de um jovem milionário irresponsável para à noite se transformar num vingador, num guerreiro sem medo e sedento por justiça, o Green Arrow.
 
O grande problema desta série é estar 10 anos atrasada. Porquê? É simples: na última década o mundo das séries de televisão sofreu uma enorme evolução, tendo a forma de pensar e de realizar as séries mudado drasticamente e, assim, nos dias de hoje surgem séries originais e que testam novos limites.
No caso de “Arrow” nada disto aconteceu. Esta é uma série demasiado previsível, com todos os clichés que se pode esperar de uma série de super heróis típica da década de 90. As semelhanças com a história do Homem Aranha ou do Super Homem são por demais evidentes: o típico herói que durante o dia é um zé-ninguém para à noite se tornar num grande guerreiro e impressionar tudo e todos, até a mulher dos seus sonhos que não imagina que o falhado que faz questão de ignorar durante o dia é o herói que a deixa rendida à noite.
É tudo tão previsível que no início de cada episódio é possível adivinhar-se o que vai acontecer, o que torna esta série numa verdadeira tortura e perda de tempo.
Volto a repetir, o problema desta série foi o seu timing: apareceu numa altura em que a qualidade de muitas séries é tão elevada que mais uma história de super heróis não vem acrescentar nada aos fãs de séries televisivas.
Uma série que, definitivamente, não aconselho.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

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Passatempo: 71º Passatempo do FLAMES


Temos mais um passatempo para vocês!

Em parceria com a Editora Objectiva, temos um exemplar do livro “A Escola Nocturna – O Legado” de C.J. Daugherty para oferecer ao feliz contemplado:

Sinopse:

Um mundo de mistério, um mundo de segredos, um mundo de perigos… e o coração dividido entre dois amores.

“A vida Allie está a desmoronar-se: detesta a cidade em que vive, o irmão fugiu de casa e ela foi presa. Mais uma vez. Os pais decidem mandá-la para uma escola para jovens problemáticos. Cimmeria não é uma escola normal: fica longe de tudo, não permite o uso de computadores nem de telemóveis, e os alunos parecem ser todos ricos ou sobredotados.
Ainda assim, a vida parece correr bem a Allie. Faz novos amigos e um dos rapazes mais atraentes da escola dedica-lhe toda a sua atenção. E há ainda Carter, um rapaz solitário com quem Allie tem uma grande afinidade.
Tudo parece perfeito, até que Cimmeria começa a tornar-se um lugar muito perigoso, onde ninguém está a salvo. Nada é o que aparenta, e até Allie descobre que não é quem pensava. Enquanto investiga os obscuros segredos da escola, Allie tem de decidir em quem confiar. E quem amar.”

Têm até ao dia 7 de Novembro para participar.

 Preencham o formulário abaixo disponibilizado e… Boa Sorte!!
Notas:
- O FLAMES não se responsabiliza por extravios ou qualquer dano que o prémio sofra durante a sua entrega; 
- Após o anúncio do vencedor, este tem 4 dias úteis para responder ao nosso e-mail enviando-nos os seus dados; findo esse prazo,a ausência de uma resposta, o FLAMES sorteará um novo vencedor;
- Caso não vos apareça a setinha para descerem (no formulário), cliquem nele e desçam usando a seta do teclado :) Qualquer problema adicional, contactem-nos.

 PASSATEMPO TERMINADO

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

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Livro: Os livros que devoraram o meu pai




Título: Os livros que devoraram o meu pai
Autor: Afonso Cruz
Editora: Caminho
Páginas: 128

Sinopse do Livro:

Vivaldo Bonfim é um escriturário entediado que leva romances e novelas para a repartição de finanças onde está empregado. Um dia, enquanto finge trabalhar, perde-se na leitura e desaparece deste mundo. Esta é a sua verdadeira história - contada na primeira pessoa pelo filho, Elias Bonfim, que irá à procura do seu pai, percorrendo clássicos da literatura cheios de assassinos, paixões devastadoras, feras e outros perigos feitos de letras.

Opinião:Este livro entrou em minha casa e estatelou-se, a grande velocidade, na minha estante dos "Livros Favoritos". Não foi um processo muito difícil, antes pelo contrario, foi bastante natural tendo sido o primeiro livro de Afonso Cruz que li. Já há muito tempo que desejava fazê-lo e foi com este pequeno tesouro da Caminho que concretizei essa vontade. 
Esta história é deliciosa e perfeita para qualquer conhecedor e amante da literatura. A originalidade desta obra bem como a forma brilhante com que nos apresenta frases para reflectir, tornam-na numa obra prima incomum.
Cada vez mais me apercebo que Portugal tem escritores geniais que, só por não terem um nome sonante ou estrangeiro, por vezes são esquecidos ou, simplesmente, não lhes é reconhecido o verdadeiro valor. Isto não pode acontecer a Afonso Cruz, e estou desejosa por voltar a ler outros livros dele. Cativou-me desde a primeira folha! Para aumentar o gosto pelo livro, o autor coloca um cão com o nome do... meu cão Argos (que, já agora, também é o nome do cão de Ulisses)!
Este livro é composto por algumas críticas nas entrelinhas, originalidade na forma (e não só no conteúdo) da escrita, bem como humor do mais requintado que há.
Com esta obra, Afonso Cruz fala num homem que se perde nos livros, e com este livro quase que somos, também nós, devorados por ele pois é praticamente impossível parar de o ler. Mas não se preocupem, ainda cá estou... ainda não fui devorada por ele (ou talvez até seja devorada por livros todos os dias... simplesmente não me tinha apercebido disso antes).

Uma das administradoras do blogue com o autor Afonso Cruz - Junho 2013

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

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25ª Entrevista: William Landay (escritor)


 William Landay

WIlliam Landay © John Earle

William Landay nasceu em 1963 em Boston e não é um mero escritor. Antes de se dedicar aos livros, William foi advogado. Em 2003 ganhou o prémio de melhor debut crime novel pela British Crime Writers Association logo com o seu primeiro livro - Mission Flats. Mas este foi apenas o seu primeiro prémio... Dos seus livros (3 até agora) 2 ganharam prémios e 1 foi nomeado. Vamos conhecê-lo melhor...

Siga o seu trabalho no seu site oficial - http://www.williamlanday.com/


Qual é a sua nacionalidade: Norte-Americano


O seu Filme favorito: Gosto de demasiados filmes para poder escolher apenas um. Alguns dos meus favoritos, daqueles que me lembro assim de cabeça são: “Chinatown”, “The Shawshank Redemption”, “The Godfather 1 e 2”, “Raging Bull”, “Casino” … e muitos outros.

 O seu Livro favorito: Novamente, há demasiados bons livros para que eu possa escolher apenas um: “The Great  Gatsby”, “The End of the Affair” de Graham Greene, “A Perfect Spy” de John le Carre, “Love in the Time of Cholera” de Gabrial Garzia Marquez, “The Age of Innocence” de Edith Wharton, “”Atonement” de Ian McEwan, “Lonesome Dove” de Larry mcMurtry (“Lonesome Dove” é sobre uma deslocação de uma manada no Oeste Americano há um século atrás – é um excelente livro).
O seu Anime favorito: Não tenho.
O seu Manga favorito: Não tenho.
O seu programa de Entretenimento favorito: Desportos, normalmente Basebol, Basquetebol ou Futebol Americano.
A sua Série de televisão favorita: “The Wire”


1- Alguma vez se imagina como sendo uma personagem dos seus próprios livros. Ou há alguma personagem com a qual se identifique?

 Nunca. As minhas personagens são ficcionais. Nunca as imagino como sendo eu mesmo.


1- Do you imagine yourself as a character of your own books? Or, is there any character you identify with?

Never. My characters are fictional. I never imagine them as myself.

2- Como é que as redes sociais (como por exemplo o Goodreads) alteraram a relação que os escritores têm com os seus fãs nos dias de hoje? Como é que isso aconteceu consigo?

É óbvio que as redes sociais permitem aos leitores chegarem diretamente ao escritor. Eu gosto de falar com os leitores, mas isso pode tornar-se difícil pois consome imenso tempo e cada hora que passamos a responder aos e-mails dos leitores é mais uma hora que não podemos passar a escrever.


2- How did social networks (such as Goodreads) change the relationship that writers and fans have nowadays? How was it for you?

 Obviously it allows readers to reach the writer directly. I enjoy speaking with readers, but it can be difficult because it is very, very time-consuming, and every hour you spend answering reader’s emails is an hour that you cannot spend writing.


3- De que forma é que acha que a sua profissão de advogado influencia os seus livros? Sente-se uma pessoa privilegiada?

 A minha experiência como advogado dá-me uma fluência na linguagem e procedimentos que os advogados e polícias utilizam. Mas eu nunca me baseio diretamente nos meus casos da vida real.

 Agora em relação a ser um privilegiado, sim, sem dúvida que é um privilégio ser um escritor nos dias de hoje. Há muito poucas pessoas que conseguem escrever profissionalmente como eu. É um presente do qual estou grato todos os dias.


3- In what way do you believe that your work as a lawyer influenced your books? Do you feel that you are privileged?


My experience as a lawyer gives me a fluency in the language and procedures lawyers and cops use. But I never draw directly on my own cases.

As for whether I am privileged, yes, it is definitely a privilege to be a writer in today’s world. There are very few people who get to write professionally, as I do. It is a gift I am grateful for every day.

4- No livro “Em Defesa de Jacob” falou sobre genética e a sua influência no nosso comportamento. Foi difícil a pesquisa que teve de fazer?

 Não, a pesquisa é divertida. Escrever sobre isso é que é difícil.


4- You talked in the book Defending Jacob about genetics and the influence of it on our behavior. Was the research hard to do?

No, the research is fun. It’s the writing that’s hard.


5- Tem algum conselho que gostaria de dar àqueles que estão a pensar em escrever o seu primeiro livro?

Trabalhem muito. Ignorem os céticos. Acreditem em vocês e no vosso livro.


5- Do you have any piece of advice for those who are thinking about writing their first book?

 Work hard. Ignore skeptics. Believe in yourself and in your book.


6 – Colocámos um desafio ao nosso último escritor entrevistado, o português Álvaro Cordeiro: o que perguntaria ao próximo escritor que entrevistaremos, mesmo sem saber de quem se trata? Eis o que ele respondeu: "porque é que vale a pena criar?"

Criar é algo que os escritores simplesmente têm que fazer. É a forma como pensamos, a forma como entendemos o mundo à nossa volta.


6- We presented our last interviewed writer, the Portuguese Álvaro Cordeiro, a challenge: what would you like to ask to the next writer even without knowing who he or she is? We always do it. Is a way to connect all interviews. That’s what he said: Why is it worth to create?

 Creating is something writers simply have to do. It is the way we think, the way we understand the world around us.


7- Agora diga-nos: o que gostaria de perguntar ao próximo escritor?

 No fim da sua vida, o que gostaria que as pessoas dissessem sobre os seus livros ou sobre a sua escrita? Como gostaria de ser recordado enquanto artista?


7- Now tell us: what would you like to ask to the next writer?

At the end of your life, what would you like people to say about your books or your writing? How would you like to be remembered as an artist?

Muito obrigada por esta oportunidade!

Thank you so much for this opportunity!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

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Livro: Mães e Filhas com História


 
Ano de Edição: 2013
Género: Histórico, Romance
Autor: Fátima Lopes

 

Fátima Lopes é conhecida pela maioria das pessoas como uma das mais conceituadas apresentadoras de televisão em Portugal. Contudo, há já alguns anos que Fátima Lopes se aventurou pelas lides da escrita, tendo-se tornado, quase de imediato, numa autora bestseller.
 Esta ano, Fátima Lopes decidiu enveredar por um caminho diferente e publicou o seu primeiro romance histórico – “Mães e Filhas com História”. Este foi mesmo o primeiro livro da escritora que tive o prazer de ler e a minha opinião não podia ser mais positiva.
 
Neste livro, o leitor encontra, por ordem cronológica, dez duplas de mães e filhas cuja memória ficou para sempre registada nos livros de História de todo o mundo:
 
- D. Leonor Teles e D. Beatriz
- D. Filipa de Lencastre a D. Isabel de Borgonha
- Joana, a Louca, e Catarina de Áustria
- D. Catarina de Médicis e Rainha Margot
- D. Luísa de Gusmão e D. Catarina de Bragança
- D. Leonor de Távora e D. Mariana Raimunda
- D. Maria Teresa e D. Maria Antonieta
- D. Leopoldina de Habsburgo e D. Maria II
- Imperatriz Sissi e Maria Valéria
- Alexandra e Anastácia Romanov
 
Ao longo de cada capítulo, acompanhamos as aventuras e desventuras destas mães e filhas que, em épocas de dificuldades acrescidas para as mulheres, conseguiram deixar o seu cunho na vida daqueles com quem se cruzaram e ainda hoje as suas histórias são recordadas e recontadas por historiadores e aficionados de História.
 
Terminada a leitura deste livro um primeiro pensamento surgiu na minha mente: a premissa apresentada por Fátima Lopes, no início do seu livro, concretizou-se na sua plenitude. De facto, é notável a exímia seleção que a autora fez das histórias a explorar, pois todas elas apresentam um lado completamente diferente daquela que pode ser a relação entre uma mãe e a sua filha.
É impossível não nos admirar com as personalidades fortes das mulheres que povoam este livro, com as decisões difíceis que tiveram de tomar e com as dificuldades que conseguiram ultrapassar.  
Outro aspeto que salta à vista ao leitor, logo no primeiro capítulo, é a profunda pesquisa que Fátima Lopes teve de encetar para escrever este livro, pois ele está repleto dos factos históricos mais conhecidos mas também de acontecimentos desconhecidos pela maioria das pessoas que nos permitem ir mais longe, perceber melhor aquilo que aconteceu há tanto tempo atrás.
 
Quer se ame quer se odeie as protagonistas deste livro, a verdade é que indiferença é uma palavra que não tem lugar na mente de quem lê “Mães e Filhas com História”. Qualquer apaixonado por História irá, com certeza, apreciar a leitura deste livro que, na sua simplicidade, faz-nos perceber que a História está repleta de personagens fascinantes, complexas e absolutamente marcantes.
 
 
Um livro que recomendo!

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

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Filme: O Grande Gatsby (2013)

 


Título original: The Great Gatsby
Duração: 143 minutos
Género: Drama e Romance
Realizador: Baz Luhrmann
Cast: Leonardo DiCaprio
Carey Mulligan
Joel Edgerton


O filme "The Great Gatsby" foi um filme sensação, ou não fosse uma adaptação de um dos clássicos mais amados na história da literatura.
O filme, a meu ver, está absolutamente genial (talvez o facto de eu AMAR o filme Moulin Rouge tenha contribuído). Porquê Moulin Rouge? Apesar de não se tratar de um musical, O grande Gatsby teve, a meu ver, uma grande influência do filme protagonizado por Nicole Kidman e Ewan McGregor.

Uma das razões que contribuíram para o meu agrado foi, sem dúvida, a prestação dos dois actores principais que foram ABSOLUTAMENTE maravilhosos.
Leonardo DiCaprio está soberbo! O papel parece ter sido feito para ele. Mulligan não lhe ficou atrás e apresenta um jovem inocente e ingénuo de forma estrondosa. E já que estamos a falar de personagens... que tal dar-vos a conhecer um pouquinho da história?

Esta história é-nos contada na primeira pessoa pela voz de Nick Carraway, um jovem que mora ao lado de uma enorme mansão. Esta, por sua vez, é habitada pelo multimilionário Gatsby que, todas as noites, dá uma grande festa onde ninguém é convidado, mas todos aparecem. Mas, porque é que isto acontece? E qual é o intuito de Gatsby quando envia um convite para uma das suas festas a Carraway (a única pessoa a receber um convite dele)?
A partir daí entramos num mundo repleto de glamour, encanto e mistério.

É um filme previsível? Sim, talvez seja... mas com a quantidade de filmes que já vi começo a debater-me com algumas questões. Cada vez menos me preocupo com a questão da previsibilidade da história e procuro, nos filmes, outros pontos de interesse: a imagem (que aqui está maravilhosa), o guarda roupa (que aqui está de tirar o fôlego), a banda sonora (que me surpreendeu bastante), a representação dos vários autores (que foi estrondosa), enfim... tudo coisas que tornaram este filme, para mim, numa história inesquecível.

Aqui fica o link para o trailer: http://www.youtube.com/watch?v=qSOgWVlAMsg

domingo, 20 de outubro de 2013

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70º Passatempo do FLAMES (em parceria com a editora Alfarroba)


Cliquem na imagem ou AQUI para participar :) BOA SORTE

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

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Filme: Joshua


 
 
Título Original: Joshua
Ano de Estreia: 2007
Género: Suspense, Terror, Drama
Realizador: George Ratliff
 
 

Muito recentemente foi transmitido o filme “Joshua” na televisão em Portugal, com um trailer que prometia: um jovem rapaz aterroriza os seus pais ao demonstrar tendências psicopatas e, assim, levando a cabo ações verdadeiramente maquiavélicas.
 
De fato, a história consiste nisso mesmo: um jovem rapaz, Joshua, não aceita a atenção que os seus pais dão à sua irmã recém-nascida e enceta uma série de acontecimentos que irão tornar a vida dos seus pais num verdadeiro pesadelo. A questão é que parece que ninguém consegue acreditar que o pequeno e aparentemente inocente Joshua pode, na verdade, ser um génio do mal, e são os seus pais quem ficam no centro de toda a confusão.
Afinal, são os progenitores que estão a imaginar coisas ou o seu filho é, na realidade, uma mente distorcida?
 
Depois de ver o filme uma coisa é certa: a trama não foge muito àquilo que prometia. O principal problema reside na concretização. Basicamente, tudo esteve errado neste filme.
A caraterização das personagens e os cenários fizeram-me acreditar que se trata de um filme com quase 20 anos, quando na verdade é relativamente recente (cerca de 6 anos).
A história é incrivelmente enfadonha e esperamos quase até meio do filme para que alguma coisa de interessante aconteça.
A trama é desenvolvida da forma mais previsível possível, sendo que é possível a quem está a ver o filme adivinhar o que vai acontecer com muita antecedência.
A grande estrela do filme, Vera Farmiga, aqui no papel da mãe desesperada, não conseguiu convencer e nada fez nesta história para além de nos apresentar uma personagem demasiado irascível e que não consegue provocar qualquer empatia nos espetadores.
O final foi demasiado sensaborão, previsível e precipitado: pareceu que o realizador queria acabar a história a todo o custo e em poucos minutos concluiu o filme.
 
 
Como fã de filmes de suspense e terror, não tenho quaisquer dúvidas em colocar “Joshua” na lista dos piores filmes deste género que alguma vez vi. Não compensa os minutos perdidos, pelo que o meu conselho é nem sequer pensarem em vê-lo – escolham outros filmes muito melhores que serão realmente assustadores e vos manterão “presos” até ao último segundo.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

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Livro: A Conspiração de Papel



Editora: Saída de Emergência
Ler excerto do livro: Cliquem AQUI
Informações sobre o Livro de Bolso: AQUI
Informações sobre o Livro em tamanho normal: AQUI
Nº de Páginas: 655 (versão de bolso)

Prémios ganhos:Barry Award for Best First Novel (2001)
Macavity Award for Best First Mystery Novel (2001)
Anthony Award Nominee for Best First Mystery (2001)
Edgar Award for Best First Novel (2001)

Já há muito tempo que tinha curiosidade em ler este livro, mas infelizmente o tempo não dá para tudo. Como já devem ter entendido, Richard Zimler é, neste momento, o meu escritor favorito. Estou apaixonada pela sua escrita e pelas temáticas que aborda. Daí até ler David Liss, foi um passo rápido e bastante óbvio para mim.
Depois de o ler posso dizer que "A Conspiração de Papel" é dos livros com o qual mais aprendi, e eu gosto de aprender com os livros! Ler uma história só por ler não me diz nada. Para além do mais, é o romance histórico mais divertido que li em toda a minha vida e, como tal, já se tornou num dos meus livros favoritos de sempre!

A história é absolutamente deliciosa: Benjamin Weaver é judeu e separou-se da sua família desde muito cedo por não se dar bem com eles, especialmente com o pai. Para conseguir sobreviver, passou por imensos ofícios: foi ladrão, boxeur, etc. Agora, para além de ser um espadachim exímio, é detetive e ganha a vida a encontrar o que as pessoas procuram sem achar (objectos pessoais, pessoas, ladrões, assassinos). É neste contexto que Benjamin é abordado por  um senhor para descobrir um mistério que, entre os vários contornos que assume, fará com que Benjamin acabe por investigar a morte do seu próprio pai.

O livro é brilhante. As tramas, os enganos, os enlaces, as relações, enfim.. os últimos capítulos são mesmo de tirar o fôlego e deixam o leitor absolutamente deslumbrado com a escrita de David Liss e a sua capacidade para engendrar tamanho enredo. Escrito como se se tratasse de um livro de memórias do próprio protagonista, este livro está redigido de forma simples sem ser simplista, divertida e permite-nos ter acesso a todos os pensamentos, sentimentos e emoções de Benjamin.

Trata-se de um livro cujo autor teve de fazer muita pesquisa histórica (e fê-lo muito bem!) e cuja personagem principal foi inspirada numa pessoa verídica: Daniel Mendoza, um destemido e famoso boxeur..

Curiosidades: Sabiam que David Liss adora Portugal e já cá veio várias vezes? Não é por acaso que um dos seus livros se chama O Mercador Português

Por: Roberta Frontini

domingo, 13 de outubro de 2013

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69º Passatempo (em parceria com o autor Carlos Nuno Granja)


 

Há casamentos destinados ao fracasso, e outros que sabemos que funcinarão bem. Este livro é um casamento perfeito! Porquê? Porque junta fotografia a poesia de alta qualidade.

Em parceria com o autor temos para oferecer 1 exemplar deste livro à pessoa sorteada pelo random.org.

PASSATEMPO TERMINADO!

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

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Livros: Coleção Arrepios



Nome Original: Goosebumps
Ano de Estreia: 1992
Género: Terror
Nº de Livros: 62
Autor: R.L.Stine

 

A década de 90 marcou muitos adolescentes, apaixonados por histórias de pôr os cabelos em pé, tudo graças a uma coleção de livros que se tornou um culto para muitos leitores em todo o mundo – “Arrepios”.
 
O autor, o norte-americano R.L. Stine, descobriu a fórmula perfeita que lhe permitiu alcançar um número de meter inveja a muitos escritores conceituados: mais de 300 milhões de livros vendidos em todo o mundo!
O seu segredo? Uma linguagem simples, acessível a qualquer jovem, histórias originais e assustadoras com finais surpreendentes.
 
É verdade que o nível de qualidade não é o mesmo em todos os livros, sendo que algumas histórias não conseguem cumprir o seu propósito – entreter assustando ao mesmo tempo – mas alguns livros, bastantes até, conseguiram assustar até o mais valente leitor e ainda hoje perduram na memória dos fãs desta coleção.
Para meu deleite, e de muitos outros fãs de certeza, a fama da coleção levou a que uma série de televisão fosse criada, sendo que cada episódio correspondia a um livro. É verdade que a série não era tão interessante e intensa como os livros mas, nessa altura, tudo o que levasse o carimbo “Arrepios” era sinónimo de bom.
 
 
 Agora, passados tantos anos, não faz qualquer sentido aos fãs desta coleção de livros voltar a lê-los, já que estes foram objetivamente escritos para crianças e adolescentes e agora não passariam de uma leitura demasiado simples e sem qualquer toque de terror. Mas é sempre bom recordar, com saudade,  um autor e os seus livros que nos proporcionaram muitas horas de uma leitura entusiasmante e agradável.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

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Anime: Ponyo (2008)





Título original: Gake no ue no Ponyo
Título Português: Ponyo à Beira-Mar
Ano: 2008
Director: Hayao Miyazaki
Writer: Hayao Miyazaki
Country: Japan
Language: Japanese
Duração 101 minutos

Quando se fala em Animes, para mim, um nome incontornável é o de Miyazaki e as suas obras têm-me deliciado! Todas elas, por motivos diferentes.
Ponyo cativou-me pela simplicidade das personagens e pelas imagens fenomenais. Há muito tempo que não via ilustrações tão bonitas num anime.
A "fofura" das personagens, principalmente de Ponyo, foi outro dos motivos pelo qual este anime me atingiu no coração. E claro, apesar de ser um anime menos sério, Miyazaki não deixa de nos dar o seu toque pessoal e de demonstrar as suas preocupações ambientalistas para com o planeta terra.

A história inicia-se com um rapaz de apenas 5 anos que "apanha" um peixe especial...ao qual chama de Ponyo. E ambos se apaixonam... mas as coisas não parecem correr bem para eles.. alguém não quer Ponyo fora de água e tem um motivo forte para isso!

Um anime que ACONSELHO vivamente aos amantes deste género, bem como a pais que tenham filhos a quem estejam interessados em incutir bons costumes e práticas ou, simplesmente, para com eles passarem um bom tempo...

sábado, 5 de outubro de 2013

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Passatempo: 68º Passatempo do FLAMES (em parceria com a Editorial Presença)

Temos mais um passatempo em parceria com a Editorial Presença.
Desta vez, o prémio é um exemplar do livro best-seller editado este mês “O Silo”, de Hugh Howey:

 




Sinopse
Num mundo pós-apocalíptico, encontramos uma comunidade que tenta sobreviver num gigantesco silo subterrâneo com centenas de níveis, onde milhares de pessoas vivem numa sociedade completamente estratificada e rígida, e onde falar do mundo exterior constitui crime. As únicas imagens do que existe lá fora são captadas de forma difusa por câmaras de vigilância que deixam passar um pouco de luz natural para o interior do silo. Contudo há sempre aqueles que se questionam... Esses são enviados para o exterior com a missão de limpar as câmaras. O único problema é que os engenheiros ainda não encontraram maneira de garantir que essas pessoas regressem vivas. Ou, pelo menos, assim se julga...
O Silo é uma leitura fascinante, com personagens bem caracterizadas e um ambiente rico em texturas e notações sensoriais onde paira sempre o mistério, que já foi comparado a 1984, de George Orwell, e a Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.

 
 Têm até ao dia 13 de Outubro para participar.

Preencham o formulário abaixo disponibilizado e… Boa Sorte!!


Notas:
- O FLAMES não se responsabiliza por extravios ou qualquer dano que o prémio sofra durante a sua entrega. O seu envio será feiro, gentilmente, pela Editora;
- Após o anúncio do vencedor, este tem 4 dias úteis para responder ao nosso e-mail enviando-nos os seus dados; findo esse prazo, na ausência de uma resposta, o FLAMES sorteará um novo vencedor;
- Caso não vos apareça a setinha para descerem (no formulário), cliquem nele e desçam usando a seta do teclado :) Qualquer problema adicional, contactem-nos.

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Passatempo: 67º Passatempo do FLAMES (em parceria com a PortugalMundo)


Bom dia!! Em parceria com a PortugalMundo temos para vos oferecer
3 exemplares do livro...


Quinze temas (adivinhas, anedotas, canções, charadas, contos, curiosidades, fábulas, jogos, lendas, magia, poesias, provérbios, trabalhos manuais e teatro) completam este livro que vale pelo conteúdo, apresentação e linguagem.

"(...) Em meu entender, trata-se de uma obra muito útil, quer para os filhos, quer para os pais, os primeiros porque encontrarão nela abundante e sugestivo material que os ajude, não só a "matar o tempo", como a aprenderem a entreter-se sozinhos; os segundos porque acharão nela pretextos para se relacionarem melhor com os filhos. Este livro, além de suscitar o espírito criativo das crianças, ensina-lhes jogos tradicionais cuja prática se está a perder, o que de certo modo é um empobrecimento cultural. Recomendável para meninos e meninas, com mais de 8 anos, a obra, com 
valor lúdico e pedagógico, é servida por uma ilustração sugestiva."
Mário Braga, Escritor e Recenseador da Funda Fundação Calouste Gulbenkian Calouste

Participem até ao dia 14 de Outubro e... BOA SORTE!

Notas:
- O FLAMES não se responsabiliza por extravios ou qualquer dano que o prémio sofra durante a sua entrega. O seu envio será feiro, gentilmente, pela Editora;
- Após o anúncio do vencedor, este tem 4 dias úteis para responder ao nosso e-mail enviando-nos os seus dados; findo esse prazo, na ausência de uma resposta, o FLAMES sorteará um novo vencedor;
- Caso não vos apareça a setinha para descerem (no formulário), cliquem nele e desçam usando a seta do teclado :) Qualquer problema adicional, contactem-nos.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

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Filme: O Fiel Jardineiro


 
 
 
Título Original: The Constant Gardener
Ano de Estreia: 2005
Género: Drama, Mistério
Realizador: Fernando Meirelles
  

Devem ter sido poucas as pessoas que em 2005 não ouviram falar num dos filmes independentes com maior destaque de sempre – “O Fiel Jardineiro”.
Realizado por um dos maiores realizadores brasileiros, Fernando Meirelles, esta é uma história que perdura na mente daqueles que a viram durante muito, muito tempo.
 
Tudo começa quando uma ativista, Tessa Quayle, residente no Quénia é encontrada morta. À primeira vista, tudo indica que esta tenha sido assassinada por um antigo amigo que, misteriosamente, desaparece após este macabro incidente acontecer.
Contudo, há alguém que não se conforma com as evidências apresentadas e decide investigar a fundo o que realmente se passou. Essa pessoa é o viúvo de Tessa, o ativista Justin Quayle. Assim, contra tudo e todos, Justin embarca numa busca que o levará a três continentes, que o colocará frente a frente com os mais altos-comissários de poderosíssimas organizações e que só terminará quando o amargurado viúvo descobrir a enorme e perigosa conspiração que está por detrás da morte da sua esposa.
 
Este não é um filme para o grande público, nem me parece que tenha sido esse o objectivo de Fernando Meirelles quando decidiu produzir esta história. “O Fiel Jardineiro” apresenta uma trama pesada, sem grandes momentos de ação e fortemente alicerçada em diálogos algo complexos e longos.
O ponto forte da história é, inquestionavelmente, o mistério que se vai avolumando à medida que Justin, aqui brilhantemente interpretado pelo talentoso Ralph Fiennes, vai escavando cada vez mais fundo numa grande conspiração que se revela muito maior do que aquilo que ele alguma vez poderia ter imaginado.
As belas paisagens do país queniano são outro aspeto a destacar nesta história, sendo que o espetador é constantemente “inundado” com paisagens fantásticas.
O único aspeto negativo que tenho a destacar prende-se com o ritmo algo lento do filme, que acaba por causar algum tédio e impaciência em certas cenas. Contudo, parece que essa não era, de todo, uma preocupação para Meirelles pois é visível que o realizador preferiu dar o merecido destaque à história, não a tornando tão “hollywoodesca” como a maioria dos filmes que vemos.
Recomendo este filme a pessoas que gostem de produções como “A Cerca” e “Shooting Dogs”.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

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24ª Entrevista Álvaro Cordeiro (escritor)



Álvaro Cordeiro


Álvaro Cordeiro (pseudónimo), nasceu em Lisboa, em 1964. Licenciou-se em História e é professor do Ensino Básico e Secundário. Dedica-se ao teatro amador. Desde 1997, que tem uma atividade regular na escrita, representação e encenação. “Nós, Vida” é o seu primeiro livro. Vamos conhecê-lo um pouco melhor…

Qual é a sua nacionalidade: Sou português, nascido em Lisboa.

O seu Filme favorito: Ivan, o Terrível, de Serguei Eisenstein.

O seu Livro favorito: Os Miseráveis, de Victor Hugo.

O seu Anime favorito: Não tenho.

O seu Manga favorito: Não tenho.

O seu Espetáculo de música favorito: É difícil responder, é difícil particularizar. Considero a Ópera de Pequim um espetáculo sublime e esmagador, como acho admirável qualquer concerto de Frank Sinatra ou de Gilbert Bécaud, pelo poder artístico e comunicativo que eles tinham. Mas há muitas outras coisas fantásticas.

A sua Série de televisão favorita: Não sei responder. Não vejo séries de televisão com suficiente regularidade para ter um critério de escolha.
O seu livro foi criado através de um guião de teatro que já tinha feito, o que acaba por ser o processo inverso a que estamos acostumados. Como foi o processo de transformação do guião para livro?
Não é totalmente correto dizer que o livro foi criado através de um guião de teatro. Na realidade, a peça de teatro Nós, Vida foi escrita a partir de um livro anterior, que tinha outro título e um formato um pouco diferente. Essa obra inicial continha a essência de tudo, mas recebeu um grande impulso quando foi transformada em peça de teatro e, entre outras coisas, ganhou o título e o desenlace. Mais recentemente, perante a possibilidade de uma publicação, reescrevi todo o texto em prosa, partindo do guião da peça, que era, obviamente, a versão mais acabada duma obra que lhe era anterior. Essa reescrita resultou no romance Nós, Vida, que está agora disponível em livro, e-book e audiobook.

O seu livro, aos nossos olhos, é uma verdadeira ode ao amor. É um tema recorrente nas suas peças/guiões? Que outros temas gosta de abordar e/ou gostaria de abordar no futuro?
O amor é, sem dúvida, um tema muito presente no meu livro. Não sei se é um tema recorrente na minha escrita. Eu escrevo sobre o ser humano e aquilo que o constitui e move. Ora, o amor é talvez o maior motor do ser humano, ao longo da vida, por isso é natural que esteja muito presente naquilo que escrevo.
Também gosto de escrever sobre o tema da espiritualidade. Não no sentido cósmico ou esotérico e muito menos de forma simplória ou beatífica, pseudopsíquica ou pseudorreligiosa. O tema da espiritualidade atrai-me enquanto dimensão essencial e transcendente do ser humano, que unifica a sua vida e lhe confere um sentido maior. Porque todo o ser humano tem uma vida espiritual, mais ou menos ativa, qualquer que seja a fonte (cósmica, psicológica ou pneumática) donde reconheça que ela brota. Eu assumo a espiritualidade na conceção pneumática, como vida infundida na criatura pelo Espírito criador. Acho que acabo sempre escrevendo sobre isso e é, sem dúvida, um tema que também está muito presente em Nós, Vida.

Quanto ao futuro, direi que quase tudo o que escrevi até hoje é ficção localizada na atualidade. Espero um dia vir a abordar o romance histórico.

Neste seu livro todas as personagens se vão entrecruzando. A uma certa altura não foi para si confuso criar todos estes laços?
Foi mais surpreendente do que confuso. A escrita deste livro foi, no início, muito despretensiosa: comecei por redigir textos soltos, sem qualquer preocupação de ligação entre si, onde as personagens não tinham que estar relacionadas umas com as outras. À medida que a escrita se desenvolveu, começaram a surgir naturalmente os cruzamentos, quase como uma exigência das personagens à qual o autor foi cedendo com certa perplexidade. Depois, o livro esteve parado na gaveta vários anos, inacabado como a vida, que projeta sempre uma continuação ou um desfecho para o dia seguinte. Até que, a dada altura, o retomei para o transformar em peça de teatro. Foi aí que, fruto de uma reflexão madura sobre a intriga, as personagens e a mensagem de fundo, todas as relações e todos os episódios foram ordenados e completados em função de um desenlace. Reconheço que houve uma intervenção forçada para rematar uma sucessão de capítulos que poderia continuar indefinidamente, mas os laços entre as personagens já estavam estabelecidos de uma forma tão simples e natural que não chegou a ser confuso.
Parece-me estranho estar a dizer isto, porque a minha própria experiência de construção de intrigas é muito rebuscada e, por vezes, dolorosa. Com Nós, Vida tudo foi sempre muito transparente e fluido. É por isso que, enquanto autor, olho para este livro como uma espécie de essência pura, algo como uma escrita primordial.

No seu livro aparecem imensas personagens diferentes. Existe alguma mais próxima a si? Porquê?
Eu diria que todas as personagens são próximas de mim, todas possuem algo do que eu sou, ou do que já fui. Ou, eventualmente, do que um dia serei. Penso que se passará o mesmo com os leitores, porque todas as pessoas têm uma personalidade multifacetada e a descoberta disso é extremamente enriquecedora. O processo de reescrita sucessiva, ao longo dos anos, ajudou-me a perceber isso: eu morava muito no Milo e na sua obsessão de interioridade, quando iniciei a escrita do primeiro capítulo, há quase trinta anos; mas já tinha sentido muitas vezes a revolta do Max ou as dúvidas do Dino, que voltei a sentir depois. Mais tarde encontrei-me muito no Túlio, na sua serenidade conselheira, mas também na sua dor afogada. E, ao mesmo tempo, reconhecia-me na fragilidade da Anísia, que é feita da mesma vontade de acertar do Ivo, mas não tem o ressentimento dele, que só comecei verdadeiramente a sentir mais tarde. A Míria e a Nora, convictas e sacrificadas, firmes e abnegadas, são o que eu sempre admirei nas pessoas e quis imitar. Por outro lado, creio que toda a gente, alguma vez, experimentou ou experimentará a fuga parada do Rico e o seu beco sem saída. E quem é que nunca sentiu o apelo de transgressão da Lígia, que é também uma fuga? E por aí fora…

Tem mais livros pensados para o futuro?
Sim. Tenho um novo livro com a primeira fase de redação concluída, a que falta agora uma revisão aturada que, provavelmente, levará a que ele seja reescrito numa nova versão, mais completa e aperfeiçoada. Depois tenho ideias para mais livros, em diferentes estádios de desenvolvimento. E quero continuar a escrever peças de teatro. Além disso, todas as semanas partilho um texto novo com os leitores no meu blogue literário.

Com a sua editora decidiram utilizar o “crowdfunding”. Poderia explicar melhor aos nossos leitores o que se trata?
O crowdfunding é um sistema de financiamento colaborativo que, mediante uma estratégia de recompensas, permite angariar contributos financeiros que viabilizem a concretização de um projeto. Pode ser aplicado aos mais variados empreendimentos. No caso do meu livro, foi proposto ao público que participasse no orçamento da publicação com quantias desde os 5 aos 50 euros, sendo que as recompensas podiam acumular-se a partir da inscrição do nome na primeira edição do livro até à possibilidade de um jantar com o autor, passando pela obtenção do livro nos seus diferentes formatos (e-book, audiobook ou obra impressa).
Para além da possibilidade de angariar valores que permitam custear as despesas de um projeto, o lado interessante deste sistema é a ligação que se cria entre o projeto a desenvolver e o público ao qual ele se destina. Este, ao participar no investimento, sente a obra como sua ainda antes de ela ser comercializada; por outro lado, o autor e a editora sentem o compromisso de uma relação que se estabelece para continuar. A meu ver, isto corresponde completamente ao que penso ser o papel da literatura (e da arte em geral): unir as pessoas em torno de ideias comuns e gerar mais valias culturais.

Quando uma pessoa vai ao teatro o que vê mais são os atores, e muitas vezes esquecemo-nos de todos os outros intervenientes. Sente que um guionista tem o mérito que merece?
Em primeiro lugar, considero que quem escreve uma peça de teatro não é um “guionista”, mas sim um autor que cria uma obra escrita com qualidade literária autónoma. Em segundo lugar, e aqui falo a partir da minha própria experiência, penso que quem escreve uma peça de teatro não está focado no puro reconhecimento do seu mérito, mas antes preocupado em pôr a sua escrita ao serviço de um todo maior, uma criação artística da qual sabe que o texto, sendo a base, é apenas um elemento a conjugar com outros. Apesar de fundamental e autónoma, a obra escrita só ganhará pleno sentido quando for implantada em cena e trabalhada de forma dramática.
Escrever para teatro é habitar este paradoxo de derramar toda a energia criativa numa obra que se sabe que, por muito preenchida que seja, será sempre imperfeita em si mesma, estará sempre carente de um tratamento dramatúrgico e cénico para se completar. Por isso, o reconhecimento do mérito do autor está sempre dependente de fatores que estão para lá do seu trabalho de escrita. Dito isto, a minha experiência na área do teatro (quer do lado do público, quer do lado da escrita, encenação e representação) leva-me a crer que, atualmente, há muitas pessoas que apreciam os espetáculos de forma global, não se ficam na superficialidade de olhar apenas para o trabalho dos atores (às vezes erradamente encarado como uma mera exibição), mas valorizam a qualidade das diversas componentes e as suas interações. E, obviamente, criticam os desequilíbrios.
E há muita gente – eu incluído – que, muitas vezes, decide ir ao teatro devido ao autor e ao texto da peça.

Em todas as nossas entrevistas pedimos à pessoa entrevistada para deixar uma pergunta para a próxima pessoa a entrevistar. No seu caso, foi a autora Joanne Harris que lhe deixou uma pergunta (pode ver a sua entrevista aqui - http://flamesmr.blogspot.pt/2013/09/entrevista-joanne-harris.html). A pergunta foi: "What stops you from writing?"

Penso que aquilo que pode impedir-me de escrever é precisamente aquilo que me motiva para a escrita: a vida, com todos os seus apelos e solicitações. O meu trabalho como professor absorve muito do meu tempo e energia, pois é algo a que me dedico muito para além do que está consignado num horário letivo. A vivência familiar também concentra muito da minha atenção. E depois a prática dos meus hobbies: a leitura, com o processo de estudo e reflexão que envolve, e o teatro, com o trabalho de ensaios e produção. Todas estas coisas me desviam da escrita, mas são justamente estas ocupações que me põem em contacto profundo com os outros e comigo mesmo e, assim, me fornecem inspiração e referências. Quando a minha capacidade de interiorização e meditação me permite fazer eco e síntese de tudo isso que, na minha existência, vou captando e experimentando, devolvo-me então à escrita e procuro romper todas essas ocupações para criar aquilo que nunca poderia existir sem elas.

Agora é a sua vez... Pedimos-lhe para deixar uma pergunta ao próximo entrevistado, mesmo sem saber de quem se trata: Porque é que vale a pena criar?

Obrigada pela entrevista :)
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